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Especial|Heroínas Lésbicas das HQs – Batwoman

De donzela indefesa à guerreira respeitada.

Codinome: BatWoman

Nome: Kathy Kane (Clássica) / Katherine “Kate” Kane (Atual)

Raça: Humana

Poderes: Nenhum

Na década de 50, um psiquiatra, Fredric Wertham, publicou o livro Sedução dos Inocentes. Wertham distorceu dados sobre as histórias em quadrinhos publicadas na época, considerando estes como a causa da “delinquência juvenil”. Após esta publicação, as editoras foram pressionadas a adaptar seus personagens e HQs para que se tornassem mais “familiares”.

Um dos primeiros a ser ajustado foi Batman. Não pegava bem para o Homem-Morcego sair todas as noites pulando de prédio em prédio ao lado de seu pupilo, Robin, além de morarem juntos na mansão Wayne.

Com o intuito de afastar rumores de que a dupla dinâmica era um casal, os roteiristas da DC Comics decidiram criar uma personagem feminina que deixasse o time Batman mais próximo da “família tradicional”, e assim surgiu a primeira Batwoman. Kathy Kane (sobrenome em homenagem ao criador do Homem-Morcego, Bob Kane)  apareceu pela primeira vez em 1956, na edição 233 da Detective Comics, se tornando a primeira equivalente feminina do Homem-Morcego. A primeira Batwoman era uma artista circense, herdeira de uma família rica de Gotham, os Kanes, que decide lutar contra o crime inspirada pelo Batman.

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A primeira Batwoman foi criada por homens, para homens e em um período onde a mulher nunca era vista como protagonista ou com alguma história própria. Logo, esta primeira versão foi apenas um interesse amoroso de Bruce Wayne e além de lutar contra criminosos utilizando uma bolsa cheia de cosméticos Jequiti que viravam algemas e algumas armas. Sabemos do poder de uma boa maquiagem, mas convenhamos que uma nécessaire da Avon não ia obter grandes resultados contra o crime.

Esta Batwoman apareceria até 1964 e ficaria sumida das páginas do Homem-Morcego até Crise Nas Infinitas Terras.

Durante a reconstrução do universo DC, no “ano perdido” entre Crise Infinita e Um Ano Depois, tivemos a série semanal 52. Em 52, o foco recai sobre os personagens tidos como secundários – Gladiador Dourado, Renée Montoya, Adão Negro, Questão –  e também surgiriam novos heróis. Nesta saga, conhecemos a nova Batwoman.

A nova Batwoman é Katherine Kane, filha de militares e que tinha uma irmã gêmea, Beth. Sua família se mudou para a Bélgica, quando seus pais foram enviados pelo exército americano para combater uma organização criminosa chamada Religião do Crime.  Este grupo sequestra Kate, Beth e sua mãe, e durante o resgate somente Kate sobrevive. Ela e seu pai retornam à Gotham, onde inicia um árduo treinamento até entrar para os fuzileiros navais.

Na Marinha, descobrem que Kate é lésbica, mantém relacionamento com outra cadete e começa a ser hostilizada pelos colegas, o que causa sua saída da instituição (Don’t ask, Don’t tell). Seu pai já havia se casado com outra mulher muito rica e assim a ruiva, agora ryca, passa a torrar o dinheiro da madrasta em festas e bebidas, até ser presa por dirigir alcoolizada (não façam isso em casa). Nesta ocasião, Kate conhece Renée Montoya, com quem manteria um relacionamento durante um bom tempo.

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Renée conta para Kate que havia sido salva pelo Batman, o que motiva a ruiva a se tornar uma heroína também. Ela se apropria do morcego e cria um traje semelhante ao do Bat, com detalhes vermelhos e uma peruca de cabelo longo ruivo. Com a fortuna da família, ela viaja o mundo aprimorando suas habilidades na espionagem e nas artes marciais, além de conseguir equipamentos para sua vida de vigilante.

A Batwoman combate os criminosos de Gotham de forma mortal, com revólveres inclusive, por isso Batman não aprova seus métodos e não aceita ela como membro da “BatFamília”. A moça é extremamente habilidosa, superando até os pupilos de Bruce, Asa Noturna, Robin, Red Robin e Batgirl.

Durante a saga 52, Batwoman luta ao lado de Renée e o Questão contra a Intergangue. Durante esta saga, Renée se torna a nova Questão e Batwoman salva Gotham, uma vez que o Morcego estava afastado. Kate continuou sua luta contra o crime, mesmo sem a aprovação do Batman, até a saga Crise Final. Após a morte de Bruce Wayne, o cargo de protetor de Gotham fica vago e há uma disputa por quem assumiria o manto do morcego. Dick Grayson se torna o novo Batman e Batwoman assim se torna membro oficial da família morcego.

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Neste período, Batwoman se torna a protagonista da revista Detective Comics e guardiã de Gotham. Descobrimos também que a irmã gêmea de Kate não estava morta e se tornou a vilã Alice, e agora era líder do culto Religião do Crime. Quando Batman “retorna a vida”, este percebe que a Mulher-Morcego havia mantido Gotham em segurança e protegido seus filhotes, e assim a aprova como vigilante e membro da família.

Na fase Novos 52, a Batwoman ganha um título solo e é uma das melhores deste período, com a arte maravilhosa de J. H. Williams. Kate começa a treinar sua prima Bette Kane, ex-Labareda dos Titãs, e que se tornaria Águia Flamejante. Neste período, Kate namora com Maggie Sawyer, uma policial de Metrópolis que é transferida para Gotham. A ruiva pede Mag em casamento, mas até agora estão apenas noivas e sem data para o casório. Na edição onde ocorre o pedido, a Batwoman luta ao lado da Mulher-Maravilha contra monstros, uma Hidra e uma Medusa, onde surge respeito e um forte laço de amizade entre as duas (sempre bom ter amigas poderosas, né?).

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Atualmente, em DC Rebirth, Batman organizou um time para uma ameaça que estava à espreita em Gotham. O Homem-Morcego escolheu a Órfã, a Salteadora, Robin (Tim Drake) e Cara de Barro, e pede para que a Batwoman lidere e treine-os. Mesmo com algumas dúvidas, Kate assume a liderança do time após a derrota do Batman e precisa encarar seu pior inimigo, seu pai.

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Além das HQs, a Batwoman apareceu na animação Batman: Sangue Ruim (Batman: Bad Blood), onde sua origem é apresentada semelhante à das HQs e sua sexualidade é tratada de forma natural, sem muitas explicações.

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A DC Comics ainda está engatinhando no quesito diversidade e são poucos ainda os personagens LGBTs da editora. Entre os mais relevantes, podemos citar Alan Scott. Meia-Noite, Mulher-Gato, Hera Venenosa, Constantine e Questão, por isso a Batwoman é a representante máxima da editora do público LGBT. Tanto que ela será capa da edição especial Love Is Love, uma homenagem às vítimas da boate Pulse.

Batman é sem dúvida um dos personagens mais importantes do universo das HQs, tendo sua força, inteligência e estratégia como principais características, e é muito bom ver como a atual Batwoman consegue se equiparar a ele, sem grandes esforços.

Na atual fase Rebirth, Batman deixa bem claro que ele não precisa treinar Kate e sim que precisa de sua ajuda para manter Gotham segura. Enquanto vemos os Robins, o Asa Noturna, a Batgirl, a Caçadora, entre outros, tentando provar sua importância ao Homem-Morcego, a Batwoman não faz a menor questão de fazer parte da BatFamília, muito pelo contrário. Além de provar várias vezes que consegue fazer tudo sozinha.

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Muitos fãs homofóbicos reclamaram quando a personagem foi apresentada em 2006, com os mesmos discursos que já conhecemos “não mexam nos nossos heróis, criem os seus!”/ “pra que falar da sexualidade do personagem?” / “querem implantar a ditadura gayzista em tudo!” (adoro esta última). Porém, 10 anos depois as reclamações diminuíram (aparentemente). Mesmo assim, a DC ainda reluta em se aprofundar na história da personagem, tanto que alguns roteiristas pediram demissão devido a proibição de realizar o casamento da Batwoman com a policial Maggie Sawyer.

A Batwoman é atualmente a personagem LGBT com maior importância no mundo dos quadrinhos, marcando presença na luta contra o crime de Gotham e o preconceito no mundo real. Será que um dia veremos Kate em uma adaptação cinematográfica? Vamos torcer.

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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