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[Crítica] Academia de Drags – 2.01

Começa a segunda temporada de Academia de Drags

Sempre fui fascinado pela cultura drag, desde minha primeira noitada na balada gay, em Cuiabá, na já “falecida” Zoom Zoom Bar Disco. Lembro que a primeira vez que estive lá, um concurso de drags estava acontecendo. Nele a ganhadora receberia um contrato com a casa, na época um sonho para qualquer participante. Era ‘Academia de Drags’ antes mesmo de qualquer reality show no estilo estar sendo produzido. Por isso quando fiquei sabendo da existência do web reality brasileiro, meu sorriso abriu de orelha a orelha. Era a oportunidade de ter aquela mesma sensação de novo, com pessoas falando a minha língua e de Estados que um dia eu já visitei. E assim, mostrando que a cultura drag brasileira é extremamente rica, começou o a segunda temporada do show mais charmoso da web gay do país.

É preciso, necessário até, esquecer o nome daquele outro reality show com a mesma temática e proposta. Comparações aqui não cabem. Por mais difícil que seja, deixar de lado a “inspiração” será necessário, afinal, estamos tratando de uma outra proposta. Apesar de parecida e de ter como público alvo o mesmo que consome o produto criado por RuPaul Charles lá nos Estados Unidos, Academia de Drags não conta com o mesmo orçamento, não é desenvolvido e comprado por uma rede de tevê a cabo, e por isso seria extremamente injusto cobrar o mesmo tipo de montagem. Não. O melhor é agir como se este material não tivesse conexão alguma com o que é feito lá fora. Dê todo o seu amor para estas dez drag queens brasileiras e aproveite o que está sendo oferecido, mas sem esperar a estrutura e o roteiro apresentado por quem já está aí há oito anos e dando prêmios que ultrapassam a marca dos trezentos mil reais (é muito dinheiro e para tanto, é preciso que o retorno seja três vezes maior). Com o tempo veremos a nossa Academia florescendo e, quem sabe, alcançando o status que nós, como fãs da cultura drag, queremos e sabemos que eles merecem.

Vamos começar então comentando o primeiro desafio e já fazendo uma pequena apresentação das drags. Como o “Academia de Drags” esteve muito disputado dentro do QG, esta crítica foi escrita em formato parceria. Não se assustem com a quantidade de informações e vem com a gente, curtir essa coisa louca e deliciosa.

Angresson: O primeiro desafio a ser enfrentado foi o da sessão de fotos e na minha opinião, o melhor ensaio foi o da Sasha Zimmer com a Mackaylla, devido a identidade visual das duas ser muito parecida.

Em contraponto com elas tivemos a Mina de Lyon com seu visual toda “Tirolesa”, enquanto a Duda Dello Russo exibia seus seis braços e maquiagem azul, fazendo com que fosse impossível não prestar atenção quando ela aparecia na tela.

E por último, mas não menos importante, quero destacar o ensaio da Malonna com a Fefe Houston, que mesmo com seus problemas ao lidar com o cocar entregou um ensaio lindo e que mostrou duas drags totalmente diferentes uma da outra, mas de uma maneira positiva e que agrada os olhos. E é nesse momento que a edição elogiada anteriormente peca, pois ao continuar apresentando as Drags enquanto a prova é exibida, pode fazer com que a pessoa se confunda, principalmente por que algumas delas já tinham sido apresentadas antes da prova.

Diego: Já comecei amando o desafio das fotos e principalmente os conselhos da Jal Vieira. Concordo com o Angresson de que visualmente o melhor ensaio foi o da dupla Sahsa Zimmer e Mackaylla, especialmente por terem casado bem o estilo. Contudo, todavia, entretanto, porém, é um pouco injusto com as outras queens que apareceram com looks diferentes e que não casavam. Ponto para a inteligência das duas por terem optado por fazer uma dupla para o primeiro desafio.

Já do lado Mina de Lyon e Duda, eu confesso que não fui fisgado. Já conhecia o lado azul da Duda pela internet, mas nesse caso fico com Mina. Mesmo que ela não tenha acertado de primeira a direção do fotógrafo, sua personalidade foi mais divertida de assistir. Bárbara e Sara também se beneficiaram pela estética mais “limpa” e parecida, mas o que chamou a atenção de verdade foi o jeito meio desconectado entre as duas durante o desafio.

Com Natasha Zahar e Nathy Dumond tivemos um exemplo bom de como dois looks diferentes podem se complementar quando a atitude é colocada no mesmo nível. As duas se tocam, conversam com olhares e com certeza entregam um diferencial bacana com o carão.

E por último, Fefe Houston e Malona, que enfrentaram o maior problema/torta de climão, o cocar. Repetindo o mesmo caso da dupla Duda e Mina, faltou o entrosamento. É engraçado como um toque divido entre as participantes durante a foto fortalece a imagem da união.

A edição do programa tirou um pouco da diversão verdadeira, que é ter mais da interação entre as participantes. A mera menção de que Natasha e Sasha já tiveram algum probleminha fora do reality, me fez querer que a edição tivesse valorizado mais este lado de conflito. Bom, a esperança é para que isso ocorra mais na frente e não apenas dentro das entrevistas colocadas entre o desafio.

Desafio final

Fotos finalizadas, drags desmontadas, começa o verdadeiro desafio. Criar uma roupa utilizando apenas papel, em suas mais diversas formas. É nessa hora que a criatividade toma conta e começa a separar quem chegou confiante, de quem pensa que mantém a calma. Como uma verdadeira ‘Academia de Drags’, a turma recebe a ajuda do estilista Walério Araújo. E é tão bom ter alguém ali interagindo, mostrando como se faz e o que se faz, além de alguns comentários ácidos.

Angresson: Como já era de se esperar, antes da prova final, fomos apresentados aos convidados e após isso alguns dos meus temores com relação aos vestidos que seriam montados foram confirmados, mas mesmo assim algumas da meninas me surpreenderam.

Como a Duda Dello Russo, que foi superinteligente ao carregar sua maquiagem no preto e branco para cobrir o azul da make anterior.

Já a Myna de Lyon mesmo não mostrando um look tão criativo me cativou pela sua personalidade e pela maquiagem.

E a vencedora do desafio, Mackaylla, não conseguiu me impressionar, mesmo com os seus adereços bem trabalhos e peruca bem colocada, se ela quer ser a Raja brasileira tem que nos mostrar mais, isso é claro se ela enfrentar esse desafio como se fosse a versão brasileira do outro programa, mas essa não parece ser a proposta.

Diego: Gente, vamos instruir as participantes a dar uma paradinha antes de começar o desfile? Como é que eu vou capturar a imagem desse jeito? Hehehe

Bárbara Blanco arriscou no modelito decoração de festa infantil, mas funcionou. Adorei o contraste entre o azul, amarelo e a lente de contato.

Direto do mundo do preto e branco veio Duda, com uma maquiagem bacana e mostrando a identidade visual mais agressiva, mas não gostei muito da parte inferior do look, achei o formato meio que… sem forma(?).

Por falar em silhueta, ou falta dela, Fefe Houston não aproveitou bem o próprio formato do corpo e a maleabilidade do papel para a parte superior do vestido, terminando bem dura, quase robótica. Já a parte de baixo, olha, um arraso viu?

Quem venceu foi Mackaylla. Não achei que tenha sido o melhor da passarela, mas foi sim o mais coeso. Como eu disse antes, o da Duda a deixou escondida, ao passo que o da Mackaylla, por ser menos carregado, revelou melhor os detalhes de cada rosa.

Outra que não aproveitou muito a própria ideia foi Malona. A parte de cima é bem atraente, com os ombros livres, o estilo utilizado para a cabeça meio Carmen Miranda, combinando o detalhe azul com o brinco, mas a “capa” de jornal foi, em minha opinião, uma silhueta pesada.

Enquanto muitas pecaram pelo excesso, Mina deixou a desejar por não ter feito mais. As escamas ficaram realmente boas e maquiagem também. Só queria um pouco mais de cuidado na lateral.

A Natasha acha que arrasou, mas não curti a cartolina colada no busto, ou a saia gaiola. A impressão é a de que faltou mais trabalho ali.

Já a Nathy Dumond me agradou muito. O trabalho pareceu bem detalhado e com vários tipos de formatos diferentes, mas não muito pesado.

Quem também me conquistou foi Sasha Zimmer. Até mesmo uma bota de papel ela fez, além de ter utilizado os cones “Madonna” para o corpo, optando por não exibir nada na parte superior e consequentemente não poluindo os detalhes da saia.

Por último tivemos Sarah Haykmann, que não fez muito e o que fez, não fez com cuidado. Diferente da construção das outras participantes a dela deixou a mostra todo o molde utilizado, transformando o papel em adereço e não roupa. Para mim, o maior erro do desfile.

Jurados

O painel de jurados foi simplesmente MARAVILHOSO (em caixa alta mesmo). Walério Araújo, Michelly X, Marcelu Ferraz, Cabral, Tchaka e Márcia Pantera, ícones da moda e noite gay brasileira. Que prazer imenso poder ver todo mundo ali, sentado e interagindo. Além, é claro, da dona do show, Silvetty Montilla. Marcelu Ferraz foi em cima da ferida e pontuou exatamente o maior problema de alguns looks, incluindo o da Sarah Haykmann, que na verdade nem acabamento tinha.

Quem caiu na dublagem, infelizmente, foi a dupla Barbara Blanco e Nathy Dumond. Não achei justo, afinal, o ensaio da Nathy foi muito bom, bem melhor que outros apresentados. A música boy magia, assim como a participação da musa Valeska, deixaram tudo bem melhor. E olha, que sofrível essa dublagem, ein? Quem saí é Bárbara Blanco, que devia ter sido eliminada só por ter confessado nunca ter ouvido Boy Magia. Mas o que a colocou para baixo mesmo foi a dublagem mal feita. Era uma participante que eu queria muito ter conhecido mais. Mas já que assim os jurados decidiram, assim continuaremos.

Observações

– “Finge que o Junior aqui é o boy que você quer pegar. Então você tem que seduzir ele”. Miga, precisa fingir? Claro que não. Vem cá, Junior.

– “Vim de índia, né? Aí eu coloquei um… (desenhando o cocar no ar com os braços)”. Se vai se pintar de índia, tem que saber o que é um cocar. Só acho.

– Fiquei um pouco decepcionado com a maquiagem da Alexia Twister. Não sei se foi a luz utilizada, mas parecia que ela estava usando uma máscara e a impressão é, principalmente, por causa da diferença do tom da parte superior da testa para o restante do rosto. Alexia, eu já te vi ao vivo e sei que esse não é o seu melhor, que é muito melhor do que o apresentado. Quebra essas lâmpadas, ou então procura uma posição que te favoreça.  

– O site não promove a interação que é prometida durante o episódio.

– Achei muito legal a entrevista com a eliminada no final.

– Como sempre as tiradas e erros espontâneos da Silvetty são o ponto alto do programa.

– Lully Fashion apareceu e por um minuto eu pensei que fosse a Dani Calabresa. Eita!

– Rick, ai Rick. <3

Cute

– “Sai doida, gente. Sai doida. Nem pisca. Derruba tudo”.

Esta crítica foi escrita em parceria com o Diego Antunes, também autor do Gay Nerd Brasil.

 

Começa a segunda temporada de Academia de Drags Sempre fui fascinado pela cultura drag, desde minha primeira noitada na balada gay, em Cuiabá, na já "falecida" Zoom Zoom Bar Disco. Lembro que a primeira vez que estive lá, um concurso de drags estava acontecendo. Nele a ganhadora receberia um contrato com a casa, na época um sonho para qualquer participante. Era ‘Academia de Drags’ antes mesmo de qualquer reality show no estilo estar sendo produzido. Por isso quando fiquei sabendo da existência do web reality brasileiro, meu sorriso abriu de orelha a orelha. Era a oportunidade de ter aquela mesma sensação de novo,…

Academia de Drags

Episódio 1

Nota

Começou a segunda temporada do web reality mais charmoso do Brasil. Alguns pequenos detalhes técnicos ainda podem melhorar, mas no geral, este é verdadeiramente um sonho se tornando realidade.

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Sobre Angresson da Silva

Nascido em 88, ariano, meio diferentão devido ao ascendente em aquário e que adora conhecer novos animes, mangás, HQ's, jogos, filmes e séries, sempre se preocupando com a representatividade em todas essas mídias. Ainda não formado, mas gosta de escrever suas opiniões e se auto intitula um Nerd Fajuto por não se identificar com os padrões de muitos Nerds.

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  • yuri

    Morto que o Angresson é de Cuiabá socor

    Esse site é bom demais, é anime, serie, filme, drag porra

    • Fico feliz por saber que você gosta do site, mas só queria fazer uma correção. Eu não sou de Cuiabá, nasci na Bahia, fui criado em São Paulo, atualmente moro em Florianópolis e em breve pretendo atualizar minha bio aqui do site…rsrsrs
      Abraços ^^

      • yuri

        assim kkk