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Critica|X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

O Arco “Dias de um futuro esquecido” veio como a “solução” que a história dos mutantes precisava para unir a nova franquia e a franquia antiga.

Se você ainda tem o gosto amargo que “X-men: The Last Stand” deixou nas nossas bocas, ou se Michael Fassbender não teve apelo suficiente para te levar ao cinema, ou te fazer “alugar” o “X-men First Class”, eu tenho dois conselhos para você: bicha, depile esse coração nerd peludo, e coloque-se em dia com a franquia X-men, pois o novo filme dos mutantes valerá cada minuto de esforço que você fará previamente para poder acompanhar o ritmo alucinante desse blockbuster que nossa colegue Bryan Singer e sua equipe prepararam para deixar as inimigas com recalque.

Simon Kinberg, Jane Goldman e Matthew Vaughn escreveram o roteiro mais estruturado da franquia até aqui. Sim, a equipe do First Class já tinha se saído muito bem envolvendo os mutantes com a história da Guerra Fria, mas quando somos apresentados a Guerra dos Mutantes pela sua sobrevivência, o nível da trama sobe de uma forma que eu jamais imaginaria ser possível, e cada cena imprime a urgência que a historia pede, e faz com que tudo se torne memorável.

O Arco “Dias de um futuro esquecido” veio como a “solução” que a história dos mutantes precisava para unir a nova franquia e a franquia antiga. De uma forma inteligente e competente a edição nos fez amar o pessoal das antigas, mas sem perder o foco no atual, e quando digo atual me refiro aos anos 70, que é onde a maior parte do filme se passa, o que se mostrou como outro acerto da produção, pois a ambientação foi muito bem feita e o roteiro soube usar a oportunidade para mostrar lados ainda não conhecidos de alguns personagens principais, como Mística e Charles Xavier.

E por falar em questões de personagens, podemos definir esse filme como o filme que não é o do Wolverine, finalmente, pois apesar do Carcaju ter um papel primordial, e estar em quase todas as cenas, Magneto, Mística e Xavier são os mutantes que realmente determinam a história, e para nós fãs, isso soa como um alívio, pois a imagem de Hugh Jackman e Wolverine já estava saturada, e a decisão da Fox de investir em outros protagonistas se mostra acertada, e principalmente, necessária.

Magneto
O trio principal parece não ter cenas suficientes para nos satisfazer, tamanha é a sintonia dos atores com seus papeis e a qualidade do desenvolvimento de suas historias. Seja em suas versões do passado, ou do futuro, os três mutantes estão fieis a suas essências, e surpreendentes. Se você achava que Ian McKellen não poderia ser superado como Magneto, espere até ver Fassbender levantar um estádio inteiro com seu poder. O interprete mostrou que não brincou em serviço, e fez jus a fama de bom ator que já possui, e a fama de bom vilão (?) que Magneto sempre possuiu.

Uma das minhas duvidas principais era quanto a Jennifer Lawrence no papel de mística.  Apesar de sua boa performance no First Class, o desenvolvimento da atriz fora da franquia me fez temer que ela tivesse “crescido” demais para o papel, e que talvez estivesse ali só cumprindo obrigações contratuais, o que poderia prejudicar a personagem, que apesar de ter sempre sido uma personagem mais secundaria, roubava a cena. E mais uma vez minhas preocupações foram em vão, pois se a atriz cresceu em sua vida profissional, os roteiristas fizeram a personagem crescer na história, e se tornar uma protagonista com P maiúsculo, e deram muito conteúdo para que Jeniffer pudesse trabalhar as nuances que a Mística apresentou desde sempre, seja nos quadrinhos, ou em tela. Mais uma das surpresas positivas do filme.

Enquanto Mística me surpreendeu, tenho que confessar que o Xavier do passado me gerou uma certa estranhezaXavier com todo o seu drama e a questão de assumir seu lado X e sua cadeira de rodas ou não. Acho que não foi nem questão da história não ser bem desenvolvida ou não ser condizente com o momento do personagem, mas é que o contraste entre o Xavier do passado e o do futuro foi muito grande, o que em alguns momentos gerou um desconforto, quase como se não se tratasse do mesmo personagem. Mas essa questão foi bem resolvida a partir de um momento do filme, e com uma cena que por si só fez valer o ingresso, e mostrou o verdadeiro Xavier que conhecemos e amamos.

Um devido destaque também foi dado a personagens queridos, como Storm, Kitty, Colossus e Bobby, assim como a novos personagens, como Blink, Apache, Mancha Solar e Bishop. Tudo o que envolveu esses personagens foi muito emocional,  acompanhado de efeitos espetaculares, mostrando como os mutantes evoluíram na luta para se defender e aprenderam a ser realmente uma equipe. Um personagem que está na boca povo é Peter (Pietro, dos quadrinhos), velocista cleptomaníaco que roubou as cenas que participou, e me fez respirar aliviado, pois apesar de suas roupas bregas (que funcionaram bem em cena), se mostrou o cínico e espertinho dos quadrinhos que é (herança genética?).

 

O Homo Sapiens e os Sentinelas eram o inimigos a serem temidos pelos mutantes, e o roteiro fez com que essa questão de sobrevivência, raça superior e intolerância fosse tratada de uma forma crua visceral, onde a violência se mostrou como a expressão do medo, em ambos os lados.  Algumas reviravoltas estão reservadas quanto à trama e as ações de alguns personagens, mas ainda assim o roteiro permanece fiel, Magneto não deixou de ser Magneto, Charles não deixou de ser a consciência, papel que lhe cai tão bem desde sempre, e os humanos não deixaram de serem humanos, cheios de medos e preconceitos, assim como os próprios mutantes são também.

A cena final veio como um presente para todos os fãs. Preparem-se para se emocionar, e entrar em parafuso de novo, pois se alguma confusão temporal quanto aos filmes antigos tinha deixado de existir com a resolução da trama de Dias de um futuro esquecido, elas voltam a existir com essa cena final. Mas ainda assim ela é valida, pois abre a franquia para diversas possibilidades, e não somente aquela que tinha sido imaginada quando esse filme foi anunciado (pelo menos eu achava que o elenco da franquia original seria descartado após esse filme), e faz com que nós fãs fiquemos com aquele gostinho de quero mais, substituindo o azedume que alguns dos filmes dos X-men citados lá no começo desse texto tinham deixado.

Dias de um futuro esquecido é um excelente filme, e uma luz no fim do túnel para nós fãs da Franquia X-Men. Vejam uma, duas, quantas vezes puderem, pois tenho certeza que a cada vez, vocês se apaixonarão mais por esse filme.

Não deixem de conferir a cena pós-credito.

O Arco “Dias de um futuro esquecido” veio como a “solução” que a história dos mutantes precisava para unir a nova franquia e a franquia antiga. Se você ainda tem o gosto amargo que “X-men: The Last Stand” deixou nas nossas bocas, ou se Michael Fassbender não teve apelo suficiente para te levar ao cinema, ou te fazer “alugar” o “X-men First Class”, eu tenho dois conselhos para você: bicha, depile esse coração nerd peludo, e coloque-se em dia com a franquia X-men, pois o novo filme dos mutantes valerá cada minuto de esforço que você fará previamente para poder…

X-Men - Days of Future Past

Filme

Nota

Dias de um futuro esquecido é um excelente filme, e uma luz no fim do túnel para nós fãs da Franquia X-Men. Vejam uma, duas, quantas vezes puderem, pois tenho certeza que a cada vez, vocês se apaixonarão mais por esse filme.

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Sobre Bruno Marcatto Maldonado

Médico e grande amante de entretenimento, seja qual for a mídia envolvida. Foi Editor Chefe do Guia das Séries durante três anos e Reviewer do Mundo das Séries.

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    Olha eu também gostei bastante do filme, ma não curto a Jennifer e a a Mística dela, ela passa quase o tempo todo como Jennifer (convenhamos a versão não mutante da Mistica é basicamente a Jennifer de cabelo ondulado), já disse que não curte usar a maquiagem de mistica porque demora demais (?) e é uma personagem muito dramática. Os roteiristas desde o primeiro filme fica trabalhando esse triangulo amoroso chato entre Xavier, Erik e a Mistica e isso é muito chato. O melhor dos X-men é quando trabalham eles como equipe.