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Crítica|X-Men: Apocalipse

As HQs de X-Men são uma montanha russa, com altos e baixos. Já os filmes, também.

Se hoje temos Batman saindo na porrada com Superman nas telonas e 12 heróis em Capitão América: Guerra Civil quebrando recordes de bilheterias, é porque lá nos anos 2000, Bryan Singer trouxe os mutantes para as telonas, abrindo as portas para grandes produções de super-heróis. Hoje em dia, muita gente torce o nariz para X-Men – O Fime, mas foi este filme que permitiu o momento que vivemos hoje.

X-Men tem uma força imensa dentro das minorias oprimidas, especialmente entre nós, LGBTs. O próprio diretor, Bryan Singer, já revelou em entrevistas que escolheu adaptar X-Men para os cinemas, pois estes retratavam uma temática conhecida na vida dele (pra quem não sabe, Singer é homossexual). E posso dizer que comigo não é diferente. Se descobrir diferente da grande maioria e ter que muitas vezes escolher esconder algo seu que é inato, faz com que nos identifiquemos instantaneamente com os mutantes criados por Stan Lee.

Mas vamos ao filme.

Como já dissemos AQUI  no blog, Dias de Um Futuro Esquecido veio para “encerrar” a franquia antiga e reiniciar a história dos mutantes com uma cronologia organizada nova. E X-Men: Apocalipse prova exatamente isso. A história deste filme remete a linha cronológica de X-Men: Primeira Classe e assim “apagando” tudo que ocorreu na trilogia antiga dos mutantes.

Não é preciso dizer que para compreender alguns acontecimentos deste filme, é necessário ter visto os últimos dois, né? Mas acabei de dizer.

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Quem viu a cena pós créditos de X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido, se lembra de En Sabah Nur no Egito Antigo sendo reverenciado e construindo uma pirâmide. Em X-Men: Apocalipse, partimos deste ponto, mostrando porque o mutante mais antigo conhecido não havia dado as caras até agora.

A cena no Egito Antigo é surpreendente, já deixando claro para os desavisados que o filme é pra gente grande, sem muitas explicações.

Após os acontecimentos em Washington D.C., em Dias de Um Futuro Esquecido, Magneto se tornou um procurado internacionalmente e Mística uma heroína para a maioria dos mutantes. Enquanto isso, Charles Xavier finalmente se tornou o tutor dos jovens bem superdotados em sua escola.

Somos então apresentados aos mutantes adolescentes: Jean Grey, Scott Summers, Kurt Wagner e Ororo Munroe. Os mutantes já conhecidos pelos fãs das HQs aqui são jovens que ainda não controlam e não conhecem a extensão de seus poderes. Isso é algo interessante nesta nova franquia, pois vamos conhecendo como cada personagem vai se adaptando conforme descobre como utilizar seus dons.

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O elenco é uma força considerável dentro do filme. Temos grandes nomes, com trabalhos respeitados fora da franquia X-Men, e que funcionam perfeitamente juntos. Praticamente ninguém, mesmo os novatos, é ofuscado durante a história, fazendo com que você tenha seu personagem favorito, mas sem deixar de torcer para os outros integrantes do time.

Os efeitos especiais são grandiosos, mas excessivos em alguns momentos. Mas é um filme baseado em superheróis, então isso é perdoável. Além disso, o filme traz cenas de ações empolgantes, especialmente na luta entre os X-Men e os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.

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Mesmo com todas as críticas ao visual de Apocalipse, Oscar “Poe” Isaac entrega um vilão convincente. Sua destruição em escala global mostra a extensão do poder do mutante mais antigo e poderoso do universo X. Para quem leu os arcos dos quadrinhos em que Apocalipse deu as caras, já sabe que o personagem não é um antagonista que surpreenda, por isso o que vemos no filme é digno.

Algo muito interessante do filme é a explicação dos poderes de Apocalipse. Se nas HQs temos um ser que parece um ciborgue, no filme vemos um mutante mais próximo da realidade e com uma mutação que justifica seu imenso poder.

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Jennifer Lawrence continua no papel da vilã Mística, que não é vilã. A tentativa de tornar a transmorfa em um X-Men continua estranha aos meus olhos. O motivo para deixar a atriz queridinha do lado dos mocinhos se torna cada vez mais forçada, seja pelo histórico da personagem nos quadrinhos, seja pelas limitações dos poderes da mutante no universo cinematográfico. Fica óbvio que o contrato da Fox com Jen Law para o papel de Mística (feito antes do sucesso de Jogos Vorazes) foi decisivo para a mudança nos rumos da personagem.

A história mais marcante do filme é, sem dúvida, de Erik Magnus (Michael Fassbender). Vemos como Magneto tenta se adaptar a humanidade, da forma que Charles sempre pediu, porém vemos como em um piscar de olhos tudo pode ser destruído. A dor da perda dos pais no campo de concentração nazista é revivida e podemos entender perfeitamente o porquê do ódio pelos humanos ser tão enraizado em Erik. Se Ian McKellen já havia tornado o mestre do magnetismo carismático, Michael Fassbender transforma o antagonista em um personagem com causas mais justificáveis e palpáveis, que se torna impossível não torcer para ele.

Se reclamamos da falta de protagonismo feminino nos filmes da DC e da Marvel, a Fox em X-Men: Apocalipse dá uma lição às suas concorrentes. Temos a poderosa Tempestade (Alexandra Shipp) soltando raios em cima de todo mundo, Jean “Sansa” Grey (Sophie Turner) como a jovem Garota Marvel, Raven (Jennifer Lawrence) como a “heroína” Mística treinando os jovens mutantes e, minha preferida, Psylocke (Olivia Munn) dominando a porra toda. Além delas, temos a humana Moira (Rose Byrne) retornando ao papel da agente da CIA, de Primeira Classe.

Pietro (Evan Peters), que já havia roubado a cena em Primeira Classe, protagoniza a cena mais divertida (apesar de parecer um repeteco) do filme, mostrando que o Mercúrio dos X-Men é bem mais legal do que o Mercúrio dos Vingadores.

As Marvetes reclamaram da trama densa em Batman Vs Superman, já as DCnetes acharam ruim a história rasa de Capitão América: Guerra Civil. Em X-Men: Apocalipse (talvez devido a experiência de erros e acertos de Bryan Singer) temos um filme na medida, onde não nos sentimos entediados com uma atmosfera sombria demais, e nem menosprezados com piadinhas o tempo todo.

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O filme tem uma avalanche de fanservices, tanto para os fãs dos quadrinhos e quanto para os fãs do universo cinematográfico que comentarei mais abaixo.

Arrisco dizer que o bom resultado do filme é graças aos erros que Bryan Singer cometeu em alguns filmes anteriores. O diretor parece ter ouvido as críticas dos fãs (twitter e instagram servem pra isso, monamu) e também aprendeu com os erros e acertos de Marvel e DC, transformando o filme em quase uma HQ clássica dos X-Men.

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Spoilers [Não Assistiu ou Não quer saber? Pare por aqui]

O filme traz o vilão Apocalipse, mas não é baseado em nenhuma HQ dos X-Men. A saga mais conhecida com o vilão é A Era do Apocalipse que se passa em um futuro alternativo, onde Charles Xavier morreu e Magneto é o líder dos X-Men.

APOCALIPSE

Wolverine aparece no filme. Bom, não é o Wolverine, mas sim o Logan como Arma X. Este é o penúltimo filme de Hugh Jackman na pele do Mutante.

ARMAX

No filme vemos os uniformes dos anos 90 que tornaram os mutantes famosos na melhor animação dos X-Men, que inspirou inclusive as HQs posteriormente.

ANOS90

Na cena pós créditos, podemos ver um agente retirando uma amostra de sangue de Wolverine das instalações de Striker. Na maleta está gravado Essex Corporation. Essex é o sobrenome de Nathaniel Essex, o Sr. Sinistro. Sr. Sinistro é um mutante que realizou vários experimentos em si mesmo, na tentativa de curar sua mulher. Ele se torna um dos principais servos de Apocalipse nos quadrinhos.

SINISTRO

Na batalha final, vemos Jean atingir o ápice de seus poderes, que nos remete a Fênix. Nos quadrinhos, a Fênix é uma entidade cósmica que se apodera de Jean Grey, ampliando e dando novos poderes para a ruiva.

FENIX

Quando Noturno, Ciclope, Jean Grey e Jubileu estão saindo do cinema após ver a continuação de um fime, Jean solta uma frase do tipo: “Você sabe que o terceiro filme sempre é o pior”. Sim, Jean, nós sabemos.

No início da história vemos que Erik tem uma filha, Nina, que aparente também ser mutante. Nas HQs, existe uma criança mutante com o mesmo nome, telepata, com o mesmo nível de poder de Charles Xavier, tanto que o Cérebro (quando toma vida própria e se torna lunático) confunde Nina e o Professor X.

NINA

Após a tentativa de “transferência de mente” de Apocalipse para Charles Xavier, percebemos que ambos ficam conectados e realizam um combate mental. Nas HQs, Charles Xavier fez algo parecido para desativar a mente de Magneto, e sua a parte “mais maligna” de Erik ficou plantada na mente do Professor X. Anos depois, essa parte maligna tomou conta do Professor, que se transformou em Massacre. Será que veremos isso nos cinemas?

MASSACRE

Finamente temos Professor X careca!

Pietro participa de toda a trama em X-Men: Apocalipse, porém sua irmã gêmea, Wanda não é nem ao menos citada. Aparentemente fica a teoria de que a Fox e a Marvel fizeram um acordo em relação aos irmãos Vingadores mutantes. A Casa das Ideias ficou com a Feiticeira Escarlate e 20th Century Fox ficou com o velocista? Será que por isso o Pietro da Marvel (Aaron Johnson) foi morto em Vingadores – A era de Ultron?

WANDA

Jubileu fez menos no filme do que nas animações.

JUBILEU

Faltou Blink. Espero que ela seja integrada a franquia dos atuais X-Men.

BLINK
E você? Já viu X-Men: Apocalipse? O que achou? Viu algum easter egg que não comentamos aqui? Deixe nos comentários!

Mutant, Nerd, Gay & Proud!

As HQs de X-Men são uma montanha russa, com altos e baixos. Já os filmes, também. Se hoje temos Batman saindo na porrada com Superman nas telonas e 12 heróis em Capitão América: Guerra Civil quebrando recordes de bilheterias, é porque lá nos anos 2000, Bryan Singer trouxe os mutantes para as telonas, abrindo as portas para grandes produções de super-heróis. Hoje em dia, muita gente torce o nariz para X-Men – O Fime, mas foi este filme que permitiu o momento que vivemos hoje. X-Men tem uma força imensa dentro das minorias oprimidas, especialmente entre nós, LGBTs. O próprio…

X-Men: Apocalipse

Filme

Nota

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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  • Gregory

    SPOILER

    Um Easter Egg que vocês não falaram:
    Quando Charles e Alex vão se encontrar com Moira, Charles repara que ela tem um filho. Nas HQs, Moira tem um filho, que é o mutante conhecido como Proteus. Ele é um vilão muito poderoso e o Bryan já afirmou que gostaria de adaptar o arco dele para os cinemas (Veja aqui: http://screenrant.com/x-men-movie-proteus-bryan-singer/)

    • Michel Furquim

      Verdade, Gregory! Essa passou. Obrigado!

    • Gabriel D Martins

      Muito bem observado. Em nenhum site vi alguém citando este fato. Parabéns!