Crítica|4th Man Out

Um filme que tinha tudo para dar certo, se tivesse sido lançado nos anos 90.

No inicio da década de 90 existiram vários filmes a respeito da mais temida hora para qualquer adolescente ou adulto homossexual, o momento de sair do armário. Não quero ditar regras e dizer que a fórmula hoje já não funciona mais, mas a impressão de um material datado fica muito forte após a exibição de 4th Man Out.

Toda a premissa do filme gira ao redor do momento em que Adam (Evan Todd) decide sair do armário para seus amigos após uma bebedeira em comemoração aos seus 24 anos de idade. Seus três melhores camaradas, Chris (Parker Young), Nick (Chord Overstreet de Glee) e Ortu (Jon Gabrus) fazem parte de uma fraternidade de homens ao melhor/pior padrão heteronormativo de fanfarrões.

E o apelo que deveria ficar no crescimento emocional e na compreensão da sexualidade do amigo termina como um apanhado de reproduções do que é certo e o que é errado dentro da comunidade gay, através da ótica do padrão e do que está fora dele.

Qualquer tipo de discussão é deixada de lado, e muito machismo e misoginia são perpetuados durante as cenas iniciais. Toda e qualquer oportunidade de criar algo memorável com a dinâmica dos amigos caí por terra quando a proposta do roteiro é mostrar que você pode continuar usando gírias machistas e homofóbicas na frente do seu amigo gay, porque vocês sempre fizeram isso e se divertiram antes dele sair do armário. É quase um padrão g0y, com certos traços de desconstrução.

4th Man Out 01

Quando o suposto dono do filme assume a sua orientação para o melhor amigo e ele vomita, existe aí uma clara percepção do que o roteiro compreende como humor e o que claramente não tem graça nenhuma. Para ser exato apenas alguns momentos com a vizinha e o famigerado bolo de Ave Maria realmente descolam certo risinho amarelado.

Tudo fica consideravelmente pior quando analisamos a batida de encontros de Adam, que descobre a magia dos aplicativos de pegação aos 24 anos, mesmo já tendo se relacionado com homens antes e ter vivido no armário por tanto tempo. Somente o tipo afeminado é visto como o “errado”, exagerado, ao passo que o personagem que o protagonista melhor se identifica não é aquele que ele consegue algo, graças a um pum no momento errado.

Lá na frente e com nenhum tipo de desenvolvimento, Adam até encontra um cliente da oficina mecânica que ele trabalha, mas sua falta de habilidade no território do romance o deixa sem ter muito que falar. Neste ponto é compreensível, afinal estamos lidando com um homem sem qualquer tipo de habilidade na hora do flerte, e é um dos melhores momentos do filme, refletindo aquilo que vários rapazes homossexuais enfrentam um dia na vida: sentir-se atraído por um hétero.

E por falar em apaixonar-se por quem você não deveria, o grande ápice de 4th Man Out está no momento em que Adam quase beija o melhor amigo, deixando Chris completamente assustado e fazendo-o se lembrar de sua “namorada” e a teoria de que uma hora ou outra Adam tentaria, pelo menos, chupá-lo.

4th Man Out

Diferente da própria proposta do filme, o foco aqui não é no personagem principal, o recém-assumido Adam, mas sim na vida amorosa de seu melhor amigo, Chris. Ao contrário da ideia geral de que ser gay está ficando tão normal que seus melhores amigos não vão se importar, a não ser que você esteja a fim de um deles, o que temos é mais do relacionamento entre homem e mulher, com um leve aceno para o gay.

Talvez a grande proposta do filme dirigido por Andrew Nackman seja passar a ideia de que sair do armário hoje em dia não é tão traumático quanto lá no começo dos anos 90, mas o resultado é um grande silenciamento da vida de um jovem gay que age como um coadjuvante de luxo na história de amor do seu melhor amigo hétero. Sem deixar de mencionar o aspecto tradicionalista e conservador que reflete dentro da vida de Adam e no filme, que faz as pazes com Chris no feriado mais tradicional dos Estados Unidos, o 4 de julho.

Para quem quiser conferir, 4th Man Out, que é do ano de 2015, está disponível no catálogo da Netflix. Nós também analisamos outro filme do serviço de streaming e com temática LGBTQ, o Free Fall.

Um filme que tinha tudo para dar certo, se tivesse sido lançado nos anos 90. No inicio da década de 90 existiram vários filmes a respeito da mais temida hora para qualquer adolescente ou adulto homossexual, o momento de sair do armário. Não quero ditar regras e dizer que a fórmula hoje já não funciona mais, mas a impressão de um material datado fica muito forte após a exibição de 4th Man Out. Toda a premissa do filme gira ao redor do momento em que Adam (Evan Todd) decide sair do armário para seus amigos após uma bebedeira em comemoração…

4th Man Out

Filme

Nota

Um filme a respeito da sexualidade de um jovem gay, que foca no romance do seu melhor amigo hétero e o deixa praticamente no banco de reservas.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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