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Crítica|Cavaleiro das Trevas: A Última Cruzada

Cavaleiro das Trevas ainda continua sendo um marco nas histórias em quadrinhos e no universo do Batman, por isso vira e mexe temos alguma coisa “nova” relacionado a essa história de Frank Miller.

Primeiro, em 2001, foi lançado a continuação super criticada O Cavaleiro das Trevas 2; em 2008, o filme de Nolan – apesar de nada ter a ver com o universo criado por Miller – com o mesmo título da aclamada HQ; em 2012 a animação da clássica história; em 2015 Miller e Brian Azzarello lançam Cavaleiro das Trevas 3 – A Raça Superior. Esta última ganhou maior destaque graças ao hype criado pelo filme Batman Vs Superman – A Origem da Justiça.

A Raça Superior prometeu uma nova história do Batman aposentado e ainda não foi finalizada, sofrendo com atrasos da produção lá fora. No Brasil, já foi lançada até a quinta edição pela Panini Comics com uma ótima qualidade, diga-se de passagem.

E para engrossar ainda mais a lista de produções do universo do morcego de Frank Miller, foi lançada a edição Cavaleiro das Trevas: A Última Cruzada, um prelúdio para Cavaleiro das Trevas 1.

Esta edição é um one-shot, uma história fechada, que revisita uma das histórias mais famosas e comentadas até hoje, que é a morte do segundo Robin, Jason Todd, publicada em 1988 no arco Morte em Família. Como os fãs do Homem-Morcego já sabem, a morte de Todd foi um divisor de águas na história do Batman e do Coringa.

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Antes da morte de Jason Todd, o Coringa era apenas um palhaço que planejava roubos e que sempre tinha seus planos frustrados e a única perda significativa (e sempre recontada) de Bruce Wayne foi a morte de seus pais.

Lembrando que o universo criado por Miller é uma linha temporal diferente do universo original, logo, é uma realidade alternativa que pode ou não existir algum dia. Em A Última Cruzada, temos o mesmo Batman já velho e cansado, porém ainda com esperanças de livrar Gotham do crime. Ele conta com seu pupilo acrobata, Robin, que recebe todo o treinamento na esperança de que um dia herde o manto do morcego.

A história nos mostra um Batman mais falível, humano, que apesar de não aceitar, está se tornando cada vez mais frágil graças a velhice. Em contrapartida, temos um Robin jovem, ágil, porém petulante, despreparado e até um pouco perverso. Miller mostra, através da narrativa em primeira pessoa, a encruzilhada em que Batman se encontra entre a necessidade de se aposentar e a obrigação de continuar sua cruzada. Temos uma sucessão de acontecimentos para mostrar o quão despreparado e arrogante é Jason Todd, e o como Bruce Wayne está cada vez mais velho e frágil.

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Um dos pontos positivos da história é o Coringa apresentado em uma narrativa paralela, quando este é novamente preso no Asilo Arkham e consegue instaurar o caos na instituição apenas com sua principal arma, a palavra. Em praticamente todas as histórias vemos um embate entre Coringa e o Morcego, porém não aqui, e isso é uma ótima escolha de Miller.

Miller e Azzarello também questionam a escolha de uma criança/adolescente como parceiro na luta contra o crime, deixando a questão no ar: não seria uma irresponsabilidade do Batman expor um jovem a tamanha violência? A história mostra que a exposição excessiva à violência pode ter contribuído para que Jason tenha se tornado um ser frio e sem empatia, algo que Batman se sente totalmente responsável.

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Um ponto negativo da HQ é a forma como o menino-prodígio é apresentado. Sendo um dos personagens centrais da trama, deveria ter recebido um tratamento mais profundo sobre sua história, suas motivações e até suas opiniões sobre a luta ao lado do Batman quase aposentado. Tudo que sabemos sobre Jason Todd é o que é dito por Bruce em off ou em conversas com Alfred, tornando Robin um personagem raso e sem desenvolvimento.

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A arte de A Última Cruzada não ficou nas mãos de Frank Miller (Can I Get An Amen Up In Here?) e o responsável escolhido foi John Romita Jr. que entrega um ótimo trabalho, apesar de um nível abaixo do que já apresentou em desenhos feitos para histórias do Homem-Aranha e Superman.

A Última Cruzada é uma boa história e uma HQ que vale a pena ser lida, especialmente quem já leu Cavaleiro das Trevas 1, 2 e acompanha o 3, porém não trouxe nenhuma marca significativa que a torne memorável e original, ficando apenas como uma história mediana. Já foi lançada no Brasil pela Panini Comics, numa edição especial com 68 páginas, com quatro capas variantes e no formato semelhante a Cavaleiro das Trevas 3 – páginas em papel couché e capa em papel cartão.

Cavaleiro das Trevas ainda continua sendo um marco nas histórias em quadrinhos e no universo do Batman, por isso vira e mexe temos alguma coisa “nova” relacionado a essa história de Frank Miller. Primeiro, em 2001, foi lançado a continuação super criticada O Cavaleiro das Trevas 2; em 2008, o filme de Nolan – apesar de nada ter a ver com o universo criado por Miller – com o mesmo título da aclamada HQ; em 2012 a animação da clássica história; em 2015 Miller e Brian Azzarello lançam Cavaleiro das Trevas 3 – A Raça Superior. Esta última ganhou maior destaque…

Cavaleiro das Trevas

A Última Cruzada

Nota

A Última Cruzada é uma boa história e uma HQ que vale a pena ser lida, especialmente quem já leu Cavaleiro das Trevas 1, 2 e acompanha o 3, porém não trouxe nenhuma marca significativa que a torne memorável e original, ficando apenas como uma história mediana.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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