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Crítica|3% – Primeira Temporada

Apesar de ser assinante da Netflix e de ter ficado animado quando anunciaram a produção, demorei um pouco para finalmente assistir a série e talvez tenha sido melhor assim.

Tive tempo para ler e ouvir algumas opiniões que me fizeram ter um outro olhar. Dois motivos fizeram com que eu fosse em frente em minha empreitada. Um deles é o quinto episódio, que pode ser definitivo para passar a perceber como a série é boa. O segundo é que precisamos alinhar as nossas expectativas com esse produto, afinal estamos tão acostumados a ver series americanas que estranhamos quando assistimos algo nacional que fuja do padrão Globo. Tendo isso em mente fui em frente e não me decepcionei, apesar de ter ficado incomodado com algumas coisas.

3% surgiu em 2011 com três web episódios de 26 minutos no total. Alguns anos depois, quando a Netflix decidiu iniciar sua entrada no mercado brasileiro, o serviço de Streaming investiu na série, algo que causou uma ansiedade em muita gente para ver qual seria o resultado do investimento.

A série se passa num futuro distópico, onde apenas 3% da população tem a acesso ao “Lado de Lá”, que seria um lugar perfeito para se morar, onde não existem doenças e todos convivem em harmonia. Enquanto isso, as pessoas do “Lado de Cá”, que desejam entrar nessa sociedade, devem participar de um processo eliminatório. 

Os primeiros episódios servem para apresentar os personagens e um pouco do universo que é construído aos poucos, e como eu havia dito antes, por estarmos tão acostumados a produções americanas talvez exista um estranhamento ao perceber alguns personagens com falas que parecem extremamente ensaiadas. Isso pode ter afastado algumas pessoas e também é uma questão que chega a incomodar um pouco, já que em alguns momentos tudo parece artificial demais, perfeito demais.

Outro detalhe que me incomodou é que o “Lado de Cá” deveria estar lotado com o restante dos 97% da população e ás vezes faltam figurantes para dar uma preenchida em alguns ambientes, mas esse é um pequeno detalhe porque talvez por uma questão de orçamento não fosse possível contratar ainda mais gente.

Algo que também chama a atenção é que mesmo os lugares que deveriam carregar uma atmosfera de sujeira parecem muito limpos. Fica perceptível que só espalharam alguns papéis em alguns locais dos cenários, empilharam algumas coisas em outros e não se importaram em deixar as coisas realmente sujas. Isso estraga um pouco a sensação que os cenários deveriam passar, mas mais uma vez precisamos fechar os olhos, ou melhor, ignorar esses pequenos detalhes e seguir em frente, afinal as coisas realmente boas ainda estão por vir.

O elenco é bastante diversificado, tem pessoas negras em papéis de destaque, tem mulheres que não servem apenas como interesse romântico e que realmente são personagens fortes e importantes para trama e o personagem deficiente não é apenas um coitadinho, ele tem importância para história. Inclusive a relação do Fernando com a Michele subverte os relacionamentos que estamos acostumados a ver, onde o homem é a pessoa forte e destemida, enquanto a mulher fica responsável pela parte sentimental e apaixonada.

A Joana é uma das personagens que eu mais gostei e que de início parece apenas uma pessoa amarga. Com o passar dos episódios a personagem uma grande importância e que surpreende até o final do seriado. Ela é inteligente, forte e destemida – inclusive gostaria de falar mais sobre ela, mas não há como fazê-lo sem entregar alguns detalhes da trama.

Até o episódio quatro todos os problemas citados acima são um pouco incômodos, as atuações muitas vezes parecem forçadas, mas o quinto episódio, que é um flashback, serve para explicar muito sobre um personagem, para aprofundar ainda mais a série e tem um plot sensacional. A partir daí é tiro porrada e bomba. Em cada episódio temos uma surpresa diferente e as coisas começam a se desenrolar para um caminho que não era esperado, tanto que até o episódio final as coisas parecem encaminhar para um destino e toma um rumo totalmente diferente. Os problemas criados são resolvidos, mas mesmo assim eles foram capazes de deixar uma grande expectativa para saber o que acontece após o fim do processo.

Se você ainda não assistiu porque tem algum preconceito com o produto nacional está perdendo a oportunidade de ver uma série de ótima qualidade. 3% tem sim seus erros, mão podemos esquecer que essa é a primeira produção feita no Brasil pela Netflix e que é o ponto inicial para aprimorarmos ainda mais esse tipo de conteúdo. No mais fico no aguardo da segunda temporada, fiquei curioso para saber qual vai ser o rumo que eles vão dar para alguns personagens. E vocês o que acharam da série? Diga aqui nos comentários se você já assistiu e o que achou de 3%.

Apesar de ser assinante da Netflix e de ter ficado animado quando anunciaram a produção, demorei um pouco para finalmente assistir a série e talvez tenha sido melhor assim. Tive tempo para ler e ouvir algumas opiniões que me fizeram ter um outro olhar. Dois motivos fizeram com que eu fosse em frente em minha empreitada. Um deles é o quinto episódio, que pode ser definitivo para passar a perceber como a série é boa. O segundo é que precisamos alinhar as nossas expectativas com esse produto, afinal estamos tão acostumados a ver series americanas que estranhamos quando assistimos algo nacional que…

3%

Primeira Temporada

Nota

3% tem sim seus erros, mão podemos esquecer que essa é a primeira produção feita no Brasil pela Netflix e que é o ponto inicial para aprimorarmos ainda mais esse tipo de conteúdo.

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Sobre Angresson da Silva

Nascido em 88, ariano, meio diferentão devido ao ascendente em aquário e que adora conhecer novos animes, mangás, HQ’s, jogos, filmes e séries, sempre se preocupando com a representatividade em todas essas mídias. Ainda não formado, mas gosta de escrever suas opiniões e se auto intitula um Nerd Fajuto por não se identificar com os padrões de muitos Nerds.

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  • Maike Alves

    3% recebeu muitas críticas negativas a toa. Temos a mania de desdenhar daquilo que produzimos. Não é perfeita, mas entrega aquilo que propõe. O casal principal eu achei um pouco forçado e sem química, e as escolhas do protagonista por causa da menina que acabou de conhecer são questionáveis. Mas fora a atuação que é bem malhação, a história é bem elaborada, original e os efeitos de produção são lindos… Afinal estamos falando de Netflix né!