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Crítica|Game of Thrones 6.01 – The Red Woman (Season Premiere)

Será que Game of Thrones está entrando em sua reta final?

Seis anos de vida, essa é a marca que Game of Thrones irá cruzar quando terminar sua sexta temporada, lá no final de junho. A grande pergunta, porém, permanece a mesma desde o nono episódio do ano de estreia da série: Para onde estamos indo? Por ter menos episódios, ser menos centralizada e ter muita história para contar, é natural que existam mais perguntas do que respostas. A quantidade de indagações permanece alta, mas uma preocupação em começar a desenhar conclusões já está mais forte, também. Muitos personagens mudaram, outros tantos morreram, e o desejo central permanece o mesmo, viver para ver um novo dia. Com mais uma season premiere repleta de sangue, assassinatos e conspirações, Game of Thrones aparenta iniciar o desenho de seus últimos anos no ar.

Começamos tudo exatamente onde paramos na temporada anterior, com Jon Snow agonizando no chão coberto de neve do Castelo Negro. Muito se especulou a respeito de sua morte e se ela realmente seria concluída neste retorno. Como já mencionado antes, Game of Thrones não é uma série de respostas, ou sobre elas, mas sim perguntas e principalmente, fé. Ainda existem elementos complexos que barram qualquer senso de fim para os personagens que ainda estão em exibição, ou conectados diretamente a magia. Melissandre, a mulher vermelha, sempre manteve uma conexão com o misterioso. A revelação de que ela havia visto nas chamas a imagem de Jon Snow batalhando em Winterfell é um indicador forte de que o personagem ainda não encontrou seu fim. É só lembrar de Thoros de Myr e Beric Dondarrion, tanto o sacerdote vermelho quanto o nobre desafiaram a morte em um período em que a própria magia da série ainda estava florescendo. Não existem conclusões, não por enquanto.

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Falando na mulher vermelha, a revelação da idade verdadeira de Melissandre aparece após um momento extremamente poético para a personagem. Sempre dotada de charme e mistério, o maior atributo daquela mulher não foi sua beleza, mas sim a própria fé. Guiada pela luz e pelo fogo de R’hollor a sua queda estava telegrafada pelo roteiro desde que confessou, em Mother’s Mercy, estar sentindo frio. Lentamente o trabalho de destruição de sua fé aprofundou sua característica mais terrível: o obscuro. Nunca soubemos realmente do que Melisandre era capaz, não até vê-la oferecendo uma criança para as chamas de seu deus, a mesma divindade que a abandonou e a fez perder o seu rei. O frio, sua aparência verdadeira, despida, é uma mensagem que demonstra exatamente o que aquela personagem está passando e como ela está questionando a sua principal arma, a fé. Melissandre sem sua crença é uma senhora nua, fraca, dependente de um cobertor e sem fogo. 

A morte de Myrcella, assim como o período em que esteve presa transformaram, pelo menos superficialmente, a personalidade de Cersei. Sua fala reconhecendo sua posição como uma pessoa má é um avanço muito grande para a personagem. Também é de grande entendimento perceber que tanto ela quanto Jaime deram grandiosas voltas ao redor do perigoso jogo dos tronos. Lentamente Jaime ganhou simpatia dos telespectadores. Ainda acho inadmissível que sua estrada rumo a redenção tenha sido maculada pelo estupro da própria irmã, mas analisando pela ótica apresentada neste episódio, é praticamente uma reaproximação de sua personalidade apresentada no começo da série: um homem incompreendido e que prefere se render às expectativas que o mundo tem para ele, do que realmente mostrar  sua verdadeira face.

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Toda a jornada de Daenerys foi regada por um crescimento gigantesco. A personagem que começou sua história como uma menina, hoje é uma mulher corajosa. Sua posição como líder já é bem mais compreensível em The Red Woman do que boa parte da sua escalada tortuosa rumo a Mereen, no passado. Suas cenas também serviram para mostrar que os criadores da série, David Benioff e D.B. Weiss, compreendem um pouco das reclamações que foram feitas no passado quanto a misoginia do texto apresentado. Também é da dupla de executivos o roteiro deste primeiro episódio da temporada. Mesmo que no final o pensamento dos dothraki ainda tenha sido de extremo mau gosto, é uma maneira sutil de demonstrar um reconhecimento e fazer graça em cima do assunto. Resta saber se a pequena mudança, ao colocar a viúva de um Khal como intocável, permanecerá por mais tempo ou será quebrada quando o fator choque precisar ser inserido, como sempre com uma violência sexual em cima de uma mulher.

Por falar em mulher, neste caso no plural, mulheres, temos Sansa e Brinne se encontrando novamente. É válido notar que a temporada começa procurando encontrar maneiras de finalmente entregar algumas possíveis conclusões para suas personagens. Sansa ainda está distante daquilo que muitos esperam que a herdeira de Winterfell atinja, a força e independência. Contudo ao ter sua história cruzando a de Theon, Brienne e Podrick, a série já consegue dar um direcionamento mais objetivo. Não estamos mais apenas acompanhando o mundo ruir enquanto Sansa Stark tenta manter-se viva. A partir de agora poderemos ter um escopo maior para analisar a personagem, que passará a demonstrar sua posição como líder. Vê-la assumindo uma cavalheira para si já desenha maior complexidade futura, bem mais do que apenas tê-la confabulando para não permanecer refém de um homem louco.

O retorno de Arya e sua posição também oferecem um pouco mais de avanço e quem sabe, no futuro, respostas. Por enquanto não sabemos o motivo de sua cegueira, qual a sua missão, ou qualquer outra informação relevante sobre o templo do deus de muitas faces. O que entendo é que a personagem está sendo treinada para algo maior. A série falha ao não conseguir responder perguntas, mas é bem sucedida ao segurar o telespectador utilizando como artifício a antecipação, novamente um padrão usado exaustivamente pela equipe criativa. Porém, nem ao menos consigo reclamar desta artimanha, afinal, continuo voltando com cada vez mais sede o pote. E com um belo retorno, bem mais centralizado e menos escandaloso, voltamos ao mundo de dragões, reis, rainhas e o sangue de Game of Thrones.

Observações e detalhes dos livros

– Dorne vai ter um trabalho bom com seu funeral: Príncipe Doran, Areo Hotah, e Príncipe Trystane.

– Já haviam alguns detalhes nos livros indicando a idade avançada de Melissandre. Em determinado momento é mencionado seu conhecido de coisas que já aconteceram “há muito tempo”, além de características obtusas, como não comer e dormir.

– Miranda já pode entrar no pódio de coadjuvante com mais história em Game of Thrones.

– Por falar no núcleo Bolton, é notável a falta de assunto para ambos os personagens. Não os vejo segurando a trama sem a ajuda de outros personagens mais relevantes.

– Já queimaram a frota de navios de Mereen. Ou seja, ninguém tem a opção de sair de lá, não importa o pandemônio.

Será que Game of Thrones está entrando em sua reta final? Seis anos de vida, essa é a marca que Game of Thrones irá cruzar quando terminar sua sexta temporada, lá no final de junho. A grande pergunta, porém, permanece a mesma desde o nono episódio do ano de estreia da série: Para onde estamos indo? Por ter menos episódios, ser menos centralizada e ter muita história para contar, é natural que existam mais perguntas do que respostas. A quantidade de indagações permanece alta, mas uma preocupação em começar a desenhar conclusões já está mais forte, também. Muitos personagens mudaram,…

Game of Thrones

The Red Woman

Nota

Mais perguntas são levantadas e poucas respostas dadas no retorno de Game of Thrones. Porém, já começam os desenhos para o final da série.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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  • yuri

    Quero te parabenizar menino, uma das melhores criticas de GoT que eu já li, “O frio, sua aparência verdadeira, despida, é uma mensagem que demonstra exatamente o que aquela personagem está passando e como ela está questionando a sua principal arma, a fé. Melissandre sem sua crença é uma senhora nua, fraca, dependente de um cobertor e sem fogo.” até arrepiei

    Fiquei muito triste com o núcleo Martell, é uma das casas com os personagens mais inteligentes da saga, com um senso de lealdade e justiça muito grande, o que a série fez com essa casa (uma das 9 grandes casas) é lamentável.

    Jamais que bastardas matariam seus senhores e tentariam um golpe, casa nenhuma apoiaria elas. As serpentes matarem o tio e o primo foi a maior cagada,esse núcleo teve tanto furo de roteiro mano. Elas tavam putas porque Doran não vingava a família e vão lá e MATAM A FAMÍLIA, q porra é essa, agradecendo a todos os deuses que Arianne não foi colocada nessa bosta.

    O que foi a cena da Brienne fazendo juramento a Sansa, veio Cat tudo na minha cabeça, uma das cenas mais lindas de GoT.

    • Valeu pelo comentário, Yuri. Infelizmente o núcleo Martell não deve sair do que já foi apresentado, o que é uma pena.