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Crítica|O Monstro do Armário [2015]

O trauma pode ser um monstro dentro de você. Esta é a temática base de Monstro do Armário, filme escrito e dirigido por Stephen Dunn. 

Ainda pequeno Oscar ganha de presente um hamster, dublado por Isabella Rossellini, e que é dado pelos pais para amenizar o impacto da notícia de que sua mãe estava indo embora. A mãe (Joanne Kelly) decidiu abandonar o pai (Aaron Abrams) e consequentemente o filho, por não suportar mais os ataques feitos por Peter, um homem descontrolado e possessivo, que apesar de um bom pai, não consegue lidar com qualquer situação de abandono – além de ser um pouco babaca também. 

Lançado em 2015 no Canadá, o longa trata de Oscar, interpretado por Jack Fulton na infância e Connor Jessup na adolescência, que aos sete anos de idade testemunha um violento crime de ódio cometido em um cemitério próximo a sua escola. Em um momento traumatizante, o pequeno Oscar vê um rapaz sendo agredido a socos e pontapés e violentado por um grupo de homofóbicos com uma barra de aço. Quando chega em casa o “conforto” que encontra através do pai apenas piora a situação, aquilo aconteceu porque o garoto era gay e Oscar teria que ganhar um corte de cabelo. Sem a mãe e assombrado, Oscar tem sua vida moldada por aquele acontecimento.

Já na adolescência o encontramos trabalhando para se tornar um maquiador em uma renomada academia de arte cinematográfica, talvez inspirado por anos acompanhando Buffy a Caça Vampiros e seu bestiário de demônios e vampiros altamente maquiados e cobertos por próteses de látex. Sua melhora amiga, Gemma (Sofia Banzhaf), uma aspirante a modelo e levemente apaixonada por Oscar, até perceber sua orientação sexual – antes mesmo que o amigo, é constantemente usada como “rato de laboratório” para as criações do rapaz. 

O filme mostra como o ódio e o medo podem atacar não apenas a mente, mas também o corpo de um adolescente traumatizado. Não existe nada de muito novo na história, afinal estamos acompanhando o drama da aceitação de jovens homossexuais desde os primórdios do cinema LGBTQ. Enquanto o lado feminino já anda um pouco mais distante deste tema, os dramas da descoberta ou o surto de HIV/AIDS continuam sendo os assuntos mais atraentes para a industria do cinema ao retratar a vida de homens gays. Não trate este parágrafo como uma crítica direta a produção, mas recentemente enquanto estive analisando todos os filmes direcionados ao público LGBTQ que assisti nos últimos dois anos, notei que a massiva maioria trata do mesmo tipo de assunto.

Existem exceções a regra e o que Stephen Dunn fez em Closet Monster demonstra uma vontade muito grande de fazer algo diferente com a temática já batida, mas no final ainda estamos presos no mesmo tipo de abordagem. Fico feliz, porém, ao perceber que estes longas estão recebendo cada vez mais apoio e prêmios. Closet Monster foi premiado e muito elogiado no circuito alternativo de 2015, especialmente no Canadá, onde foi lançado oficialmente. Logo ter a “palavra” sendo difundida e reconhecida por sua qualidade é algo muito importante, mesmo que o tema continue um pouco batido, apesar de sempre atual. 

A imposição da sociedade a respeito do que faz de você um homem gay, ou não, além do crime que Oscar vê, o levam a reprimir toda sua sexualidade, forçando-o a conviver com um monstro dentro do próprio corpo. Tudo muda quando ele, aos dezessete anos, conhece Wilder (Aliocha Schneider), despertando dentro do jovem rapaz uma maré de sentimentos e também a fúria do monstro que ele guarda dentro de si. 

O grande problema é que Oscar não está preparado para lidar com a própria questão da sexualidade que ele reprimiu por tanto tempo. Ser um jovem virgem de 18 anos apenas ajudou a cimentar todo o seu medo de ter uma vida próxima a do jovem que ele viu ser violentado por uma barra de aço e que terminou paralisado da cintura para baixo, enquanto ainda era criança. Por esse motivo a estilística adotada por Dunn alterna as cenas do presente com a dolorosa presença do crime no cemitério. Até mesmo as fantasias eróticas de Oscar são assombradas e o reflexo externo, além de uma grande dor no estômago, é a raiva que Oscar externaliza em momentos chave de sua vida. 

Dentro do que se propõe Closet Monster passa uma mensagem muito interessante, além de balancear bem um tom mais caótico e permeado por sensações conflituosas, facilmente relacionáveis se você, assim como eu, já fantasiou momentos da sua vida e temeu pela presença do fantasma do confronto. O monstro no armário, que também pode ser interpretado como as roupas da mãe que o pai de Oscar guarda no guarda-roupas do filho por 10 anos após o divorcio, é muito mais do que apenas uma sensação, mas uma barra de ferro atravessada dentro do corpo de um jovem rapaz que nunca teve a oportunidade de realmente viver. 

O trauma pode ser um monstro dentro de você. Esta é a temática base de Monstro do Armário, filme escrito e dirigido por Stephen Dunn.  Ainda pequeno Oscar ganha de presente um hamster, dublado por Isabella Rossellini, e que é dado pelos pais para amenizar o impacto da notícia de que sua mãe estava indo embora. A mãe (Joanne Kelly) decidiu abandonar o pai (Aaron Abrams) e consequentemente o filho, por não suportar mais os ataques feitos por Peter, um homem descontrolado e possessivo, que apesar de um bom pai, não consegue lidar com qualquer situação de abandono - além de ser um pouco…

O Monstro do Armário

Filme

Nota

O Monstro do Armário pega uma temática batida e a transforma em algo visualmente incrível ao utilizar uma estética interessante para um filme que basicamente é sobre a descoberta sexual de um jovem de 18 anos que conversa (e escuta) o hamster de estimação.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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