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[Indicação Nerd] Livro – Herói!

Uma revista que inspirou uma geração!

Para a geração que nasceu após a popularização da internet, o acesso aos conteúdos sobre novidades das séries preferidas, as últimas HQs, os próximos filmes e sobre a cultura nerd, é fácil e rápido.

Dezenas de sites com histórias em quadrinhos disponíveis na íntegra e traduzida, sites com os animes legendados disponíveis para qualquer um assistir, sites (como este) com resenhas, indicações e críticas, vloggers resumindo conteúdos de décadas em míseros 5 minutos no Youtube. Qualquer coisa que você queira conhecer está à um (ou dois, afinal pop-ups propaganda everywhere) clique de distância.

Mas há um pouco mais de duas décadas atrás – quando este que vos fala estava iniciava sua estrada no universo nerd – nada disso existia. Sagas de super-heróis eram consumidas em doses homeopáticas semanalmente. Animes? Somente em encontros agendados pelos fansubs (grupo de deuses otakus fluentes em japonês que traduziam os animes para o português), onde assistíamos apenas os animes que estavam fazendo sucesso no Japão. Filmes de heróis? Não tínhamos a mínima ideia de como seria até sentar a bunda na poltrona do cinema.

Em São Paulo, haviam alguns grupos de fãs de desenhos que se reuniam em lugares específicos e dias específicos, agendados previamente com semanas de antecedência (Whatsapp? Facebook? Celular? Não, nada disso fazia parte de nossa rotina, jovem paduan). Ser nerd, nesta época era muitas vezes ser solitário. Assistir Zillion ou Patrulha Estelar e não ter com quem dividir. Nem vou falar sobre como era ser nerd e além de tudo gay, nesta época. Se encontrar um amigo nerd nesta época já era difícil, um amigo gay nerd era quase impossível.

Mas eis que em 1994, na extinta rede Manchete (vulgo canal 9), o anime de maior popularidade em terras brasileiras chegou: Os Cavaleiros do Zodíaco. Saint Seiya (no original) foi sucesso imediato, se tornando rapidamente em uma febre entre pessoas de todas as idades no Brasil. Quem eram aqueles cinco jovens guerreiros de armadura? Qual o futuro da saga? Quais os próximos vilões?

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Para responder estas e muitas outras respostas, uma revista foi lançada nas bancas, com Seiya de Pégaso na capa. Seu nome era Herói. Escrita por dois apenas dois (!) caras (André Forastieri e Odair Braz Junior) inicialmente, a revista se tornou uma febre, tendo a tendo a primeira edição vendendo todas as suas cópias (100 mil) e tendo que ser reimprimida logo no mês seguinte.

Pela primeira vez, havia uma publicação feita para o público nerd e escrito por nerds. Antes da revista Herói, desenhos, filmes de super-heróis e videogame tinham pequenas citações nas revistas e jornais de grande circulação, e geralmente escritas por jornalistas que não tinham nenhuma familiaridade com o tema.

Para se ter uma ideia do quão longe a revista Herói chegou, algumas edições chegaram a vender mais que a revista VEJA nas bancas. O sucesso seguiria junto com o sucesso de Cavaleiros do Zodíaco, depois com Pokémon e Dragon Ball. Me lembro de ter visto as primeiras matérias sobre Dragon Ball, Yu Yu Hakushô e Sailor Moon na Herói (Era Gold). Depois acompanhei Pokémon com as matérias da Herói (Era 2000).

A revista acabou, assim como a supremacia dos animes em terras brasileiras, mas dois jornalistas decidiram escrever um livro sobre esta revista que marcou uma geração inteira e inspiraria as editoras criarem revistas que abordassem o universo nerd e de animes. Antes considerada cultura inútil, se tornou um mercado rentável para muitos. As revistas SET, Animax, AnimeDo, Henshin, AnimeEX, NeoTokyo e até mesmo sites como Omelete, Capacitor, são crias da Herói.

Eventos como a AnimeFriends, inspirada pela AnimeCon, também ganharam força após a popularização dos animes e mangás que a revista proporcionou.

A revista foi a primeira a apresentar a equipe de dublagem de um anime. As vozes dos Cavaleiros e o trabalho dos dubladores do anime foi algo fantástico. Na edição 41 da revista (guardada com carinho até hoje) conheci Hermes Baroli, dublador de Seiya, um gato e talentoso sempre presente nos eventos nerds.

O livro lançado em fevereiro de 2006, conta desde o início da revista Herói, passando pelo seu auge até o seu último suspiro. Uma das coisas mais divertidas do livro é a cronologia com todas as capas e conteúdo de todas as edições publicadas. O livro é em formato de discurso de todos os envolvidos na revista, algo que não me agradou muito, mas mantém os relatos de cada participante fiéis. Relatos de Alexandre Nagado, Marcelo Del Greco e muitos outros, falando sobre como era escrever para uma revista que estava na vanguarda de seu tempo.

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O livro é um caldeirão de nostalgia para os fãs da revista, apesar de deixar algumas coisas de lado, mostra a história de quem estava por trás da revista que se tornou um marco na história dos fãs e das publicações para este segmento no Brasil.

s.

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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  • Gabriel D Martins

    Vou comprar com certeza. Nem sabia da existência deste livro. Vivi esta época e corria para banca para comprar quando chegava um novo número , que devorava rapidamente. A revista continha ótimas matérias e bastante informação, em uma era pré- internet, ela era uma preciosa fonte de notícias. Como o tempo passa rápido!!

    • Michel Furquim

      Era ótima, né? A melhor fonte pré-internet, com certeza! Tanta coisa tive o primeiro contato através da revista Herói. Abraço!