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Especial|Nossa velha conhecida, SIDA

Dia 1º de dezembro é o Dia Mundial de Combate ao HIV e a AIDS (VIH, Vírus da Imunodeficiência Humana e SIDA, Síndrome de Imunodeficiência Adquirida). E apesar da evolução na medicina no combate e no tratamento ao vírus HIV, este ainda é um assunto tabu para população em geral.

A maioria das pessoas conhece pouco sobre o vírus e as opções de tratamento disponíveis atualmente, limitando-se ao ultrapassado jargão “use camisinha”. O medo da “contaminação” já começa só de pronunciar as siglas assustadoras. Pesquisar sobre HIV e AIDS (que não são a mesma coisa) pode dar entender as pessoas ao redor que eu seja soropositivo (ou como muitos pronunciam de forma totalmente insultuosa, aidético).

Mesmo agora nos aplicativos de “pegação”, onde é possível informar o seu status sorológico e/ou a data da última testagem para o vírus, muitos omitem ou mentem tal informação.

Tudo isso acontece devido ao grande estigma que se criou ao redor da chamada “praga gay”. A AIDS matou muitas pessoas na década de 80 e início dos anos 90, e foi uma dolorosa prova que os LGBTs enfrentaram na luta por tratamento digno de saúde, seja no Brasil ou no resto do mundo.

A doença foi algo tão forte que moldou grande parte da “cultura gay” como a conhecemos hoje. As pessoas contaminadas com o vírus HIV, sem tratamento na época, definhavam, e muitas vezes eram aparentes aqueles que estavam nos estágios avançados da doença. Isso fez com que muitos dos homens gays buscassem academias de musculação para se dissociar de um corpo que pudesse indicar doença. Para não ser visto como um corpo doente buscou-se o corpo “sarado”. E assim vemos até hoje entre os gays (talvez hoje com algumas outras variantes).

Mas mesmo após o desenvolvimento de medicamentos eficazes no controle do vírus HIV e da adoção dos governos mundiais na luta pela prevenção da doença, a doença ainda é um estigma social. Um indivíduo homossexual e soropositivo é duplamente estigmatizado, uma vez que será um possível alvo de discriminação devido suas duas condições.

Na década de 80, acreditava-se que os LGBTs, usuários de drogas e profissionais do sexo eram o grupo de risco que contraiam e disseminavam a doença. Hoje, após pesquisas, sabemos que não há mais um grupo mais vulnerável.

Assim como já comentei em outros textos, falta informação. Mais ainda, falta conhecimento sobre o assunto. Falta falar sobre o assunto. E não falar apenas com uma propaganda obsoleta, como as atuais políticas públicas fazem, com a velha frase “use camisinha”. A questão não é apenas usar o preservativo. Se fosse apenas isso o vírus já teria sido erradicado.

Falta uma análise psicossocial sobre o HIV. Entender porque a esmagadora maioria dos gays tem medo de fazer o teste. Falta entender porque os jovens são o grupo que continuam aparecendo nas estatísticas de novas contaminações. Falta discutir porque as novas formas de prevenção (TARV, PReP e PeP) são desconhecidas pela maioria da população.

O HIV tem tratamento, e muito eficaz, diga-se de passagem, e gratuito no Brasil (pelo menos nos grandes centros). É raro uma pessoa desenvolver a SIDA (baixo número de linfócitos CD4, que deixa o sistema imunológico vulnerável a outras infecções) nos dias de hoje. Aqueles que são diagnosticados precocemente, possuem atendimento e acompanhamento periódico, mantendo o vírus sob controle.

Atualmente indivíduos soropositivos (diagnosticados e em tratamento adequado) possuem menor probabilidade de transmitir o vírus HIV para um parceiro do que um indivíduo que desconhece o seu status sorológico. Algumas pesquisas mais recentes mostraram que aqueles que fazem o tratamento de forma correta e adequada, atigem nível indetectável do vírus HIV no sangue.

Por isso é fundamental o teste para saber o status sorológico e iniciar o tratamento, no caso de um resultado positivo. E se prevenir para não contrair outras DSTs.

Existem muitas ONGs e grupos de aconselhamento e suporte para indivíduos soropositivos, que ajudam as pessoas a lidarem com sua nova condição, além de auxiliar com questões emocionais e até jurídicas.

O HIV não é mais o grande vilão da história. Precisamos combater a ignorância e o preconceito, que fazem um vírus tão pequeno causar ainda tanto estrago. Empoderamento e “lacre” são inúteis sem conhecimento.

Mais informações, veja estes sites abaixo.

Centro de Referência e Treinamento HIV/AIDS em São Paulo: http://www.saude.sp.gov.br/centro-de-referencia-e-treinamento-dstaids-sp/

Portal sobre AIDS, DSTs e hepatites virais: http://www.aids.gov.br/pagina/o-que-e-aids

Página do Grupo de Incentivo à Vida: https://www.facebook.com/grupodeincentivoavida/

Grupo Pela Vidda no Rio de Janeiro: http://www.pelavidda.org.br/site/index.php/reuniao-de-recepcao/

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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  • Renné Francisco

    Quando você começa a ler, e ver outros materiais sobre a época do aparecimento do HIV/AIDS, questiona-se se esse mal veio, simplesmente da natureza, ou foi criado e inserido justamente na minoria que certos governos queriam eliminar da terra. Duvidam? Uma hora tiraremos essa dúvida.
    Mas que foi muito estranho, foi.