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Indicação Nerd|American Crime – Segunda Temporada

“Se eu fosse uma garota…

As pessoas enlouquecem quando é com uma garota.

Mas um garoto?”

O meio do ano é aquele período em que muitas séries estão em suas “pausas”, esperando a Fall Season que começa entre setembro e outubro. Nessa época, aproveito para buscar séries que não tive a oportunidade de acompanhar durante o primeiro semestre (geralmente o período mais conturbado, com grandes produções). E tive uma grata surpresa ao conhecer duas ótimas séries: Marcella (que pretendo falar em um próximo momento) e American Crime.

A primeira temporada de American Crime (não confundir com o excelente filme American Crime e nem com a série Amercian Crime Story) é uma série do canal ABC, que teve sua estreia em março de 2015, com a proposta de discutir temas mais adultos como xenofobia e preconceito contra os latinos, muito evidente nos dias atuais. Esta primeira parte já foi exibida no Brasil no canal AXN e está disponível na Nerflix.

Em junho de 2016, a segunda temporada de American Crime foi lançada nos EUA com o objetivo de trazer temas ainda mais polêmicos. AC é uma limited serie, por isso as histórias de cada temporada são independentes, com começo, meio e fim. Escolhi indicar da segunda temporada, pois aborda algo comum na sociedade, mas que é ignorado por todos: quando um menino é vítima de estupro.

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A história se passa em Indianapolis, Indiana, e conhecemos Taylor Blaine (Connor Jessup) um estudante aparentemente tímido, pouco popular e pobre. Taylor estuda em uma escola particular composta majoritariamente de jovens ricos. Ele é um bolsista e isso o torna um excluído entre os alunos de alto poder aquisitivo. Tudo parece normal até ele receber em seu celular fotos dele mesmo após ser vítima de um trote abusivo, totalmente bêbado e desorientado.

As fotos são expostas na internet e são enviadas para todos os estudantes, fazendo com que Taylor seja suspenso. Uma das poucas pessoas testemunhas do ocorrido é a namorada de Taylor, Evy Dominguez (Angelique Rivera) que decide tomar uma providência, comunicando a mãe de Taylor, Anne Blaine (Lili Taylor). Anne, desesperada, comunica a diretora da escola, Leslie Graham (Felicity Huffman), que pede sigilo absoluto até todos os fatos serem apurados.

Deste momento em diante, vemos uma sucessão de acontecimentos que mostram como uma mãe desesperada tenta de todas as formas fazer com que o abuso de seu filho seja punido, ao mesmo tempo em que a sociedade hipócrita tenta desvalidar as acusações de um “estupro homossexual”. American Crime ainda traz temas igualmente complexos, como racismo, sexualidade enrustida e as consequências da desigualdade socioeconômica – algo presente em todos os lugares, mas bastante familiar aqui no Brasil.

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A série é excelente e possui várias reflexões importantes, mas o tema principal e que todos evitam abordar é o abuso sexual contra meninos. O estupro de meninos não é algo raro – muitas vezes até fetichizado –  e a sociedade viriarcal em que vivemos impõe um silêncio a suas vítimas. O medo da perda da virilidade ou o medo de serem considerados homossexuais, faz com que muitas vítimas de abuso sexuais – seja dentro de casa, trotes em escolas/faculdades, ambientes religiosos, etc – escolham o silêncio. Além das vítimas, a família, a escola e as próprias autoridades compactuam com este tipo de violência, afinal isso pode acabar com “a reputação de um menino”.

E a série vai mais além, e se a vítima for realmente homossexual? Na sociedade em que vivemos, um homossexual pode protestar caso seja “violado”?

Uma outra questão que também é levantada na série, mas de uma forma mais sútil é a questão da exposição. Nos dias de hoje, da geração dos nudes e dos smartphones, uma simples foto ou post enviado será eternizado na grande rede.

Com um elencoa espetacular, a segunda temporada de American Crime consegue tocar em temas complexos e sensíveis em seus 10 episódios, que são um soco no estômago do telespectador. Um destaque para a interpretação sensacional de Felicity Huffman, a diretora da escola, que poderia ser comparada a muitos daqueles que banalizam a violência na sociedade, pautados em política, religião e aparência.

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Ameican Crime não é uma série para qualquer um, pois aborda de forma lenta e sóbria problemas sociais, sem grandes explicações. Muitas coisas não são ditas, mas sentidas, exigindo do espectador um pouco de sensibilidade e muita observação.

“Se eu fosse uma garota... As pessoas enlouquecem quando é com uma garota. Mas um garoto?” O meio do ano é aquele período em que muitas séries estão em suas “pausas”, esperando a Fall Season que começa entre setembro e outubro. Nessa época, aproveito para buscar séries que não tive a oportunidade de acompanhar durante o primeiro semestre (geralmente o período mais conturbado, com grandes produções). E tive uma grata surpresa ao conhecer duas ótimas séries: Marcella (que pretendo falar em um próximo momento) e American Crime. A primeira temporada de American Crime (não confundir com o excelente filme American…

American Crime

Segunda Temporada

Nota

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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