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Crítica|Justiça Jovem – Segunda Temporada

Desde o lançamento de Batman: A Série Animada, em 1992, o universo das animações baseadas em HQs nunca mais foi o mesmo. A séries da DC/Warner tiveram um olhar mais adulto e sério na forma de apresentar seus heróis dos quadrinhos, sob a batuta do produtor Bruce Timm. Mais de duas décadas com produções de alta qualidade e com sucesso de público inquestionável.

Além das animações em longa metragem, como Batman: Bad Blood, Liga da Justiça: Deuses e Monstros, Liga da Justiça: O Trono de Atlântida, também tivemos as séries animadas direto para a TV como Superman: A série animada, Batman do Futuro, Super Choque, Liga da Justiça e Justiça Jovem.

Esta última talvez seja aquela que foi mais fundo na mitologia dos quadrinhos da DC Comics, trazendo personagens pouco conhecidos para a maioria do público e já na onda do boom dos filmes de super-heróis, aproveitando a boa recepção do público para estas produções. Assim, tivemos uma primeira temporada de alta qualidade, que já falamos AQUI, e a boa audiência fez com que o Cartoon Network solicitasse uma segunda temporada.

A segunda temporada de Justiça Jovem (Young Justice) recebeu o predicado Invasão e se passa 5 anos após a primeira temporada. O subtítulo da nova fase já explica um pouco da trama. Resumidamente, um grupo alienígena chamado Expansão que se aliam ao grupo de vilões da primeira temporada, a Luz, para transformar os maiores heróis do planeta em criminosos intergalácticos. Apesar de cada episódio parecer um mini conto independente, possui acontecimentos que se interligam formando um grande plano de fundo da história principal.

Enquanto a Liga da Justiça tenta limpar sua imagem perante as autoridades do universo, passando por um julgamento fora da Terra, cabe aos jovens heróis descobrirem quais os planos da Expansão e impedir que a humanidade seja subjugada por essa raça alienígena.

Se na primeira temporada temos os heróis mirins aprendendo a trabalhar em equipe e tentando provar o seu valor perante a Liga da Justiça, na segunda temporada temos os heróis mais centrados, desenvolvidos e maduros, porém com problemas mais complexos que são abordados a cada episódio.

Na primeira temporada, Kaldur’ahm (ou só Kaldur, o Aqualad), filho do vilão Arraia Negra, era o líder da equipe, mas agora ele se voltou contra seus companheiros e faz parte da Luz ao lado de seu pai, Ra’s Al Ghul, Vandal Savage e outros vilões. Quem assume a liderança dos heróis mirins é Dick Grayson, agora Asa Noturna, e que passou o manto do Robin para Tim Drake. Kid Flash e Artemis se “aposentam” dando lugar para novos integrantes, como Impulso, Besouro Azul e Super Choque. Muitos outros participam do time, como Batgirl, Mutano, Lagaan, Cyborg, Zatana, Ravena, porém como personagens não fixos.

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O grande número de personagens é algo positivo e negativo. Positivo, pois apresenta personagens novos ao universo dos jovens heróis (que poderia ser comparado aos Titãs das HQs) e negativo, pois vários heróis podem passar despercebidos e que você nem se lembrará o nome no episódio seguinte.

Dick Grayson, Miss Marte e Kaldur talvez sejam os personagens mais interessantes de toda a série.

O primeiro parceiro do Batman é o que apresenta maior evolução nos 46 episódios da série, indo do Robin brincalhão que tem pouco a acrescentar em um tipo de super-seres até o maduro Asa Noturna, líder e com nível de habilidades que se aproximam ao de seu mentor.

Kaldur passa do líder dos jovens heróis para o traidor capaz de matar uma amiga, tudo para provar seu valor para o pai. Teve sua origem escondida por anos por seu mentor, Aquaman, e quando descobre de onde realmente veio, decide assumir seu posto como sucessor do Arraia Negra. A mudança de lado foi parte de um grande plano para se infiltrar na organização Luz, e mostra o quão corajoso Aqualad pode ser, enganando os maiores vilões da Liga da Justiça.

Já Miss Marte é o retrato de muitos jovens (e por que não adultos?), com baixa autoestima, disfarçando-se sempre para ser aceita no grupo e tentando agradar a todos. Mesmo sendo mais poderosa que vários heróis da Liga da Justiça, sua imaturidade emocional a torna uma heroína muitas vezes insegura e até indefesa.

Além dos heróis, muitos vilões dão as caras, como Exterminador, Tigresa, Mongul, Lex Luthor, Darkseid, etc. Além da participação de personagens pra lá de especiais, como Lobo.

O final da segunda temporada, apesar de não ser tão grandiosa quanto esperávamos, possui uma ótima season finale com 2 episódios, com reviravoltas, a morte de um herói e deixando pontas para uma nova temporada.

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Além da trama, é possível notar também uma melhora na animação da primeira para a segunda temporada. Assistindo as duas temporadas em sequência é possível perceber uma melhora considerável na animação e no design dos personagens.

Uma das coisas que não me agradou muito foi a versão brasileira de Justiça Jovem. Apesar dos heróis serem adolescentes, a infantilização das vozes foi algo desagradável, nem tanto na segunda temporada, muito mais na primeira. Espero que na terceira temporada isso seja levado em consideração pela equipe de dublagem: Justiça Jovem e não Justiça Baby.

Young Justice, apesar de ser produzida para o canal Cartoon Network e com o intuito de vender brinquedos, possui uma história complexa e coerente. Alguns temas densos e a forma profunda como vários personagens são trabalhados ao longo das duas temporadas, transformaram a série em uma das melhores já produzidas pela DC/Warner.

Apesar do sucesso de crítica e de público, a série não agradou os executivos do CN, que esperavam lucrar mais com os produtos relacionados ao desenho. Muitos bonecos da primeira temporada ficaram encalhados nas prateleiras das lojas e alguns planejados da segunda temporada nem foram lançados. Além disso, o próprio canal exibiu a série com lacunas de várias semanas entre um episódio e outro, fazendo com que muitos espectadores abandonassem a história e vieram a assistir muito depois pela internet.

A segunda temporada terminou em 2013 e deixou muitos fãs de coração partido após o anúncio de cancelamento. Mas para nossa alegria, recebemos a notícia de que uma 3ª temporada está sendo produzida e que será lançada em 2017. Vamos torcer para que ela mantenha a mesma qualidade das duas primeiras temporadas e que dê fôlego para muitas outras temporadas dos jovens heróis.

E nas novas HQs da DC, DC Rebirth, Aqualad se assumiu gay. Será que veremos isso acontecer na nova temporada? Não custa torcer.

Desde o lançamento de Batman: A Série Animada, em 1992, o universo das animações baseadas em HQs nunca mais foi o mesmo. A séries da DC/Warner tiveram um olhar mais adulto e sério na forma de apresentar seus heróis dos quadrinhos, sob a batuta do produtor Bruce Timm. Mais de duas décadas com produções de alta qualidade e com sucesso de público inquestionável. Além das animações em longa metragem, como Batman: Bad Blood, Liga da Justiça: Deuses e Monstros, Liga da Justiça: O Trono de Atlântida, também tivemos as séries animadas direto para a TV como Superman: A série animada,…

Justiça Jovem

Segunda Temporada

Nota

Além da trama, é possível notar também uma melhora na animação da primeira para a segunda temporada. Assistindo as duas temporadas em sequência é possível perceber uma melhora considerável na animação e no design dos personagens.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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