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Especial|Guia para o leitor iniciante de quadrinhos (Parte 5 – Sagas da DC Comics 1)

Depois do introdutório, o curso intensivo para o leitor iniciante de quadrinhos. 

Já demos algumas dicas para quem está iniciando a leitura de HQs AQUI e AQUI. Mas mesmo para aqueles que já iniciaram a leitura, muitas dúvidas aparecem quando entram em contato com as sagas das editoras e especialmente a ordem cronológica dos acontecimentos que explicam o desenvolvimento de vários personagens. Por isso decidimos criar um guia com principais sagas das HQs e assim facilitar a ordem das leituras, começando pelo universo da DC Comics.

Vamos lá?

Cronologia DC

Crise nas Múltiplas Terras (Fase de 1961 até começo dos anos 80)

Crise Multiplas Terras

Dos sites que acesso sobre HQs que indicam leituras para novos fãs da DC Comics, 10 em cada 10 indicam Crise nas Infinitas Terras como ponto de partida para compreensão do Multiverso. No entanto, Crise nas Infinitas Terras é o resultado de uma extensa fase da DC, onde os heróis da Era de Ouro e os heróis da Era de Prata realizavam crossovers anualmente, unindo forças para enfrentar diversas ameaças nas diversas Terras criadas.

Depois da clássica história “O Flash de Dois Mundos”, os editores e roteiristas tiveram liberdade para criar diversas paralelas e assim introduzir histórias de alternativas de vários heróis, além de incorporar os heróis “esquecidos” da Era de Ouro ao universo dos heróis atuais da DC.

Com o atual boom da cultura nerd, a Panini reuniu em uma edição encadernada as principais aventuras onde a Liga da Justiça (Terra 1) e a Sociedade da Justiça (Terra 2) se encontraram para combater vilões que ameaçavam a paz no Multiverso. Lembrando que essa edição é apenas uma introdução sobre o multiverso e a Crise nas Infinitas Terras, apenas para uma compreensão melhor do universo DC.

Crise nas Infinitas Terras (1985)

Crise InfinitasTerras

Na década de 80, o multiverso já havia se tornado um problema para os fãs da DC. Para se ter uma ideia, existiam as Terra S (lar do Capitão Marvel – Shazam, para os novinhos – e sua família), Terra 2 (lar dos heróis da Era de Ouro das HQs), Terra X (onde os vilões eram os nazistas), Terra Primordial (uma dimensão igual ao mundo real, onde os heróis são simplesmente personagens fictícios), Terra 3 (onde a Terra era dominada pelo Sindicato do Crime, uma versão maligna da Liga da Justiça), Terra 5 (uma dimensão onde o único herói que existia era o Batman), etc. Com todas essas dimensões e versões alternativas dos heróis, ficava difícil para qualquer leitor compreender alguns eventos e até se lembrar de onde era cada personagem.

Para acabar com esse barraco, a DC lançou Crise nas Infinitas Terras, uma maxissérie que durou um ano inteiro e colocou os heróis de todas as dimensões contra o vilão Anti-Monitor.

Esta saga é com certeza a mais relevante no universo DC até os dias de hoje, pois eliminou a ideia de Terras paralelas, fazendo com que todos os heróis (sobreviventes) desta saga coexistissem na mesma dimensão.

Durante 12 meses, Crise nas Infinitas Terras reestruturou a história dos principais heróis da editora, de forma chocante como nunca visto nas HQs. Me lembro até hoje de ler nesta saga, a morte de Barry Allen, o Flash da Terra 1, e ficar completamente chocado como os roteiristas tiveram a coragem para matar um dos principais heróis da DC.

Após este megaevento, o universo DC ficou conhecido como Pré-Crise e Pós-Crise, então sempre que ouvir estes termos, já sabe que se tratam das fazes Multiverso e Dimensões Unificadas, respectivamente.

Devido à importância e ao imenso sucesso, a DC relançou Crise diversas vezes. Neste ano de 2015, Crise nas Infinitas Terras completou 30 anos (tô velho), e por isso a Panini prometeu até o final do ano uma edição definitiva com toda a saga, mas é possível encontrar lançamentos anteriores desta saga fantástica.

Odisseia Cósmica (1988)

Odisseia Cosmica

No final da década de 80, o universo dos quadrinhos viu o fim da Era de Bronze e o início da Era Moderna, com o lançamento das principais histórias das HQs, colocando heróis em tramas adultas e profundas. Nesta época foram lançadas as “bíblias” Watchmen e Cavaleiro das Trevas, que influenciariam várias histórias até os dias de hoje.

Neste período, Jim Starlin escreveu uma minissérie onde Darkseid encontra uma entidade que ultrapassa os limites de seus poderes. Assim, o supervilão regente de Apokopolis precisa da ajuda dos heróis para derrotar Antivida, que ameaça toda a galáxia.

A história mostra heróis e vilões lutando lado a lado, por um objetivo em comum. A aventura mostra um drama intenso e com algumas tragédias que marcariam alguns heróis para o resto de suas existências.

A Panini lançou recentemente, outubro de 2015, esta série em um encaderno luxuoso, já disponíveis nas principais lojas e livrarias.

Armageddon 2001 (1993)

Armageddon

O multiverso foi eliminado, mas as viagens no tempo continuaram fazendo a cabeça dos roteiristas da DC. Em Armageddon 2001, somos apresentados a um futuro alternativo em 2030, onde a humanidade é dominada por um tirano chamado Monarca. Pouco se sabe do vilão, pois o mesmo apagou da história sua identidade e origem, apenas que ele outrora foi um super-herói.

Um cientista desta época, Mattew Ryder, fascinado pela história do século XX, decide descobrir a verdadeira identidade do ditador superpoderoso e assim viaja ao passado, sob a alcunha de Tempus, para descobrir qual herói seria o traidor que viria a se tornar o opressor.

A história teve uma imensa repercussão na época, pois a informação de qual herói se tornaria o Monarca “vazou” antes do fim da saga, fazendo com que os roteiristas refizessem às pressas o final para surpreender os leitores.

A saga é quase que a semente para a saga Zero Hora, que viria logo em seguida, onde Monarca reapareceria novamente.

Esta série foi lançada na década de 90 e ainda não possui uma edição definitiva, mas pode ser encontrada na internet ou em sebos.

Zero Hora (1994)

Zero Hora

Zero Hora surgiu no início da década de 90 para corrigir algumas arestas que ficaram após a unificação do multiverso em Crise nas Infinitas Terras. Após a Crise, alguns personagens mantiveram suas origens Pré-Crise, por exemplo o Superboy, Capitão Marvel e Gavião Negro, e isso causava muita bagunça na cabeça dos leitores e roteiristas.

Esta saga é uma das minhas preferidas, pois ocorreu em uma época envolta de tragédias: Batman teve a espinha lesionada por Bane (A Queda do Morcego), Superman havia morrido e voltado (A Morte de Superman e O retorno de Superman) e Hal Jordan havia se tornado o vilão Parallax que matou diversos lanternas da Tropa e enfrentou os principais heróis da DC (Crepúsculo Esmeralda).

Ou seja, Zero Hora veio em um momento de onde os heróis estavam se reerguendo e se recuperando das tragédias daqueles últimos meses.

Em Zero Hora, Tempus (Matthew Rayder) descobre que há um fenômeno que está destruindo o fluxo temporal, do fim para o começo. Ou seja, os futuros estão deixando de existir, o que acabaria alcançando o presente.

Além disso, a linha temporal parece ser achatada e vários personagens do passado acabam aparecendo no presente, como Batgirl (Barbara Gordon) que aparece jovem e curada (baleada em A Piada Mortal, que a deixou cadeirante), Dick Grayson adolescente, Alan Scott bem mais novo, Clark Kent adolescente (ainda como Superboy), várias versões do Batman (desde o Ano 1, até Cavaleiro das Trevas), etc.

O responsável por tudo isso é o Monarca, que adquire o poder sobre o tempo e assim se torna Extemporâneo. O vilão gera uma crise temporal fazendo com que passado, presente e futuro se misturem, e começa a eliminar todos os heróis.

Ao fim desta saga, toda a cronologia da DC é zerada e reiniciada. Muitos heróis morrem e alguns tem suas origens recontadas, facilitando a vida dos novos leitores de HQs da época, muitos influenciados pela série animada de Batman (1992).

Esta saga ainda não teve relançamento em formato definitivo, então se ainda não leu serão necessárias formas alternativas.

Na próxima parte, veremos da Nova Ordem Mundial até os 52, período em que a Liga da Justiça se torna o símbolo que conhecemos nos dias de hoje.

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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