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[Especial] Heróis Gays das HQs – Estrela Polar

Quando citamos personagem LGBTs das histórias em quadrinhos, Estrela Polar é sem dúvida um dos mais conhecidos entre os leitores.

Codinome: Estrela Polar

Nome: Jean-Paul Beaubier (Solteiro) / Jean-Paul Martin (Casado)

Nacionalidade: Canadá (Montreal)

Raça: Mutante

Poderes:

  • Super velocidade;

(Sua mutação permite canalizar energia cinética, movendo suas moléculas em alta velocidade, possibilitando assim voar, atingir altas velocidades, curar-se rapidamente. Com a super velocidade, a força de seus golpes acaba também sendo potencializada);

  • Emissão de um clarão de luz capaz de cegar temporariamente o adversário;

*Quando está junto da irmã, tem seus poderes amplificados;

História

Jean-Paul é um mutante do universo Marvel, irmão gêmeo de Jean-Marie (Aurora). Ele e sua irmã ficaram órfãos e foram separados ainda bebês. Jean-Paul acabou adotado por um parente de seu falecido pai e sua irmã foi encaminhada para um convento. O pai adotivo de Jean Paul, Martin, morre e assim o menino com 6 anos de idade acaba ficando sozinho – vivendo de pequenos furtos – até ser encaminhado para um orfanato.

Quando adolescente, ele fez parte de um grupo terrorista em Quebec, depois se mudou para França para trabalhar como acrobata e voltou para o Canadá para ser esquiador. Até este momento, os poderes de JP não haviam se manifestado.

Jean-Paul nunca foi um bom acrobata e nem um bom esquiador, porém as coisas mudaram quando seu gene mutante foi ativado. JP descobre que consegue se deslocar em uma velocidade sobre-humana e começa a utilizar seus poderes para trapacear nas competições de esqui, até se tornar campeão olímpico.

A utilização de seus poderes mutantes de forma pública atraiu as atenções do Departamento H – um setor do governo responsável por monitorar e controlar atividades envolvendo mutantes dentro das fronteiras do Canadá – liderado por James Macdonald Hudson (que no futuro saberemos ser o Guardião, personagem importante na história do Wolverine). Hudson estava recrutando mutantes para formar a Tropa Alfa (Alpha Flight, no original) e assim ajudar na defesa nacional.

JP foi recrutado e apresentado a uma jovem que possuía poderes semelhantes aos seus. Jean-Paul descobre então que a moça é sua irmã desaparecida, Jeanne-Marie, e assim decide participar da equipe para ficar próximo e proteger sua mana.

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Jean-Paul então assume o codinome Estrela Polar e sua irmã o codinome Aurora, e a primeira missão dos gêmeos ao lado da Tropa Alfa é enfrentar os X-Men para tentar trazer Logan para o Departamento H, porém não obtém sucesso.

A Tropa Alfa perde o financiamento e apoio do governo e com isso se reúnem apenas em casos de extrema necessidade. Desde sua aparição até aqui, a sexualidade e os relacionamentos de Estrela Polar não haviam sido mencionados em nenhum momento. John Byrne, seu criador, informou que Estrela Polar foi imaginado como gay desde o início (1979), porém sua sexualidade só seria explorada muitos anos mais tarde (1992).

Talvez o primeiro momento em que a homossexualidade de JP começa a ser especulada foi em uma missão onde a Tropa Alfa e os X-Men enfrentam juntos e derrotam Loki (irmão do Thor). Após a vitória, Vampira – em um período onde consegue controlar seus poderes – dá um beijo em Estrela Polar, algo que ele deixa bem claro não ter gostado.

Saindo do Armário

A maioria dos heróis gays das HQs tem sua sexualidade alterada após alguma mudança na história geral do personagem e/ou reestruturação em um universo paralelo. Foi assim com Alan Scott. Talvez um dos poucos em que isso não aconteceu foi o Estrela Polar.

Os fãs homofóbicos que acharam um absurdo quando tiraram o Homem de Gelo do armário, morreriam de cólicas se soubessem como foi a saída de armário do Estrela Polar. Nunca vi nenhum “nerd conservador” reclamando sobre este período em que JP assumiu sua sexualidade, talvez porque não conhecem muito sobre HQs.

Tudo começou, durante uma luta contra Mr. Hyde (um vilão meia-boca da Marvel, que inclusive já apareceu em Agents Of Shield). Estrela Polar é arremessado em um beco e lá encontra um bebê recém-nascido abandonado. JP leva o bebê para o hospital e depois de alguns exames, descobriu-se que a menina era portadora do vírus HIV. Jean-Paul adota a criança como sua filha e dá o nome de Joanne Beaubier. Infelizmente, devido às complicações de saúde, Joanne morre, deixando JP desolado.

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Estrela Polar então convoca uma coletiva de imprensa e decide promover a conscientização na prevenção ao HIV e a AIDS. Esta atitude enfureceu o herói canadense aposentado, Major Mapleleaf, que ataca Estrela Polar. Mapleleaf tinha um filho gay que havia morrido um ano antes por complicações causadas pela AIDS e acha que Jean-Paul poderia ter ajudado a salvar seu filho (desde a época em que era um atleta olímpico e quando se tornou famoso mundialmente), caso tivesse se assumido e se engajado na luta contra a AIDS bem antes.

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JP diz se me atacá eu vô atacá que Major não deveria culpá-lo, pois ele sabe muito bem as dificuldades que um gay enfrenta na vida. Jean-Paul derrota Major, mas termina o combate de forma amigável, decidindo por se assumir publicamente e usar sua visibilidade para lutar contra o preconceito e ajudar aqueles que não possuíam voz. Esta história foi publicada no início dos anos 90, numa época em que a AIDS ainda era uma doença sem tratamento e ainda considerada uma doença exclusiva dos gays.

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Desde então a homossexualidade do Estrela Polar nunca mais foi questionada. Mesmo no universo paralelo da Marvel, Terra 1610, onde alguns personagens tiveram suas histórias recontadas, Jean-Paul sempre participou das equipes mutantes como gay assumido e respeitado por todos os colegas.

Após se assumir gay, Jean-Paul foi acusado do assassinato de um jornalista que havia lhe provocado em algumas matérias nos jornais. Jean-Paul consegue provar sua inocência, mas teve que ficar de fora da Tropa Alfa por um período e Aurora estava desaparecida.

Depois de um período turbulento, Estrela Polar escreve um livro, chamado “Nasci Normal”. Jean Grey comparece à noite de autógrafos do lançamento do livro e convoca JP para que ajude os X-Men na luta contra Magneto em Genosha. Com o sucesso da missão, Jean-Paul se torna professor no Instituto Xavier e mentor de uma equipe de jovens alunos, chamada Esquadrão Alfa. Um dos membros desta equipe é o jovem Anole, que se identifica com Estrela Polar, pois também é mutante e gay.

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Em um arco onde a mente de Wolverine foi dominada pela Hidra, Jean-Paul e os outros X-Men enfrentam o baixinho de garras de adamantium. Porém, Estrela Polar é ferido e morre. Os alunos do Instituto sofrem muito com a morte de JP, especialmente Anole. Não é nenhuma surpresa para nós, gays, mas muitos leitores comemoraram a morte de Estrela Polar. Ainda é um paradoxo para mim, um homofóbico conseguir ler (e entender) os quadrinhos dos X-Men, algo a ser estudado.

Descobrimos posteriormente que a Hidra capturou o corpo de Estrela Polar e o revivem para utilizá-lo para o mal. Após uma lavagem cerebral, Jean-Paul e sua irmã atacam Anole, Vampira e Dentes de Sabre. Anole fica feliz em rever seu mestre, porém é fortemente golpeado e fica inconsciente.

Após ser derrotado por Cable e ter sua memória recuperada, Jean-Paul sai em busca de Anole, que não fazia mais parte do Instituto Xavier. Ele pede desculpas ao seu antigo aluno pelo período em que estava com lavagem cerebral, porém Anole não aceita as desculpas e agride o antigo mestre.

Neste período em que Jean-Paul fez parte dos X-Men, ele conhece o humano Kyle Jinadu. JP e Kyle mantém um namoro à distância entre uma missão e outra dos mutantes.

Relacionamentos

Quando Estrela Polar se tornou professor no Instituto Xavier, ele demonstrou um certo interesse pelo Homem de Gelo. Na época, as investidas de Jean-Paul não foram correspondidas por Bobby. Como já sabemos, tempos depois descobrimos que o Homem de Gelo também é gay. Parece que o radar de JP já havia detectado isso.

No universo paralelo, Marvel Ultimate, Estrela Polar também é gay assumido e namora Colossus. Porém, o casal da Terra 1610 nunca se beijaram ou tiveram qualquer contato mais íntimo nas HQs. Neste mundo paralelo, JP faz parte dos X-Men e é sequestrado e morto pela Tropa Alfa.

Porém, o que talvez tenha deixado Estrela Polar mais popular dentro da comunidade LGBT, foi seu casamento com Kyle Jinadu. Os dois começaram a namorar quando Jean-Paul era professor no Instituto Xavier. Depois que o instituto foi fechado, JP voltou para o Canadá e Kyle continuou nos EUA, em Nova York. Após muito tempo namorando à distância, Jean-Paul decide pedir Kyle em casamento.

O mutante superveloz inclusive pede conselhos para alguns amigos dos X-Men sobre sua decisão, recebendo as mais diversas respostas. Gambit, por exemplo, acha que o casamento deles causaria problemas no futuro, pois tornaria Kyle um alvo fácil para os inimigos do Estrela Polar. Depois de ponderar por algum tempo, JP decide pedir seu amor em casamento.

A Marvel fez uma edição especial do casamento em 2012, com uma capa dupla, em um momento em que os primeiros estados americanos aprovaram o casamento civil igualitário. A cerimônia do casamento ocorreu em Nova York e contou com a presença de praticamente todos os membros da Tropa Alfa e dos X-Men. No Brasil, a edição foi dividida em 2 e foi publicada no ano de 2013 pela Panini Comics.

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Obviamente que o casório do Estrela Polar causou polêmica, onde muitos homofóbicos conservadores repudiaram a decisão da editora Marvel. Algumas organizações cristãs nos EUA, que lutam para manter “a moral e os bons costumes”, propuseram boicote na edição do casamento, mas não funcionou. Por que será?

Apesar do universo mutante já contar com 8 filmes no cinema, Estrela Polar ainda não foi adaptado para as telonas e não há nenhuma intenção de que isso ocorra tão cedo. Além das HQs, o personagem fez duas aparições na série animada dos X-Men da década de 90, como prisioneiro em Genosha e depois como membro da Tropa Alfa, porém sem nenhuma relevância para a história.

Estrela Polar foi criado em 1979, por Chris Claremont e John Byrne (responsável pelos arcos A Saga da Fênix Negra e Dias de Um Futuro Esquecido), mudou de uniforme diversas vezes e atualmente está esquecido nas páginas da Marvel. Jean-Paul é um personagem que teve raros momentos de protagonismo, quase sempre como coadjuvante e membro de alguma equipe, mas é um personagem que ajudou a questão de representatividade LGBT nos quadrinhos ser colocada em pauta.

Vamos torcer para que Jean-Paul volte logo para honrar seu posto como um dos mutantes mais importantes do universo X-Men e não deixar seu casamento ser seu último ato pela representatividade LGBT nas HQs.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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  • Olavo Lima

    espero que façam um dia sobre o rictor e o shattestar o melhor casal gay da marvel, eu torci por esses caras em todas as historias que aparecerem em x-factor, sou heterossexual e nerd, quando o personagem é bem construído como foi no caso do roteirista peter david eu curto os personagens, estrela polar sempre foi mal escrito, tirando o momento do casamento dele não houve nenhum momento marcante do cara

    • Michel Furquim

      Já anotado! Faremos assim que possível. Eu gosto muito do X-Factor, e lógico que do Rictor e do Shatterstar. Abraço!