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Crítica|Esquadrão Suicida

O segundo filme do universo expandido da DC Comics para o ano de 2016 foi lançado e com muitas coisas para provar. Após a enxurrada de críticas contra BvS, a DC tenta provar que é capaz de produzir um filme menos “sombrio” e sem tanta pretensão como foi o encontro dos dois maiores ícones da editora. Infelizmente, as coisas parecem não terem saído conforme o esperado.

Esquadrão Suicida mostra o time de grandes vilões dos quadrinhos, reunidos em uma mesma equipe para enfrentar uma ameaça que pode acabar com o mundo todo. Até aí, nenhuma novidade. Temos então Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Diablo (Jay Hernandez), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Magia (Cara Delevigne) e Amarra (Adam Beach). Além dos “caras maus”, temos Rick Flag (Joel Kinnaman), Katana (Karen Fukuhara) e Amanda Waller (Viola Diva Davis).

A história é simples e se passa nos eventos após Batman Vs Superman: A Origem da Justiça, onde a morte do Superman se torna uma justificativa para a criação de uma força tarefa com meta-humanos para os perigos que a humanidade poderá enfrentar no futuro.

Os personagens são apresentados de forma rápida e divertida, algo que dinamiza a trama, sem perder muito tempo explicando quem é quem. Pistoleiro e Arlequina possuem em espaço um pouco maior para desenvolver seus personagens, dando até um ar mais emotivo para cada um.

Margot Robbie está excelente como Arlequina, assim como já esperávamos desde que foi lançado o primeiro trailer do filme. Margot rouba todas as cenas em que aparece, arrancando risos a cada fala. A caracterização da personagem está, como muitos já haviam pontuado, excessivamente sexualizada e sua função dentro da equipe não é algo muito explorada, sendo praticamente o alívio cômico de todas as cenas. Mas foi possível observar muitas meninas na pré-estreia do filme, caracterizadas ou com acessórios que lembravam a personagem. Se a simples presença da personagem no filme produziu este efeito (leia-se, mais garotas se interessando por filmes baseados em HQs), já podemos considerar um passo importante.

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Viola Davis é a melhor em cena, na pele de Amanda Waller. Não é algo difícil para a atriz se destacar em meio aos colegas de elenco, mas sua interpretação é um dos pontos altos do filme, colocando qualquer outro personagem na chinela no quesito maldade.

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Desde que foi anunciado Will Smith para o papel do Pistoleiro, imaginei que alterações seriam feitas em seu personagem para que este não fosse visto como um “assassino mercenário”. Dito e feito. O Pistoleiro é mais um dos personagens do ator, em que está tentando se redimir e parece não ter feito nada de errado, apesar de ser um vilão. Quem já leu as HQs com o alter ego de Floyd Lawton, sabe que ele é um assassino que mata sem a menor hesitação, causando diversas mortes de inocentes em Gotham e Metrópolis.

Um personagem que se destacou nos mais de 120 minutos do filme, foi Diablo. O personagem é um dos únicos que apresenta um pouco mais de profundidade, tornando sua participação e história algo mais dramático.

Algo que me incomodou e muito no filme, foi a forma como foi apresentado o relacionamento dela com o Coringa. Todos sabemos que o relacionamento da Arlequina com o Coringa é um relacionamento abusivo, onde não há amor, mas abuso e obsessão. Era possível no filme incluir uma menção sobre isso e explorar alguma forma de “libertação” da ex-psiquiatra de seu abusador, como já foi feito algumas vezes na série animada do Batman, porém, isto não é feito. Fica a sensação de que os roteiristas tentaram romantizar a relação, tornando o Coringa um homem apaixonado e a Arlequina uma mulher que só quer viver com seu grande amor. Ponto negativo pro filme.

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Uma das coisas mais faladas do filme desde que foi anunciada a participação do Coringa no filme é sobre como Jared Leto ficaria na pele do palhaço tatuado caricato, além de suas infantis comparações com Heath Ledger. O Coringa  é um personagem “suporte” na trama, não tendo relação com os eventos principais do filme, mas consegue dominar as cenas em que aparece. Se Coringa e Arlequina forem inseridos em algum filme com o Homem-Morcego, onde possam melhores explorados, certamente serão um tremendo sucesso.

Um dos grandes problemas em Esquadrão Suicida, assim como foi em Batman Vs Superman, é o vilão. Irônico dizer isso, em um filme recheado de personagens que são vilões nas HQs, mas no filme o principal antagonista que pretende “dominar o mundo” é algo difícil de engolir. Mas a falta de um motivo palpável para se colocar como antagonista em uma história é um erro comum em filmes baseados em super-heróis (Lex Luthor, Barão Zemo, Jaqueta Amarela, Etc, Etc, Etc), por isso Esquadrão Suicida não deveria ser crucificado por isso.

Aliás, enquanto um vilão está destruindo o planeta, onde estavam Diana, Barry Allen, Bruce Wayne? Férias, talvez. Claro que dois heróis da futura Liga da Justiça aparecem, mas não para salvar o mundo.

O roteiro e a direção ficaram por David Ayer, que ou se mostrou pouco criativo, ou teve que adaptar conforme as exigências dos executivos da DC. Zack Snyder que aparece como Produtor Executivo, pode respirar aliviado e ter um pouco de sossego desta vez. O filme possui uma ótima trilha sonora, animando várias cenas com clássicos como Bohemian Rhapsody e Sympathy For The Devil.

Esquadrão Suicida é um filme que foi feito para divertir o espectador. Nisso ele cumpre seu papel e pode agradar espectadores casuais, ou fãs que querem uma história simples, sem grandes expectativas.

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Mas para um fã assumido da DC, ver o potencial do Esquadrão Suicida ser reduzido a um time de anti-heróis engraçadinhos acaba sendo uma grande decepção. Talvez seja Gotham em mim. Ou a velhice mesmo.

O filme do Esquadrão Suicida lembra bastante Guardiões da Galáxia da rival Marvel: um filme para você dar umas risadas, mas que não se lembrará de como ou por que aqueles personagens chegaram até ali. Pensando no DCCU, Esquadrão Suicida é decepcionante, trazendo uma história simplória e previsível que nada acrescenta ao universo expandido de Batman e Cia.

Será que as edições feitas após as críticas de BvS, para deixar Esquadrão Suicida mais “engraçado”, teriam retirado a atmosfera vilanesca que o filme poderia ter apresentado? Nunca saberemos. Ou saberemos no lançamento da Versão Estendida do Blu-Ray? Aguardemos.

O segundo filme do universo expandido da DC Comics para o ano de 2016 foi lançado e com muitas coisas para provar. Após a enxurrada de críticas contra BvS, a DC tenta provar que é capaz de produzir um filme menos “sombrio” e sem tanta pretensão como foi o encontro dos dois maiores ícones da editora. Infelizmente, as coisas parecem não terem saído conforme o esperado. Esquadrão Suicida mostra o time de grandes vilões dos quadrinhos, reunidos em uma mesma equipe para enfrentar uma ameaça que pode acabar com o mundo todo. Até aí, nenhuma novidade. Temos então Pistoleiro (Will…

Esquadrão Suicida

Filme

Nota

Pensando no DCCU, Esquadrão Suicida é decepcionante, trazendo uma história simplória e previsível que nada acrescenta ao universo expandido de Batman e Cia.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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