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Crítica|RuPaul’s Drag Race All Stars 2.08 – All Star Supergroup [Season Finale]

Existe justiça em RuPaul’s Drag Race All Stars?

Bom, se formos pensar em termos de desempenho, sim, existe justiça em RuPaul’s Drag Race e ao mesmo tempo, não, não existe. Entrou em pane? Nós também. Toda a proposta deste segundo ano de All Stars foi a de demonstrar como o poder corrompe e como nós reagiríamos dentro da posição de jurados de um reality show. Ano após ano vários fóruns são montados, postagens no Facebook e outros inúmeros textos demonstrando como RuPaul é injusta e como suas decisões são, por vezes, erradas. Reclamamos de eliminações, de coroações, fazemos nossas próprias listas, imaginamos várias possibilidades e nomeamos cotadas e injustiçadas. Mas será que agiríamos diferente se o poder fosse nosso?

Será que mandaríamos embora para casa a pessoa que merece ou aquela que nos ameaça? Teríamos a força de mandar embora um amigo de anos? São perguntas que precisamos fazer, mas que dificilmente teríamos a resposta correta, porque não existe resposta certa neste ponto. Sim, Roxxxy foi arrastada pelas amigas e outras mereciam muito mais aquele ponto, mas quantas vezes isso já não aconteceu antes em um reality show? Todo ano temos uma Kandy Ho, uma Milan ou uma Jiggly Caliente para preencher a cota de participantes que continuam sem muita explicação. E o teste feito por RuPaul alcançou o resultado esperado. A partir de agora, qualquer decisão tomada pelo painel será enxergada com outros olhos. RuPaul’s Drag Race Estudo Sociológico. 

Então, dentro do desafio e do desempenho de uma temporada inteira, a coroação neste último episódio foi sim justa e fez sentido. A trajetória de Alaska dentro do programa foi estável e muito focada, explicando o motivo para sua explosão no episódio passado. Durante seis episódios ela esteve no topo. Seu conhecimento do que representa Drag Race é muito grande, assim como seu respeito. 

No que foi proposto dentro do último desafio, a gravação de um rap criado pelas próprias participantes para a música “Read U Wrote U,” foi bem fácil identificar quem era forte e quem ainda não estava no ponto certo para receber a coroa. 

Hey girls, my name’s Alaska
I got a tiny little question to ask ya
Who’s that bitch that’s on the top?
Oh wait, that’s me. Hey, Porkchop!
You’re born naked, the rest is drag
But your face just needs a paper bag
Gimme a challenge and I’ll crush it all
Changin’ the game like my name’s RuPaul
Line them up, front to back
I’m sending bitches home like a heart attack
Mess with me and you’ll wind up in a casket
I’m Dorothy, you’re Toto, GET IN THE BASKET!
I’ll read you down, beneath the ground
Could you hold my purse while I snatch the crown?
Legacy, remember my name
‘Cause you’re gonna see me hangin’ in the hall of faaa-aaaa-aaa-aaame

A compreensão de Alaska a respeito do jogo é muito grande. A letra escrita por ela demonstra exatamente o tipo de pessoa que está disposta a agir através do que acha que é certo, mesmo que o reflexo de sua imagem não fique tão limpo após o processo. Ela não quer desculpas e tão pouco se preocupa com elas, apesar de ter se desculpado pela atitude infantil e intempestiva do episódio anterior. Contudo o que seu rap melhor demonstra é seu conhecimento a respeito do programa, inserindo Porkchop, ou como ela aponta que mudará o jogo como se seu nome fosse RuPaul. Alaska é inteligente e sua inteligência transbordou durante o desafio.

Também é graças ao seu desempenho que fica bem claro o quão despreparada Roxxxy está. Seu rap é bonitinho e bem feito, mas de forma alguma memorável, assim como sua participação nesta temporada, que ficou muito mais conhecida por não fazer sentido, do que pelo desempenho geral. Roxxxy não foi icônica e mostrou que apesar de ter crescido muito como pessoa, sua drag não está no mesmo calibre que a de Alaska e Katya. 

O mesmo vale para Detox, que diferente da amiga de temporada, conseguiu se destacar muito mais, especialmente no visual. Detox entregou looks maravilhosos, mas terminou bem apagada. Só conseguimos ver mesmo do que ela era capaz nos dois últimos episódios. E diferente de Alaska, Detox usa o nome de RuPaul em um altar, acima dela, e não no mesmo patamar. Lutar pelo seu legado é se imaginar substituindo quem está no topo, e isso Alaska fez muito bem. Neste caso o que faltou para Detox foi não se prender tanto ao visual e entregar algo memorável em outras esferas, como por exemplo o humor, algo que ela tem, mas que não soube empregar nos desafios. Logo a sua vitória ficou apenas na passarela, com uma roupa de arrasar o quarteirão da LOGO. 

E por último temos Katya, a máquina russa de comédia estranha e personalidade irresistível. 

Katerina
Petrovna
Zamolodchikova
But your dad
Just calls me
Katyaaaaaaaaa
I’m the bright red scare
With the long blonde hair
Always keep ’em coming back for more
You’re a basic ass ho
And it’s your time to go
So bitch let me show you the door
’Cause it’s me who’s getting laid
And I’m always getting paid
The only high-class Russian whore
I’m a scorching hot mess
In a skintight dress
That’s a rash, not a Herpes sore
Lenin the streets, Dostoevsky in the sheets
Baby are you ready for this Cold War?
Katya
Zamo
Lod-chi-koh-vah!

O que Katya fez durante sua cena foi apresentar exatamente o tipo de personagem que ela é. Toda a sua personalidade derramou em cada frase, cada rima, cimentando sua passagem pelo programa como a campeã moral de All Stars. É fácil entender porque os fãs a coroaram, especialmente após a birra da Alaska no episódio passado. Katya, assim como a competidora, está preparada para receber a coroa e o público sabe que ela está, e quer que ela receba. Sua personalidade brilha por qualquer lugar que passa e mesmo não sendo a campeã, ela permanecerá eternizada como a rainha da segunda edição de All Stars. Mas dentro da balança do merecimento, ela não é, este posto pertence a outra. 

No discurso final fica mais fácil ver como Alaska está pronta, ao lado de Katya. Enquanto a musa do HIEEEE impõe uma batida mais cômica, explanando a importância dos fãs da série a cada frase, Katya quebra e é totalmente emocional, mesmo após ter começado com seu usual sotaque russo. É essencial lembrar que essa Alaska que terminou o programa coroada, é a mesma que tentou por cinco anos, sem parar, entrar no programa. É uma participante que buscou a coroa desde a primeira temporada da série e que não a conseguiu quando finalmente foi escolhida. Toda a sua trajetória justifica a escolha de RuPaul e por mais que eu ame Katya, seria uma injustiça muito grande não ver Alaska campeã. 

Observações

– “Anus-thing is possible.”

– “Carisma, singularidade, coragem e talento. O que essas qualidades têm em comum? Eu não sei, eu não sou uma cientista.”

– AB Soto tem as melhores roupas… e… e sorriso. 

– Rolou toda uma promoção para o podcast da RuPaul com a Michelle, What’s The Tee? E olha, ele é ótimo. Para quem está com o inglês em dia, super recomendo. 

– A edição deu toda uma atenção especial para os momentos de redenção da Alaska. Isso que eu chamo de controle de danos. 

– Byeeeeeennn! E até a próxima temporada – não teremos crítica da reunião. 

Existe justiça em RuPaul's Drag Race All Stars? Bom, se formos pensar em termos de desempenho, sim, existe justiça em RuPaul's Drag Race e ao mesmo tempo, não, não existe. Entrou em pane? Nós também. Toda a proposta deste segundo ano de All Stars foi a de demonstrar como o poder corrompe e como nós reagiríamos dentro da posição de jurados de um reality show. Ano após ano vários fóruns são montados, postagens no Facebook e outros inúmeros textos demonstrando como RuPaul é injusta e como suas decisões são, por vezes, erradas. Reclamamos de eliminações, de coroações, fazemos nossas próprias listas, imaginamos várias possibilidades…

RuPaul's Drag Race

All Star Supergroup

Nota

Termina a segunda temporada de All Stars, com um episódio justo, mesmo que a maioria dos fãs discorde. A qualidade, porém, não tem discussão, a melhor em muito tempo e bem superior a temporadas como a sétima, por exemplo.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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  • Gilson Amorim

    Oiiiii kkk parabéns pela crítica! Concordo 100 % com vc! Alaska mereceu sim ganhar, ela de longe foi a mais preparada. Achei lindo ver tanto esforço é dedicação serem recompensados. Não acho legal jogarem pedras nela por conta do surto… imagina a pressão na cabeça dessa criatura? Então parabéns Alaska! Mas meu coração será sempre da katya hahhahah desde a season 7. Foi muito bom vê-la novamente. Enquanto só fato da roxxy estar ali, foi injusto com a alyssa? Sim, foi! Mas não mudaria o fato de que está temporada foi da Alaska! Condragtulations hahahaha