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Indicação Nerd|Reino do Amanhã

A humanidade não se sente mais protegida e sim ameaçada pelos super seres.

A década de 90 foi a época em que mais tive contato com as HQs americanas e, se me permitem dizer, com as obras que considero mais relevantes para a minha compreensão dos quadrinhos da forma como compreendo hoje.

Em um período onde estava acompanhando “A morte do Super-Homem”, “A Queda do Morcego” e “Massacre Marvel”, sagas com propostas apocalípticas, tive contato com “Reino do Amanhã”.

Uma minissérie que também se trata de um futuro apocalíptico, mas de uma forma muito mais humana e com reflexões sobre o maior superpoder de qualquer indivíduo, a escolha.

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Esta obra-prima tem é uma atmosfera (ao menos pra mim) de nostalgia, porque a história traz de volta os heróis mais poderosos da DC em um futuro onde estão todos em idade mais avançada e, além disso, a Liga da Justiça é formada por alguns heróis originais da Sociedade da Justiça (o primeiro Lanterna Verde, Alan Scott; Gavião-Negro; Espectro).

Durante a história, acompanhamos o pastor Norman McCay, que é escolhido por Espectro, para punir os responsáveis do mal que se aproxima.

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Superman sofreu uma imensa perda e por isso decide se exilar. Até mesmo o nome Clark, ele recusa e apenas aceita o nome de Kal-El.  Ao ver o Homem de Aço abandonando a batalha, vários outros super-heróis também decidem se aposentar. Alguns mantiveram suas atuações, de forma restrita e clandestina.

Sem a LJA, a humanidade passa a ser protegida por novos super seres, que não herdaram os mesmos princípios e responsabilidade de seus antecessores. Os antigos deuses não andam mais entre os homens e os novos deuses são imprudentes e negligentes.

A humanidade não se sente mais protegida e sim ameaçada pelos super seres. Isso força os antigos heróis retornarem à ativa, para educar e punir os atuais que esqueceram suas funções em relação à sociedade.

No entanto, essa mudança causará o choque entre o antigo e o novo. Muitos da nova geração de heróis, que não mede consequências em seus atos, não estão nem um pouco interessados em serem doutrinados pelo Super e a Liga, que se acovardaram e abandonaram os humanos a própria sorte.

E isso culminará na batalha pela justiça e a verdade. E Norman deverá julgar qual geração deverá ser salva.

Com as ilustrações e pinturas de Alex Ross, sentimos como se um filme estivesse sendo exibido. Tudo parece tão detalhado, tão real e tão vivo, e a cada página as imagens saltam como pinturas de obras de artes.

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A história é épica e o roteirista, Mark Waid, consegue prender nossa atenção até o clímax da trama. Waid também cria uma história completamente verossímil, mesmo com super seres batalhando pelo futuro da humanidade, e sem nenhum vilão (que interfira diretamente na trama).

Mesmo os heróis são retratados de forma palpável e com todos os seus defeitos. Um Superman visto como covarde, uma Mulher-Maravilha impiedosa, um Capitão Marvel (pois é, sou velha guarda) manipulável, pode nos fazer pensar, qual o limite do humano e de um Deus.

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As escolhas humanas também são questionadas nesta história. Diante de uma gigante ameaça, a população geralmente escolhe a alternativa que aparenta ser a mais radical e que transmita maior segurança. Algo que depois, se mostre um alto preço a pagar.

Reino do Amanhã traz um olhar niilista, e mostra como durante muito tempo os deuses foram responsáveis pelo destino da humanidade, impedindo os humanos de se responsabilizarem pelo seu próprio futuro.

A minissérie foi publicada pela Abril Jovem em 1996, em quatro edições, com roteiro de Mark Waid e ilustrações e pinturas do incrível, Alex Ross. A obra foi relançada pela Panini Comics em 2013, em uma edição encadernada especial para colecionador, com vários extras sobre a história, o autor, bastidores da produção e uma dedicatória à Christopher Reeve.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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