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Crítica|Capitão América: Guerra Civil #TeamIron

Guerra Civil traz o que a Marvel sabe fazer de melhor: divertir. Mas a falta de profundidade pode custar caro a longo prazo.

O terceiro filme do Capitão América finalmente estreou e com propostas ousadas: adaptar um dos principais arcos dos quadrinhos do universo Marvel para o cinema, introduzir dois heróis que terão em breve filmes solos e trazer para as telonas um crossover entre seus principais personagens.

Após o anuncio de Batman Vs Superman, na Comic Com de San Diego em 2013, a Marvel decidiu também realizar um crossover entre seus dois principais protagonistas: Homem de Ferro e Capitão América. Para isso, escolheram o título Guerra Civil, onde vários heróis já apresentados em Vingadores – e mais alguns inéditos – se enfrentariam.

Guerra1

O filme criou grandes expectativas, especialmente pelo retorno à Casa das Ideias do herói mais amado dos quadrinhos: o Homem Aranha. Inclusive, o trailer com o cabeça de teia foi lançado na semana da estreia de Batman Vs Superman nos cinemas, obviamente para tombar a “inimiga” DC e dominou a internet e as redes sociais.

Mas vamos à história. Guerra Civil retoma os acontecimentos de Vingadores: A Era de Ultron. Steve Rogers e os Vingadores mais experientes estão ajudando Wanda a controlar seus poderes e Visão a conviver com os humanos. Devido a um mais um incidente envolvendo os Vingadores, o governo decide intervir e exigem o Registro de Super-Heróis (Tratado de Sokovia), a fim de limitar a atuação dos super-humanos somente quando solicitado pela ONU.

Devido aos acontecimentos em Nova York e em Sokovia, alguns heróis acreditam que a supervisão do governo é a melhor escolha, enquanto alguns acreditam que a subordinação a esta Lei irá restringir a atuação dos heróis.

Robert Downey Jr veste o traje de ferro pela sétima vez e apresenta um personagem mais amadurecido e se sentindo responsável pelos estragos deixados por ele e os Vingadores nos últimos filmes. Até mesmo seu relacionamento com Pepper parece ter sido abalado graças as últimas catástrofes em que o Homem de Ferro interviu.

Chris Evans empunha o escudo do Capitão América pela quinta vez nos cinemas, mas nada de novo é apresentado em relação ao personagem, que mantém o mesmo cansativo discurso de ajudar os fracos e os oprimidos. O Capitão América dos cinemas acaba sendo mais enfadonho nos cinemas do que nos quadrinhos, reproduzindo aquele estereótipo do sonho americano “branco, sarado, bonzinho e justo”.

Guerra2

Apesar da divergência entre os heróis em relação a lei de registro, ela acaba se mostrando praticamente irrelevante na trama. A briga entre praticamente todos os heróis tem apenas um motivo: Bucky, o Soldado Invernal. Se nas HQs, a aparição do soldado com braço biônico é quase nula na Guerra Civil, no filme ele é o principal personagem e o estopim para todo o confronto, deixando uma dúvida se o título do filme faz algum sentido.

É impossível não comparar BvS com Guerra Civil e precisamos admitir que o confronto de Rogers e Stark são mais compreensíveis e  plausíveis do que a briga entre Superman e Batman. Mas a razão disso é porque temos praticamente 10 filmes da Marvel Studios, onde a personalidade de cada herói foi construída, contra apenas 1 da DC. O atraso da DC em iniciar um universo cinematográfico integrado transforma o duelo entre os heróis já conhecidos desde 2010 da Marvel, mais interessante do que o Homem Morcego e o Homem de Aço.

Guerra3

Apesar dos personagens já conhecidos e amados pelo público, são os novatos que roubam toda a cena. A introdução de Peter Parker na história é uma das partes mais engraçadas do filme, onde podemos ter uma noção do que teremos com Tom Holland na pele do Homem-Aranha.

O aracnídeo é a sensação do filme e também fica claro o motivo da Marvel querer os direitos do personagem de volta a todo custo. Homem-Aranha é o Batman da Marvel. Qualquer filme ou mídia em que ele é utilizado, vende.

Guerra4

Outro que se sobressai é o rei de Wakanda. O Pantera Negra (Chadwick Boseman) faz sua estreia no cinema, trazendo finalmente um herói negro que não é o “ajudante” do herói protagonista. A única coisa que me incomodou foi o falso sotaque, pausado utilizado pelo ator, para deixar claro que o herói não é americano. Se os diálogos forem todos assim no filme solo do Pantera, poderá se tornar um problema para o desenvolvimento do personagem.

Guerra5

O filme utiliza a fórmula dos mesmos anteriores do estúdio Marvel: muita ação, destruição em níveis épicos e muitas piadas. A cena do aeroporto, onde todos os heróis se confrontam, é a cereja do bolo. Todos os heróis e seus poderes são utilizados em uma sincronia invejável. Mesmo alguns personagens ficando aquém do que poderiam realizar em uma batalha, participam de forma efetiva na cena, fazendo a plateia do cinema quase levantar da poltrona de tanta empolgação.

Para quem reclamou do excesso de fan service em BvS, pode ficar tranquilo em Guerra Civil. Nada aqui é baseado nas HQs. Para os fãs menos ligados em quadrinhos, isso pode ser ótimo, afinal não é necessário assistir praticamente nenhum filme para se excitar (!) com as cenas de ação entre os heróis.

Mas para os fãs da Guerra Civil das HQs, o confronto raso pode deixar a desejar. Se nos gibis a Guerra Civil marcou o universo Marvel, transformando a vida de vários super-heróis e trazendo algumas discussões sobre política e até mesmo ética, o filme não tem a mesma pretensão e nem o mesmo resultado.

Outro ponto fraco de Guerra Civil (e todos os filmes baseados em super-heróis até agora) são as mulheres.  Do time dos 12 heróis que aparecem no filme, apenas 3 são mulheres, 2 Vingadoras e apenas 1 é “super”. Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Sharon Carter (Emily VanCamp) são as representantes femininas no filme e mesmo assim são pouco trabalhadas na trama principal. Se no universo das séries já temos Jessica Jones e Agente Carter como protagonistas, no MCU nenhuma heroína ainda alçou o patamar protagonista.

Guerra Civil, assim como a maioria dos filmes produzidos pela Marvel até agora, tem o objetivo de atrair grande público e divertir. Nestas duas propostas, ela ainda está imbatível e soberana nos cinemas. Mas o filme não surpreende e a fórmula “piadas + história leve” (já utilizada em praticamente mais de 10 filmes da Marvel Studios) já está maçante.

Como já comentado aqui no blog, a Marvel continua colhendo os frutos de seu universo integrado, mas a repetição sempre causa saturação, por isso Dr. Estranho, Pantera Negra e Guerra do Infinito precisarão trazer mais coisas, além de heróis engraçados e tramas rasas. A Marvel já tem o grande público, agora é necessário cativá-lo. E somente o amadurecimento poderá mantê-la na liderança.

E amanhã saí a nossa crítica #TeamCap, não deixe de conferir e fique atento a nossas redes sociais – Facebook & Twitter

Guerra Civil traz o que a Marvel sabe fazer de melhor: divertir. Mas a falta de profundidade pode custar caro a longo prazo. O terceiro filme do Capitão América finalmente estreou e com propostas ousadas: adaptar um dos principais arcos dos quadrinhos do universo Marvel para o cinema, introduzir dois heróis que terão em breve filmes solos e trazer para as telonas um crossover entre seus principais personagens. Após o anuncio de Batman Vs Superman, na Comic Com de San Diego em 2013, a Marvel decidiu também realizar um crossover entre seus dois principais protagonistas: Homem de Ferro e Capitão…

Capitão América - Guerra Civil

Filme

Nota

Guerra Civil, assim como a maioria dos filmes produzidos pela Marvel até agora, tem o objetivo de atrair grande público e divertir. Nestas duas propostas, ela ainda está imbatível e soberana nos cinemas. Mas o filme não surpreende e a fórmula “piadas + história leve” (já utilizada em praticamente mais de 10 filmes da Marvel Studios) já está maçante.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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  • Greg

    Putz, discordo bastante dessa crítica.

    O filme tem como público crianças de 5 anos que não leem HQs a adultos que não leem HQs. Além disso, também é focado nos fãs de HQs que já estão cansados de saber que nenhuma adaptação, seja pra cinema, tv ou game, é fiel aos quadrinhos.

    Então é óbvio que a Marvel criou uma fórmula pra conseguir agradar todos esses públicos. E considerando as vendas e que eles já estão há uns oito anos com esse universo, essa fórmula tem funcionado muito bem.

    Infelizmente não é o que aconteceu pra DC, que quis “tirar o atraso” do seu universo cinematográfico e tentou colocar conteúdo pra 4 filmes em um só, fazendo o BvS uma mistura de coisas que não encaixou.

    O texto colocou o roteiro do filme como “pouco profundo”, pois há poucas cenas que colaboram para a construção do problema (Vingadores estão causando prejuízo). Porém, isso não fica raso no filme, porque tanto quem leu as HQs (eu) do Guerra Civil quanto quem nem sabe que elas existem consegue entender. Isso foi, inclusive, uma coisa que eu acho que BvS pecou: procurando esta “profundidade”, a primeira metade do filme é basicamente uma repetição de cenas mostrando que as pessoas estão indignadas com Superman. Claro que a Marvel tem a vantagem de que as tensões Rogers-Stark foram construídas em outros filmes, mas a DC quis atropelar tudo e acabou fazendo um conflito que não convence.

    Sobre o conflito ser “em torno do Bucky”, acho que foi super válido. Apesar de todo mundo chamar o filme de “Guerra Civil”, não vamos esquecer que ele está dentro da franquia “Capitão América”, então faz sentido que o Bucky tenha um papel importante, visto a relevância dele nos último filme.

    Sobre as mulheres e os negros, concordo que eles não tem tanto protagonismo quanto os homens brancos héteros cis. Mas eu não fico com raiva do filme, do diretor ou os executivos da Marvel. Vamos lembrar que, querendo ou não, esses personagens foram todos criados na década de 40, 50, 60, quando o mundo era infinitamente mais conservador que hoje. Querendo ou não, eles estão presos a esse passado. Apesar disso, vejo que eles estão “tentando” reverter isso. Nos Vingadores do primeiro filme não tinha nenhum negro, e nesse filme vemos 3. Quanto ás mulheres, antes era só a Viúva (sexualizada) e agora vemos 3 mulheres relevantes, além de que eu não senti que elas foram sexualizadas em momento algum desse filme (mas sou homem, posso estar errado). Também vamos lembrar que a Marvel já confirmou o filme da Capitã Marvel. Claro que essa representatividade não é ideal, mas dá pra ver que vem melhorando com o tempo.

    Também achei que as mulheres e os negros foram relevantes sim na trama principal. O Pantera foi um dos destaques do filme (inclusive com a cena final), aquele cara que usa a armadura, que cai e se machuca (não sei o nome haha) é importante na narrativa (ainda mais se vc leu as HQs e sabe a referência que esse momento da batalha faz). As mulheres também, porque a Wanda é a principal causadora do estrago que é destacado no começo do filme, além de termos a Sharon como agente dupla (eles conseguiram muita coisa fácil por causa disso) e a Viúva mudando de lado.

    Sei lá, achei que o filme cumpriu o que pretende. Foi sim um espetáculo de luzes e cores pra quem só quer ver isso, mas também complementa o MCU e dá pros fãs (que leram a HQ e, por isso, tem uma leitura mais profunda) uma adaptação boa que colocou em 2 horas de filme uma saga inteira.

  • Hello, mana DC fan!

    Já vou começar parabenizando pela crítica, mas também discordando. Quando você diz que o Steve Rogers aparece com aquele discurso cansativo, na verdade ele usa isso como uma desculpa. Seu objetivo principal é o de ajudar o amigo. Ele está totalmente movido pelo seu interesse pessoal. Tanto que o discurso chave do Capitão América na HQ foi dado para a Sharon Carter. Ele está fazendo o que acha que é certo, mas bem distante da imagem do protetor do sonho americano “branco, sarado, bonzinho e justo”.

    Também não acho que o problema de Batman V Superman foi não ter 10 filmes para desenvolver os personagens, foi roteiro ruim mesmo. Mulher Maravilha não teve 10 minutos e todo mundo amou. rs

    Por fim, acho bem injusto dizer que a fórmula da Marvel está batida, principalmente por ainda estar faturando muito e arrancando elogios. Acho que o excesso é prejudicial, mas não existiram excessos em Guerra Civil – existiram em Ultron, mas já é outra história. Imagino que já prevendo um cansaço comum para quem já está pensando em lançar o décimo terceiro filme, a introdução da fase 4 surgirá exatamente para sanar esse problema. Assim como Soldado Invernal, Guerra Civil extrapola o padrão e entrega tudo na medida certa. Comédia, ação… É aquele negócio: como você vai incluir o Homem Formiga, o Homem Aranha e não cair matando nas piadas? Seria surreal.