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Crítica|Game of Thrones 6.02 – Home

Respostas e desfechos inquietantes continuam a impulsionar a trama de Game of Thrones.

Após seis anos e muitas mortes, Game of Thrones toca em um assunto delicado, ‘Home’. Anualmente acompanhamos as aventuras de personagens que tem, em seu cerne, a defesa de sua casa. Baratheon, Lannister, Stark, Greyjoy, Targaryen, são vários os nomes, mas que significam muito mais do que apenas nomenclaturas, são vidas, histórias e legados. Dificilmente você encontrará um personagem dentro de Westeros, alguns até fora, que não se apoiem unicamente em suas casas para ditar o rumo de suas ações. Só que ninguém ali está realmente em casa, mesmo quando o local onde estão é considerado por muitos o seu lar. Tudo é transição e a grande missão, dentro da série e para o conjunto de personagens, é a procura por este espaço conhecido como casa.

“É lindo debaixo do oceano; mas se você ficar lá por muito tempo, irá se afogar”

E é através da temática ao redor da noção do lar que Game of Thrones pega os mais diversos núcleos de personagens e os coloca para confrontar a principal ideia que o seriado já plantou: o pertencimento. Pertencer a algum lugar é o desejo primordial de todos estes homens, mulheres e crianças. É estar em uma posição de estabilidade, em que não apenas sua presença é necessária, mas desejada.

Começamos então com o núcleo Bolton, mencionado na crítica anterior como o ponto mais fraco dentro da tapeçaria que está sendo desenhada para a sexta temporada da série. Por isso não é segredo nenhum que o grande motor de transformação para aquela parte da história veio através de uma traição e do assassinato de uma mulher com o seu filho recém-nascido. Ramsay nunca foi um farol de estabilidade. Tê-lo, contudo, matando o próprio pai, é uma linha que já estava desenhada, mas que eu não esperava tão cedo. E é exatamente por não esperar, que tudo se tornou bem mais interessante. Torno a repetir, este não é um núcleo interessante sozinho, Ramsay tira sua força odiosa quando interage com personagens “inocentes”. Vê-lo tentando comandar a própria casa, compreender a sua noção de pertencimento agora que nada o retira da posição de Senhor, será sim interessante, mas ainda dependerá de algum envolvimento com outros mais relevantes para a história. Neste caso Sansa, Brinne e Podrick.

GOT 04

Quem também sempre quis estar em algum lugar, mas nunca encontrou o que procurava, é Theon. Diferente de outros personagens ele pertenceu a casa Stark, mas nunca aceitou aquela condição, especialmente por causa de sua ambição em assumir o trono das Ilhas de Ferro e também ser considerado um Senhor. Assim como a história de Ramsay, Theon precisa voltar para Pyke. Por ser um personagem com maior bagagem disponível, a sua presença agirá como agente transformador para aquela porção de marinheiros, moldando-os em algo mais próximo do telespectador. 

Juntá-lo a irmã, aproximando-o da casa e da busca derradeira por um lar, com certeza transformará a história já abarrotada da série em algo mais íntimo. A morte de Balon traz para Game of Thrones um problema que precisa ser lidado. Aquela casa é parte essencial da história de George R.R. Martin, e apesar de estarmos lidando com uma adaptação, a mera introdução de Asha no passado já torna uma obrigatoriedade lidar com o desenrolar daquele ponto em específico. 

Também vale mencionar que a política das Ilhas de Ferro desempenhará um papel importante na condução de Pyke, por menos interessante que isso possa se tornar.  Tudo dependerá de como os roteiristas e produtores escolherão lidar com a relevância de debates e nomeação de sucessores. Na altura do campeonato o texto deverá ser muito bem conectado com o que já está acontecendo, para ter um valor especial dentro da mitologia. Quem aqui está disposto a deixar de ter cenas chave com outros personagens para explorar os Greyjoy? Ninguém. 

GOT 03

Finalmente começamos a explorar mais do ponto de vista do Bran. Mesmo nos livros a história do jovem Stark é extremamente pobre, mas falo isso em sentido de tempo dedicado e não de possibilidades, que fique claro. Brandon possui um dom muito útil para a própria série, que sempre deixou de exibir determinados pontos chave e que agora poderá fazê-lo sem medo. Ter alguém dentro de uma produção com a habilidade de rever fatos é o sonho de qualquer showrunner. Em se tratando de uma fantasia épica medieval, apenas a magia atende a solicitação sem deixar tudo confuso. 

Todo o conceito de ‘Casa’ empregado dentro do episódio fica bem mais claro quando olhamos a história de Bran. Ele é quem mais está longe de casa, ao lado de Daenerys, mas também é o que está mais próximo. Diferente da herdeira da casa Targaryen, Bran não aspira o trono, muito menos o controle da casa Stark. A única coisa que ele quer é se sentir importante, parte de alguma coisa. Quando o pensamento do rapaz é voltado para a compreensão do que significa o lar, ele se sente confortável assistindo o passado do pai, tio e tia. Mas novamente, ele não está ali. E é exatamente com Bran que conheceremos mais deste mesmo padrão que deverá permear toda a sexta temporada. 

A oportunidade também aparece em momento oportuno, afinal, como já dito antes, este é um ano de respostas. Poder revisitar o passado, conectar Bran a história que já foi, agrega um senso de definição bem maior. Qualquer ponto que o roteiro, ou os próprios livros neglicenciaram no passado, poderá agora ser exposto de uma maneira muito útil. É a chance de rever Ned Stark com o rosto de Sean Bean, de compreender mais da história daquela casa e de vários outros personagens ligados diretamente a história de Westeros, enfim, de finalmente amarrar pontas soltas. 

jon-snow-lives

E para finalizar, não poderia deixar de comentar a respeito do tema mais aguardado, mais até que o retorno de Daenerys: #JonSnowLives. A ressurreição de Jon Snow continua uma história de fé e transformação, especialmente para Davos e Melisandre. É uma alegoria muito interessante de ter ali, na muralha. Aquele local é a principal ponte entre o mundo novo e o esquecido, literalmente separados por uma parede intransponível. Também é daquele ponto que parte o núcleo que mais teve comprovações do misterioso e inimaginável, misturados com zumbis e sangue, a comprovação final do que é real e sentido na pele. Não é a toa que um gigante esmurra o portão e invade o local para resgatar o corpo do Senhor Comandante. O misto de fantástico e real nasceu para nós a partir da muralha. Assim como a primeira cena com um caminhante branco, não se esqueça. 

Porém o que é mais interessante de notar nesta história de homens e mulheres crentes em algo intocável, mas perceptível, é que a posição de fé foi completamente trocada. Não é Melisandre quem traz Jon Snow de volta a vida, é Davos. Não é a fé destruída da sacerdotisa vermelha, cada vez mais abatida, mas sim o surgimento da crença de Davos em um deus que ele nem ao menos conhece, mas já compreende o poder. Quem está por último e quem por último sai de dentro da sala, ainda agarrado a esperança de um milagre, é o ex-contrabandista, o homem que adquiriu sua fé através da experiência. Seu discurso ao tentar convencer a ‘mulher vermelha’ a pelo menos tentar, é na verdade uma confissão de aceitação. Aquela é sua transformação final, ainda apegado ao que consegue ver, mas totalmente disposto a se movimentar em direção ao invisível. E não é isso o que Melisandre sempre pontuou como parte chave para a compreensão de seu deus? Uma pena que ela parece ter se esquecido. 

Só que também não podemos nos enganar. Game of Thrones não é uma série sobre finais felizes. Ela é sobre caminhos tortuosos e muito sofrimento. Lá na terceira temporada fomos apresentados a um personagem que também voltou dos mortos, graças ao poder de R’hllor. Beric Dondarrion foi trazido de volta 5 vezes, e quando Arya questiona o nobre, pedindo que ele trouxesse também o seu pai , é feita uma advertência: Parte de quem você é fica perdida do outro lado. E cada vez que você volta, mais distante daquilo que foi, você ficará. Ainda é cedo para imaginar o impacto negativo em Jon Snow, especialmente porque a série não possui tanto tempo assim, muito menos agora que já estamos próximos do final. Só que algum preço será cobrado. A fé no mundo de Game of Thrones demanda muito mais do que orações, Melisandre é a prova viva. 

E é assim que termina o segundo episódio da sexta temporada da série, respondendo e tapando buracos que os fãs já não aguentavam mais teorizar. Ainda existem outros tópicos que demandam respostas imediatas, ou pelo menos a preocupação de um desenho mais nítido. A série já começa, através de rumores, a pontuar o seu caminho final. Por isso a inclusão de novas tramas, como a da família Greyjoy, demonstram um grave perigo que precisa ser evitado, para não terminarmos com outra casa Martell nas mãos. Este não é mais o momento indicado para começar algo do zero, e apesar da trama de Theon não ser nenhuma novidade, a das Ilhas de Ferro, de tão relegada, já é praticamente uma nova abordagem. No final a temporada permanece bem forte e apesar de termos apenas dois episódios para comparar, me sinto confiante de que a produção aprendeu com os erros cometidos no passado e está disposta a trabalhar exatamente o que a faz forte: a sua ousadia. 

Observações e conexões com os livros

– Quem viu a jovem Lyanna Stark ali com certeza fez uma conexão com a teoria mais difundida no meio dos aficionados por Game of Thrones. L + R = J. E imagino que essa parcela de fãs com certeza caiu do sofá quando a prometida de Robert Baratheon apareceu galopando entre os irmãos, Benjen e Ned.

– Vale dizer que nos livros o Bran só consegue enxergar lugares em que as chamadas ‘Árvore Coração’ estão posicionadas.

– O Kingsmoot é uma espécie de assembleia que decide o governante das Ilhas de Ferro. Nos livros Theon ainda está preso ao domínio de Ramsay durante o Kingsmoot. Imagino que na série ele chegará a tempo para criar um pouco de tumulto.

– Também é em Dança dos Dragões, após os eventos do Kingsmoot, que a história de Pyke começa a se entrelaçar a de Mereen.

– Apesar de bem curta, a trama de Mereen já demonstra que a única preocupação é com os personagens e não a cidade. Ninguém está dando a mínima para a situação dos escravos, não quando os dragões estão agindo como crianças e se recusando a comer. Mas não importa. Enquanto tivermos Peter Dinklage lá, interagindo com o ‘Aranha’, as coisas continuarão válidas. Principalmente após a emotiva cena sobre dragões em que o ator demonstrou (mais uma vez) seu poder ao interagir com o ar. 

Respostas e desfechos inquietantes continuam a impulsionar a trama de Game of Thrones. Após seis anos e muitas mortes, Game of Thrones toca em um assunto delicado, ‘Home’. Anualmente acompanhamos as aventuras de personagens que tem, em seu cerne, a defesa de sua casa. Baratheon, Lannister, Stark, Greyjoy, Targaryen, são vários os nomes, mas que significam muito mais do que apenas nomenclaturas, são vidas, histórias e legados. Dificilmente você encontrará um personagem dentro de Westeros, alguns até fora, que não se apoiem unicamente em suas casas para ditar o rumo de suas ações. Só que ninguém ali está realmente em…

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Nota

Muitas reviravoltas e surpresas ditam o ritmo da bem conduzida sexta temporada da série. Porém a adição de mais uma trama significa tempo perdido para uma produção que não dispõe de muito para gastar levianamente.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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  • IvanBN

    Não sei o que eu mais gosto, suas críticas a RuPauls ou GoT. Parabéns!

  • yuri

    As melhores criticas de GoT são desse site cara.

    Estou bastante ansioso para ver a batalha dos nortenhos, só de saber que Sansa vai interagir com Jon (mesmo sendo o irmão menos querido), se ela já se emociona só ouvindo falar da Arya imagina quando ela ver o Jon, outro Stark de Winterfell.

    Se eu chorei quando vi Lyanna? MUITO

    • Fiquei muito feliz quando vi a Lyanna. Eu já esperava isso, mas nos livros. Pensei que a série fosse segurar essa informação por quanto tempo pudessem. Valeu pelo comentário, Yuri.