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Crítica|Animação – Batman: A Piada Mortal

Sempre que é anunciada uma adaptação de um clássico, sinto um misto de felicidade e temor, afinal obras que se tornaram tão importantes para o universo das HQs podem se tornar grandes fiascos nas mãos de pessoas pouco preparadas. Foi assim quando recebi a notícia de adaptação de Watchmen, V de Vingança e A Piada Mortal.

Pra quem não conhece, A Piada Mortal é uma graphic novel escrita pelo gênio Alan Moore e desenhada por Brian Bolland em 1988. Moore é responsável por algumas das HQs mais importantes conhecidas como os já citados V de Vingança e Watchmen, e também O Monstro do Pântano e Promethea. A graphic novel marcou época, pois trazia uma história sóbria, violenta, com uma versão para a origem do vilão mais icônico do universo DC. Mas a história também marcou uma mudança na vida da Batgirl que se estenderia até os dias de hoje.

Em julho de 2015, a DC anunciou na SDCC que faria uma adaptação animada para esta história clássica, deixando os fãs extasiados. Sabendo que este seria um arco difícil de ser apresentado nos cinemas ou em um seriado, e levando em consideração a qualidade das animações da Warner/DC, uma animação foi a melhor opção para A Piada Mortal.

A direção ficou a cargo de Sam Liu, que realizou trabalhos fantásticos como Superman/Batman: Inimigos Públicos, Liga da Justiça: Crise em Duas Terras e Liga da Justiça: Deuses e Monstros [HIPERLINK: ]. Para tornar o lançamento da animação algo ainda mais grandioso, a Warner trouxe de volta Mark Hamill (Luke Skywalker) como a voz do Coringa, Kevin Conroy como Batman e Tara Strong como Batgirl. O trio já havia dado vida às vozes destes personagens na série animada clássica dos anos 90, dirigida por Bruce Timm.

O roteiro teve o dedo de Brian Azzarelo (responsável pela Mulher-Maravilha dos Novos 52), que fez poucas alterações na trama, deixando bastante fiel a obra de Alan Moore. Batman e Batgirl lutam contra o crime organizado de Gotham, cada um por uma razão: o homem-morcego tentando trazer a punição para aqueles que desafiam as leis e Barbara Gordon tentando provar que consegue ser útil ao lado de seu mentor. Coringa foge do Arkham com o objetivo de provar que qualquer um pode sucumbir à loucura, após um “dia difícil”.

Uma das poucas mudanças que pode desagradar alguns fãs, mas que achei importante dentro da animação, é um maior espaço dado para a Batgirl. A filha do comissário Gordon possui uma história diferente da HQ, com uma cena polêmica com o Homem-Morcego. Porém, essa participação mais ampla e os conflitos em relação à função da Batgirl na luta contra o crime são importantes para desenvolver a personagem e tornar seu trágico futuro mais comovente.

Outra mudança realizada para a adaptação é uma cena musical do Coringa, que tenta transmitir um pouco mais de insanidade, porém que se torna algo fora do contexto e deixa o vilão menos aterrorizante.

A cena final entre Batman e Coringa, que se tornou um clássico e rodeado de teorias entre os fãs, perde um pouco do impacto que causou na graphic novel. A cena sequencial na HQ não possui uma conclusão, deixando para o leitor a função de “concluir” a história e decidir o que de fato aconteceu entre o palhaço e o morcego.

A animação possui uma qualidade já esperada, porém com pouca movimentação em cenas que não são de ação. Talvez pelo menor número de quadros por segundo, deixem a animação em alguns momentos com um ritmo lento. A adaptação acaba perdendo um pouco se comparada ao nível da arte do Brian Bolland.

Sabendo da extensão do sucesso desta obra, a Warner decidiu exibir esta semana em alguns cinemas do Brasil, que teve sessões esgotadas. Algo surpreendente se pensarmos que o lançamento foi simultâneo em DVD e Blu-Ray em algumas livrarias brasileiras (consequentemente, fácil de cair de graça na internet).

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O lançamento da animação, a exibição nos cinemas e o lançamento de uma nova versão encadernada da graphic novel (lançada pela Panini Comics acompanhada da HQ Coringa, de Brian Azzarello), acompanha a hype do lançamento do filme Esquadrão Suicida, marcado para 4 de Agosto, com Jared Leto no papel do palhaço psicótico.

A Piada Mortal é uma história com começo, meio e fim, funcionando como um episódio independente dentro do universo animado de Batman. A animação entrega de forma competente a adaptação de uma das melhores histórias já publicadas do Homem-Morcego.

TRAILER

 

Sempre que é anunciada uma adaptação de um clássico, sinto um misto de felicidade e temor, afinal obras que se tornaram tão importantes para o universo das HQs podem se tornar grandes fiascos nas mãos de pessoas pouco preparadas. Foi assim quando recebi a notícia de adaptação de Watchmen, V de Vingança e A Piada Mortal. Pra quem não conhece, A Piada Mortal é uma graphic novel escrita pelo gênio Alan Moore e desenhada por Brian Bolland em 1988. Moore é responsável por algumas das HQs mais importantes conhecidas como os já citados V de Vingança e Watchmen, e também O Monstro…

Batman: A Piada Mortal

Animação

Nota

A animação entrega de forma competente a adaptação de uma das melhores histórias já publicadas do Homem-Morcego.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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