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[Diários de uma Nerd] Além da Batgirl, uma visão da mulher na indústria de quadrinhos

Olá leitores, primeiro quero agradecer a oportunidade de escrever aqui para vocês, e segundo quero pedir desculpas  pela demora, eu estive com um problema na mão que dificultou muito a minha vida de digitação, mas estou melhor e aqui estou.

A principio, fui chamada  para comentar o longa animado ‘A Piada Mortal‘ e a visão que deram para a Batgirl, mas eu resolvi ir  além disto, e escrever como eu, como mulher, me sinto.

Ao longo dos anos a indústria de quadrinhos  tem mudado, mesmo que a passos lentos e curtos, mas tem, e tem mostrado mulheres que vão muito além de um collant.

Ser mulher é ser ensinada desde pequena que não temos força suficiente para abrir um pote de picles, que temos que ter a aparência  das modelos e atrizes se quisermos ser alguém, que não precisamos  fazer certas coisas  porque para isto tem os homens. Isto é ensinado a nós desde que nascemos, e felizmente ao longo da vida muitas de nós saímos deste estereótipos e vemos que podemos ser muito mais, podemos ser quem realmente somos.

Quando se é mulher e gosta de cultura pop como quadrinhos, é uma luta, porque é colocado diante de nós, mulheres lutando com roupas e em poses impossíveis, e voltamos a questão de que nosso valor está em nossa aparência e assim sendo essa indústria não é para nós.

Ao longo dos anos a indústria de quadrinhos  tem mudado, mesmo que a passos lentos e curtos, mas tem, e tem mostrado mulheres que vão muito além de um collant. E uma das carregadoras desta bandeira para mim é Barbara Gordon, que após sofrer um ataque brutal do Coringa, se reinventou, e se tornou a onipresente e onisciente Oráculo, uma das melhores personagens da DC em toda a sua história. Uma mulher, numa cadeira de rodas, com roupas comuns, de óculos, rabo de cavalo, com um incrível cérebro e uma mais incrível ainda vontade de superação.

Batgirl

Atualmente na DC Barbara voltou a sua  posição de Batgirl, e tem sido uma embaixadora de heroínas para a nova geração. Com um uniforme que não marca cada curva dela, com conquistas acadêmicas e seguindo a sua vida, como muitas jovens da atualidade. Particularmente esta nova série da Batgirl não é a minha favorita da Barbara, mas reconheço seu valor para  meninas que estão começando a ler HQs.

Então caros leitores, com toda a história da Barbara e sua representação do valor da mulher nos quadrinhos, ver a animação onde ela foi retratada em toda a sua sexualidade, com cenas correndo só para mostrar seu corpo, close do Batman pegando no bumbum dela, além de toda essa história não existir no cânon da personagem, a mostrou como uma moça boba que entrou na vida de combate ao crime para chamar atenção do Morcego.

Eu escuto gente falando que foi necessário criar esta história, porque senão não teria o que contar dela, e eu penso: Sério? A Barbara foi a personagem que entrou na vida heroica para ajudar a cidade por puro altruísmo, não por ser traumatizada  pela morte dos pais. O Batman não a escolheu, ela quem escolheu ser Batgirl, mesmo que ele não quisesse, e eu escuto gente falando que ela não teria história se não fosse para ser par romântico do Batman, e pior, nem isto ela foi, ela foi apenas uma noite, um momento, um erro.

Barbara

Então, para mim, além de ‘A Piada Mortal’ ter criado uma história que é contra a personagem e o que ela é, sua representação também é voltar aos tempos onde as mulheres eram consideradas fracas demais, bobas demais, e apenas um corpo para ser mostrado. E o pior é que por alguns segundos vendo isso, eu me senti assim também.

Ainda bem que mesmo dia eu vi o trailer do filme da Mulher Maravilha. Eu não tenho palavras  para dizer o quanto me fortaleceu, e não porque a Diana é uma personagem forte e a Barbara fraca, ao contrário, é porque a Diana foi tratada com respeito, enquanto a Barbara como um objeto.

Então meus caros, este meu texto não é uma analise, não é uma review nem nada do tipo, apenas quis compartilhar como eu me senti com tudo. Talvez seja o mesmo sentimento de um homossexual quando é tratado apenas como portador do vírus da AIDS, de um negro quando é mostrado como trombadinha ou de um alemão como nazista. Passamos a vida lutando contra estereótipos, estereótipos que machucam, e às vezes uma escolha ruim de um babaca da mídia faz tudo voltar para nossa mente, mas não se deixe abalar, lembre quem você é e que vale a pena lutar por um mundo que veja a todos como iguais.

Sobre Débora de Albuquerque

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  • Belíssimo texto, Débora. Fico muito feliz por ter uma produção sua aqui, espacialmente depois do tanto que já conversamos no Twitter. Também faço parte da parcela que não conseguiu aceitar o que fizeram com a Barbara em Piada Mortal. De fato um retrocesso na maneira que o mundo de quadrinhos vem tratando suas personagens femininas.

  • Rogério Miranda

    não concordo totalmente, mas compreendo sim. por exemplo: eu gostei muito da Arlequina em SS e não a vi como uma mulher frágil e tals, mesmo ela tendo aquele relacionamento com o Coringa. Acho que criou-se uma imagem de que a mulher não pode manter um relacionamento que isso a deixa fraca… nem sempre é assim e na Batgirl e Arlequina são casos q não se encaixam na crítica.

    enfim, belo texto.

  • Tieser Centeno

    adorei o texto e concordo em tudo! mas discordo de uma parte aí… porque também me senti fraco quando vi tudo aquilo sobre o filme, a participação da Batgirl, e também sobre ela…! porque ela é muito mais do que mostraram no filme, e os comentários sobre ela, reduziram ela a muito menos ainda…!!