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Comportamento|Ser passivo. Por que se tornou um tabu?

Muitas vezes a sociedade no geral tem uma ideia errada sobre o que é ser passivo. 

Para muitos a “passividade” é dada por um jeito afeminado ou então por um homem com características mais delicadas, o que é totalmente um equívoco com o verdadeiro significado da palavra.

Hoje existem vários “padrões de comportamento” no ato sexual gay. Entretanto será abordado nesse texto somente a questão do que é ser passivo. Consiste no individuo que aceita ser penetrado, buscando o prazer e não tem nenhuma relação com ele ser menos ou mais afeminado.

Acredita-se que esse estereótipo criado ao redor do gay ser passivo, vem daquela famosa pergunta: “Quem faz o papel de mulher da relação?”. Algo que dá a entender que só porque homem aceita ser penetrado, ele se torna menos “homem” ou mais “Gay” do que aquele que penetra, uma grande besteira, de fato. A pessoa é considerada homossexual quando se sente atraída por outra do mesmo sexo, independente se ela for ativa ou passiva.

“Meu filho, pelo menos você é o ativo, né?”

Além dessa frase, podemos citar outras, como exemplo: “Tudo bem ser gay, mas gay passivo?”. A sociedade denigre o termo passivo, fazendo com o que o homossexual se sinta acuado em dizer que é o é. “Meu filho, pelo menos você é o ativo, né?”. Em muitos casos as pessoas acreditam que ser passivo o torna mais gay, um equívoco total. “Se aquele cara hétero curte ser penetrado ele só pode ser gay enrustido”. A sociedade ainda não está aberta para o entendimento que ser passivo só tem relação com o que o homem sente prazer. Se um homem hétero sente prazer em ser penetrado, ele não é gay, só tem a mente aberta o suficiente para elevar seu prazer sexual ao máximo. Conduta sexual não tem relação nenhuma com a sexualidade.

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Outra questão que deve ser avaliada, é que por conta dessa estereotipação da sociedade, o gay acaba tendo medo/ receio de assumir ser o passivo da relação e ser visto como a “mulher”, o que ainda reforça o pensamento sexista, dando a entender que ser penetrado é algo que somente mulheres podem sentir prazer com. 

Um grande aliado a quebra desse estereótipo são os sites de conteúdo pornô que geralmente “brincam” com a questão do mais afeminado ser o ativo, do mais “machão” ser cem por cento passivo, ou então do casal ser versátil, o famoso “Troca-Troca”, onde os dois tem papeis tanto de ativo quanto de passivo. Isso é interessante, pois mostra de forma bem clara que sexo tem haver com reciprocidade e sentir prazer, e que o casal é livre. 

Durante anos além de a sociedade denegrir o ato de ser passivo, ainda criaram inúmeras justificativas ilógicas para tal ato não ser efetuado. Uma delas era a de que o ânus poderia acabar afrouxando depois de certo tempo, levando à pessoa não conseguir segurar suas necessidades fisiológicas, ou então o surgimento de hemorroidas, o que não passa de um grande mito. Especialistas explicam que a dilatação do tecido elástico do canal anal é terapêutica. Com a devida prescrição, o método de introdução funciona como tratamento contra a hemorroida. E não há nenhum caso médico que tenha 100% de certeza na prova de que o sexo anal causa o afrouxamento do ânus. 

Para você que terá sua primeira vez, vale lembrar do uso de preservativos. E faça quando se sentir a vontade com seu parceiro. Nunca para que seu parceiro se sinta feliz ou satisfeito, somente. Ambos devem se sentir, sexo é algo que deve ser bom para os dois. E caso tenha receio pelo pênis do ativo ser grande, opte pelo uso de lubrificantes que vão facilitar bastante a penetração. O sentir dor é muito pessoal, já que algumas pessoas sentem a dor e tratam-na como prazerosa, já outras não, você terá que entender por si só o que te dar prazer e o que não dá. 

Para os ativos, nunca forcem seus parceiros, isso pode acabar gerando problemas seríssimos para o passivo. E também existem implicações mais séries para o ato de forçar – você já leu AQUI. Entendam que nem todas as pessoas estão prontas naquele momento, ou simplesmente não sentem prazer com tal ato.

Aos leitores, tenham em mente que conduta sexual nunca definiu e nem definirá a sexualidade ou gênero de uma pessoa, isso é um pensamento falho e a certo ponto ignorante, criado por uma sociedade totalmente sexista. 

Sobre Alisson Santos

Nascido em 10 de dezembro de 1997, cursando Publicidade e Propaganda. Um garoto que busca entender os vários pontos de vistas sociais, enquadrando sempre à sua forma de pensar e agir.

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