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[Especial] O poder de Jamal Lyon!

Atualmente, há uma vasta lista de séries que abordem a temática LGBTT, inclusive já até fizemos uma lista com algumas AQUI

Apesar da representatividade que estas séries trazem para nós, gays, ainda são completamente dominadas pelos estereótipos “todos malhados, classe média alta e brancos”.

Queer As Folk, Looking, Will & Grace, The New Normal, etc, são ótimas séries, mas você consegue se lembrar de algum gay negro nelas?

Noah’s Arc foi a primeira (senão a única) a colocar personagens negros e gays em sua trama. Apesar disso, a série é completamente desconhecida para grande maioria do público (levanta a mão quem assistiu) e com um ar mais humorístico.

Eis que em minha busca por séries novas para acompanhar, ouvi falar de Empire, uma série pouco conhecida ainda no Brasil, mas que já é um tremendo sucesso na terra do Tio Sam. O fato de trazer atores negros no seu elenco principal, já me seduziu para conferir ao menos o primeiro episódio.

Foi amor à primeira assistida!

A história mostra Lucious Lyon (Terrence Howard), um rapper que saiu das ruas e prosperou na música, se tornando dono de uma das maiores gravadoras do mundo, a Empire. Lucious construiu um império no meio musical – de forma bem obscura – até descobrir ter ELA, uma grave doença. O patriarca decide então eleger um de seus três filhos – Andre (Trai Byers), Jamal (Jussie Smollett) ou Hakeem (Bryshere Y. Gray) – para ocupar seu trono e assumir os negócios da família.

Ao mesmo tempo, Cookie (Taraji P. Henson), sua afiada ex-esposa, retorna depois de passar 17 anos na prisão disposta a recuperar tudo que perdeu.

A série é totalmente dominada pela toda poderosa e perua Cookie Lyon, que arranca risadas mesmo nas cenas mais tensas, mostra como uma mulher do guetto resolve as coisas e dá uma lição do que uma mãe é capaz pelos seus filhos.

Don’t Touch Me, Bitch

Cookie é interpretada por Taraji P. Henson. Na primeira temporada, Taraji estava tão bem no papel de Cookie que acabou indicada ao prêmio de melhor atriz por série dramática no Emmy de 2015.

Cookie adora as falsianes

 

Apesar de todo o elenco ser fenomenal e Cookie ser a grande estrela do show, a série traz Jamal Lyon (Jussie Smollett), o filho do meio de Lucious Lyon, que é homossexual e negro.

A história de Jamal é sem dúvida a mais comovente de toda a série. Desde pequeno, Jamal já demonstrava ser “diferente” de seus irmãos, o que causa uma grande revolta no seu pai rapper, Lucious. Jamal cresce e se torna cantor, o mais talentoso entre os três irmãos. Mesmo assim, seu pai Lucious não o reconhece, devido sua homossexualidade.

A trama mostra toda a homofobia no meio musical, especialmente no meio da comunidade negra, e a dificuldade de Jamal ser levado a sério como artista, apesar de todo seu talento. Legal também como a série aborda o preconceito internalizado, quando o próprio Jamal discrimina alguns gays que não são “discretos” e na sua dificuldade de sair do armário para assumir seu namoro.

Apesar de mostrar as dificuldades, a série também mostra o amor verdadeiro. O amor de Cookie e Hakeem por Jamal, independente de sua orientação sexual é algo lindo de ver.

O personagem Jamal é o primeiro gay negro em uma série, onde não é um simples coadjuvante – nem adianta citar Keith de Six Feet Under, coadjuvante sim! – e com uma história verdadeira. A série mostra um personagem completo, que tem desejos, defeitos, que faz sexo, tem sonhos, ambições e tem uma família, apesar de todos os problemas.

O ator Jussie Smollett que interpreta Jamal Lyon também é gay na vida real e acredito isso ser um grande passo. Sabemos que para ser “belo” no mundo gay, é necessário ser branco, sarado e “discreto”/”Fora do meio”/”Narniano”. O negro gay ainda é visto como um “fetiche” por muitos gays, como o “bem dotado”, aquele que serve apenas para “uma boa pegada” e isento de sentimentos, então a visibilidade que um personagem como este pode trazer é sem precedentes.

Acredito que a representatividade dos gays ainda tem um longo caminho para trilhar, especialmente quando se trata dos gays negros. Já falamos sobre a falta de protagonistas negros AQUI, imagine só então negros e gays?

Fiquei entusiasmado com as janelas que Jamal Lyon pode abrir, especialmente para o público que não tem contato com as discussões sobre a diversidade sexual e os direitos dos gays. A série traz a participações de vários rappers como Snoop Dogg, Ludacris, Ne-Yo e outros artistas como Mary J. Blige, Estelle e Pitbull, que podem impulsionaram a história de Jamal e de Smollet para residências onde há famílias passando pela mesma situação que o personagem passou.

A primeira temporada da série Empire estreou no Brasil e está sendo exibida na Fox Life. Nos EUA, a série segue na segunda temporada com uma audiência tremenda.

Já acompanham a série? O que acham do Jamal? Deixem comentários sobre o que acharam!

E confira o talento de Jussie Smollett:

 

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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  • Hugo

    Ele não é o único gay negro da tv não… Tinha um também em TRUE BLOOD… E eu gostava muito dele…

  • Hugo

    Ele não é o único negro gay da tv não… Tem também o Lafayette de True Blood, interpretado por Nelsan Ellis… E além de fugir do esteriótipo bichinha delicada (quando precisava ele sabia descer a porrada) o cara ainda sabia dos paranauês vodoozísticos…

    • Tieser Centeno

      também tem a Lena de The Fosters, que é mulher, negra, uma das protagonistas e gay (aceite quem quiser e sentir-se a vontade!) e ainda é super bem resolvida com a vida, família, esposa, sexualidade e trabalho de vice-diretora de escola!!… quer dizer, ela mostra que não é aquilo que todo mundo pensa sobre gays na maioria das vezes, sendo ricos milionários e tals!

  • Everton Calício

    Parabéns pelo texto, ficou ótimo! 🙂

  • Tieser Centeno

    adorei o que você disse, mas como diz a Mama Odie, “procurando beeeeemm lá no fundo achamos o que procuramos!” (ou alguma coisa assim 😛 sda) pois eu pensava a mesma coisa sobre filmes gays e fui capaz de encontrar o primeiro filme a falar sobre a homossexualidade de forma mais clara (pra época, é claro!) e sem que nos “condenasse ao fogo do inferno”, que foi produzido em (torno de) 1900 e 1910, ou quase isso… e tipo, é um dos marcos para a comunidade e movimento LGBTQIA!!
    ah, desculpa fugir do assunto… hã… em relação a serie, REALMENTE parece ser muito boa e também gostei da representatividade!! espero que não façam como com muitas series, como fizeram com a serie Looking, e cancelem, pois esta tem muito e pode dar e mostrar a nós, seres humanos deste mundão que vivemos!!! sda 😛

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