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Crítica|Finding Prince Charming 1.01 – A Second First Impression

Encontrar o Príncipe Encantado é o que todo homem gay quer?

Vamos ser bem honestos aqui? Não é o que todo homem gay quer. Mas é sim algo que a grande e massiva maioria parece procurar, até mesmo naqueles aplicativos desenhados primordialmente para procurar apenas sexo sem compromisso. Mais do que mero entretenimento, Finding Prince Charming é um reflexo da atual sociedade gay e do seu grande desejo de se “adequar” aquilo que os casais heterossexuais já estão fazendo desde muito tempo na televisão. É reforçar um padrão heteronormativo, mas também vai além desta característica, é um ritual de pertencimento e nós temos todo o direito de querer algo do tipo. 

Vamos então para a proposta de Finding Prince Charming. Quem já assistiu The Bachelor sabe muito bem qual é a proposta do programa. Quem nunca teve contato com um reality show do tipo, bom, não se preocupe, é tudo bem simples. Um solteiro cobiçado, aqui Robert Sepúlveda Jr., está a procura do par ideal. E ele irá, por mais ridículo que isso soe, beijar e flertar vários outros homens (ao mesmo tempo) para conseguir seu objetivo – E quem nunca?

A proposta do show é ridícula quando estamos analisando casais heterossexuais, quando estamos vendo pelo viés gay, é tão exagerado que chega a ser engraçado. E é isso o que me divertiu profundamente durante os quarenta minutos deste primeiro episódio. Tudo é tão teatral, tão forçado e sem um pingo de naturalidade que você termina se divertindo muito, mesmo que a proposta seja, no final, bem fraca.

O Príncipe Padrãozinho Encantado
O Príncipe Padrãozinho Encantado

Robert abre seu discurso dizendo que está querendo aquela ‘cerca branca’, um amor seja para o que for, enquanto fotos dele sozinho nos mais diversos lugares do mundo pipocam na tela. E o cara realmente é o padrão do Príncipe Encantado, por mais tedioso que isso seja.  

Mas deixe o príncipe de lado, o que realmente importa em qualquer reality show são os competidores. E é aí que a edição do programa acertou em cheio. LOGO, o mesmo canal que nos trouxe RuPaul’s Drag Race, soube muito bem trazer um time bem diverso e complexo de pessoas para cortejar esse príncipe encantado. E enquanto Robert aparece para mostrar seus olhos marejados e atitude fria, os outros homens dominam a casa e o espaço com performances divertidíssimas. 

Vamos começar então analisando o cast.

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Brandon – Começa falando quase nada e revelou algumas partes do seu passado. Tem cara de que vai fazer um estrago assim que possível. 

Brodney – Outro que também não falou muito e também não aparentou estar preocupado com nada. Faz a linha: não sei, não vi, não sei nem porque é que estou aqui. Soltou a frase: “Malhar é minha terapia”. Prefiro nem ver de novo. 

Chad – Tentou passar a imagem de bom moço, mas conseguiu mesmo foi passar a imagem de doido varrido. Não vou negar, gosto assim.

Charlie – Começou falando: “Ninguém acha que eu sou gay”. ZzzZzzzZzzZ

Danique – Meio pombo.

Dillon – Bem pombo. 

Eric – Pombal inteiro.

Jasen – Parece que chora quando ganha elogios. Não sei. 

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Justin – Gostei. A carinha de quem está pronto para qualquer parada, incluindo aquelas que a gente faz em clubes com muita luz vermelha.

Nick – Me lembra um ex meu. Prefiro não.

Paul – Disse logo de cara e para o Príncipe que prefere homens mais altos, enquanto o Príncipe é bem mais baixo que ele. Se desesperou. Fica repetindo a história do ex namorado que se matou. #HojeNãoFaro

Robby – Já chegou fazendo escândalo. Arrumou confusão no primeiro dia. #AMO

Sam – O babaca do grupo. Todo grupo tem uma Phi Phi, não é mesmo?

E por último o nosso anfitrião, Lance Bass – Quem não conhece, nasceu depois dos anos 90. Podemos manter amizade. 

Claro que dentro de um primeiro episódio é difícil comentar abertamente sobre cada um, o tempo é tão pouco e a edição prioriza por um padrão de situar o telespectador ao formato primeiro, para impor um ritmo interessante depois, mas existiram bons momentos neste primeiro episódio de Finding Prince Charming.

Novamente, o que melhor expõe a qualidade de um reality show é a potencia de seus participantes. O host, neste caso bem ausente, consegue direcionar alguns temas interessantes, mas mesmo assim, este não é o caminho a ser seguido aqui. Tudo é galgado no drama dentro da casa e no drama dentro dos encontros. 

Quem consegue agitar tudo em uma primeira instância é a dupla Sam e Robby. Tudo isso porque nosso amigo Sam parece mais um esteriótipo daquele cara que não consegue ver o mundo gay como algo diverso. Sua primeira atitude é a de confrontar Robby por ele ser muito “exagerado”. E aí já dá para ter uma ideia bem grande do que está errado e de quem não deveria nem estar ali. E por mais que Sam já tenha começado da maneira errada, é através de pessoas como ele que reality shows são feitos e ganham a mídia.

No dia seguinte, e em uma casa cheia de homens gays com hormônios prestes a explodir, existe uma festa na piscina e todo mundo quer um pedacinho do príncipe. O mais importante aqui é ressaltar que não existe amor a primeira vista em um programa como esse. Todo mundo está ali para conquistar Robert e garantir um tempo a mais na televisão. Quem entrou na competição realmente procurando um amor eterno, serão os primeiros a sair. É o cruel mundo da superficialidade televisiva. E é por isso que Robby se destaca. 

Para a eliminação o Príncipe decide mandar para casa três competidores. Quem ganha uma grava preta fica, quem não ganha vai para a casa com o peito a mostra. Charlie, Nick, e Brodney são os primeiros a sair e confesso ter encontrado nenhuma surpresa aí.

Charlie, o cara que ninguém acha que é gay, ficou mais centralizado em falar mal dos outros do que em flertar com Robert – dica: um cara que sabe que o mundo gira ao redor do umbigo dele não quer saber o que outros fazem. Nick ficou o tempo todo reclamando que estava soando muito porque estava nervoso. Outra atitude que exala insegurança. Quem quer? Eu não. Já falei que ele parece um ex meu? Ewww. E o Brodney, que nem demonstrou estar preocupado com o reality.  Fechando assim a trinca de primeiros eliminados do show. E que show – meio ruim, mas bem divertido. 

Continuaremos com a cobertura semanal de Finding Prince Charming e dentro dessa semana publicaremos mais dois textos para alcançar a série que já está indo para o quarto episódio. Não deixe de dar sua opinião nos comentários. 

Encontrar o Príncipe Encantado é o que todo homem gay quer? Vamos ser bem honestos aqui? Não é o que todo homem gay quer. Mas é sim algo que a grande e massiva maioria parece procurar, até mesmo naqueles aplicativos desenhados primordialmente para procurar apenas sexo sem compromisso. Mais do que mero entretenimento, Finding Prince Charming é um reflexo da atual sociedade gay e do seu grande desejo de se "adequar" aquilo que os casais heterossexuais já estão fazendo desde muito tempo na televisão. É reforçar um padrão heteronormativo, mas também vai além desta característica, é um ritual de pertencimento e nós…

Finding Prince Charming

Second First Impression - 70%

70%

Nota

Um reality show que seria trágico se não fosse cômico. Encontrar o Príncipe Encantado é o sonho de vários homens gays. Então porque não fazer dinheiro com isso? A Logo sabe!

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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