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Crítica|Mighty Morphin Power Rangers #1 (2016)

Os Power Rangers da minha infância, mas muito mais maduros

Lembro-me de quando eu era apenas um jovem padawan, chegando da escola todo dia para pegar a exibição de um novo episódio de ‘Mighty Morphin’ Power Rangers. Era o último do bloco matutino de exibição da Globo, sendo seguido depois pelo tedioso Globo Esporte – ou como eu chamava: A hora que o meu pai era o único dormindo em frente a TV, mas levemente desperto para perceber qualquer tentativa de mudança de canal.

Na minha infância aquele era o programa repetitivo mais inédito e exclusivo do mundo. Sempre começava e terminava da mesma forma, mas nunca consegui ver como algo tedioso. Hoje eu confesso que não passaria muito tempo dedicando a minha grade de séries para algo do tipo. Mas o Diego de hoje não era o público alvo de quando Power Rangers estreou, em 1993.

E diferente da criança que assistia o grupo de heróis da ‘Alameda dos Anjos’, a história de ‘Mighty Morphin’ Power Rangers também cresceu e amadureceu muito.

O primeiro número, escrito por Kyle Higgins (Batman Eternal) e Steve Orlando (Midnighter), é cheio de homenagens ao antigo seriado, além de expandir consideravelmente a sensação de crescimento dentro da revista. São os mesmos personagens, Kimberly, Tommy, Billy, Trinity, Zack e Jason e também temos a mesma vilã, Rita Repulsa. Nada mudou, mas tudo mudou.

Todo o dilema em cima do Ranger Verde é muito próximo ao próprio problema central da adolescência, quando você percebe que não é exatamente aquilo que as pessoas esperam que você seja. A principal mensagem deixada por este primeiro volume é a de que ninguém precisa ficar sozinho para superar tais dilemas. É a dinâmica do grupo em seu melhor estilo, mas com um lado bem mais sombrio, sexy até.

E a recepção do publico foi muito boa. Quebrando o recorde de vendas da Boom! Studios e garantindo uma minissérie para a Ranger Rosa. A tentativa está mais do que evidente, a história serve para capturar novos leitores e ao mesmo tempo trazer de volta quem cresceu assistindo o seriado.

O assunto é bem mais humano e o material excede as expectativas ao impor um drama menos surreal para o Tommy. Tudo gira ao redor do Ranger Verde, a principio, mas de forma alguma despreza a existência dos outros personagens. Todo mundo ali recebeu uma infusão de personalidade além do esperado, mas que não faria sentido caso fosse o oposto. Já foi passada a época dos personagens moralmente congelados em uma maré de bondade, então aprovei os pequenos momentos do Zack, Billy e Trinity, além do ego do Ranger Vermelho, aquele que todo mundo queria ser até surgir o Verde e posteriormente o Branco.

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É um passo ousado para uma revista baseada no material desenvolvido para crianças, mas é exatamente neste quesito que ela se destaca. Ao ir além do esperado e conseguir construir uma dimensão maior e um espectro sentimental menos simplista para suas personagens, Mighty Morphin Power Rangers faz do seu número #1 uma obrigação para quem um dia ligou a TV em busca das aventuras explosivas na pedreira mais movimentada do mundo.

Entrando na parte técnica, os painéis estão muito bonitos e o ar mais próximo ao de um mangá também confere certo charme para a criação das páginas. Mesmo com um ritmo mais suave do que o da série, ainda existe uma preocupação grande através dos traços de Prasetya para entregar os sentimentos necessários mesmo quando os personagens estão na sala de aula.

Existe até mesmo uma pequena homenagem ao formato passado de Power Rangers. Nas páginas finais temos um lembrete do Bulk e Skull que é similar ao existente no live action, mas confesso que apesar de ser engraçadinho, ainda prefiro mais as versões novas, ácidas, mas com um lado mais real dos personagens.

Em suma, a volta dos Power Rangers originais acontece em um momento extremamente oportuno. Estaremos em pouco tempo assistindo a um novo filme dos personagens, com uma equipe totalmente nova, indo do elenco a produção. Então a presença da história em quadrinhos demonstra a necessidade de mudanças e homenagem ao clássico. É basicamente o que Star Wars fez com o seu sétimo episódio, uma inteligente forma de criar um trabalho para um publico novo, mas sem renegar a presença de quem fez com que ele se transformasse em algo memorável, o antigo.

Os Power Rangers da minha infância, mas muito mais maduros Lembro-me de quando eu era apenas um jovem padawan, chegando da escola todo dia para pegar a exibição de um novo episódio de ‘Mighty Morphin' Power Rangers. Era o último do bloco matutino de exibição da Globo, sendo seguido depois pelo tedioso Globo Esporte – ou como eu chamava: A hora que o meu pai era o único dormindo em frente a TV, mas levemente desperto para perceber qualquer tentativa de mudança de canal. Na minha infância aquele era o programa repetitivo mais inédito e exclusivo do mundo. Sempre começava e terminava da…

Mighty Morphin Power Rangers

Número #1

Nota

A perfeita união do saudosismo e criação do novo competem ao primeiro número dos Power Rangers um verdadeiro sucesso para o publico e a Boom! Studios.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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