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Indicação Nerd | Série: Big Little Lies

Você gosta de suspense? Séries policiais? Dramas de família? Segredos e mentiras? Personagens complexos? Mulheres fortes? Atrizes famosas?

Se você respondeu “sim” para essas perguntas, você tem obrigação de conhecer a série “Big Little Lies”. Com um elenco de peso e uma produção perfeitamente trabalhada, a nova série da HBO promete ser uma das melhores de 2017.

A série é focada em três mulheres que são mães de crianças da mesma idade na cidade de Monterey. Madeline Mackenzie, mãe de uma criança e uma adolescente, uma mulher segura de si e que não leva desaforo pra casa, Celeste Wright, que abriu mão de sua carreira como advogada para dedicar-se ao marido e aos filhos e Jane Chapman, mãe solo recém chegada na cidade e que esconde alguns segredos.

As relações das três mulheres com seus maridos, filhos, ex-maridos e colegas de trabalho são recheadas de conflitos, sem falar nos sentimentos pessoais de cada uma em relação à carreira, maternidade e independência. Seja com Madeline tendo que ver o ex-marido vivendo com uma mulher mais nova, Celeste lidando com crises no casamento ou Jane fazendo uma inimiga no primeiro dia de aula do filho, a série já apresenta conteúdo suficiente para desenvolver uma trama interessante. Mas tudo fica muito mais profundo ao sabermos que um assassinato irá acontecer, sem que saibamos quem é o assassino e quem é a vítima.

Madeline, Jane e Celeste, cada uma com seus filhos, no primeiro dia de aula das crianças.

Isso mesmo. A série começa na noite do assassinato e somos apresentados aos investigadores entrevistando os convidados da festa. Conforme o depoimento de cada um constrói a narrativa, passamos a entrar nos universos dessas três mulheres. Ao longo dos episódios, vamos conhecendo melhor suas personalidades, suas famílias e seus anseios por meio de flashbacks, enquanto a investigação se desenrola, no presente, apresentando novos detalhes do assassinato a cada cena.

Sim, é um murder-mystery, mas essa imagem NÃO é um spoiler do assassinato.

Pode parecer confuso lendo assim, mas a produção sabe construir uma narrativa audiovisual que faz tudo ficar bem claro. Isso é, quando eles querem, porque há certas cenas que são propositalmente confusas, nos deixando curiosos sobre o passado de alguns personagens ou sobre o assassinato em si.

Se você está olhando torto para a série porque ela tem “Little Lies” no nome e fala sobre amigas e um mistério, fique sabendo que as semelhanças com Pretty Little Liars param por aí. Diferentemente da série adolescente, Big Little Lies é uma produção para um público mais maduro, não focando tanto no assassinato, mas também em dramas cotidianos e inseguranças das personagens.

Apesar dos nome, a série não é sobre adolescentes fazendo adolescentices.

A série é baseada no livro de mesmo nome escrito por Liane Moriaty, com roteiro de David E. Kelley, que tem 10 Emmys no currículo. Outro nome de peso na produção é Jean-Marc Vallée, que dirige a série e também assinou a direção de filmes como Livre (2014) e Clube de Compras em Dallas (2013).

Não só a equipe por trás das câmeras é competente e consegue apresentar um trabalho incrível, como é de se esperar de uma série da emissora que faz Game Of Thrones e Westworld, mas o elenco também eleva a produção a outro nível.
No papel de Madeline temos Reese Witherspoon, famosa por filmes como Legalmente Loira (2001), E Se Fosse Verdade (2005) e Livre (2014), atriz que já ganhou Oscar, BAFTA e Golden Globe. Celeste é interpretada por Nicole Kidman, uma das musas de Hollywood que além de também já ter levado estatuetas do Oscar, BAFTA e Golden Globe para casa, também já foi indicada ao Emmy, o maior prêmio da televisão americana. Jane, a terceira protagonista, ganha vida na interpretação de Shailene Woodley, atriz que com apenas 25 anos já recebeu 27 prêmios e protagonizou filmes de grande repercussão como A Culpa É Das Estrelas (2014) e Divergente (2014).

As atuações de Shailene Woodley, Reese Witherspoon e Nicole Kidman tornam as personagens infinitamente mais profundas e verossímeis.

Além das três estrelas, também temos Alexander Skarsgård (True Blood), Adam Scott (Parks and Recreation), Zoë Kravitz (Divergente), James Tupper (Revenge) e Jeffrey Nordling (Desperate Housewives). Uma atriz que merece destaque é Laura Dern, vencedora de três Golden Globes e famosa por filmes como Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993), A Culpa É Das Estrelas (2014), Livre (2014) e Fome de Poder (2016), sem contar que vai estar no próximo filme da franquia Star Wars. Laura interpreta Renata Klein, a antagonista rica e antipática que promete dar muita dor de cabeça a Madeline, Celeste e Jane.

A produção foi certeira ao escolher Laura Dern para interpretar a egoísta Renata Klein.

Misturando drama, suspense e mistério, a HBO entrega uma obra que consegue entreter o público enquanto aborda assuntos delicados como maternidade, envelhecimento, relacionamentos abusivos, bullying e problemas familiares. Sempre de uma forma sensível e cuidadosa, a fim de construir personagens complexos e verossímeis sem cair em estereótipos ou clichês sobre mulheres.

Falando sobre mulheres, a representação da diversidade delas é um tanto restrita. Há apenas duas mulheres negras na produção, sendo que apenas uma tem um papel significativo. Além disso, apenas uma oriental aparece, mas seu papel é pequeno. O mesmo vale para os homens, pois apenas um negro com papel pouco relevante é apresentado. Nos quatro primeiros episódios não houve qualquer sinal de personagens LGBT+ bem desenvolvidos ou importantes para a história. Existem dois personagens – homens brancos padrão – que aparecem, mas não fazem a menor diferença na narrativa. Tirando isso, há só uma fala de Madeline ao conhecer Jane, perguntando se ela tem “marido, namorado ou namorada?”. Nada além disso. Mulheres de classe baixa também não estão muito presentes, sendo que Jane é a única personagem que não possui uma casa grande e um carro de luxo. A representatividade de outras minorias, como latinos, indígenas ou pessoas com deficiência não existe ou não apareceu na forma de um personagem.

Zoë Kravitz interpreta Bonnie, a única mulher não-branca relevante na narrativa.

Se por um lado a diversidade de etnias, sexualidade ou renda não é ideal, a complexidade das personagens femininas é uma aula de roteiro. Por muito tempo representadas como meros objetos ou troféus nos roteiros audiovisuais, Big Little Lies mostra como personagens femininas fortes podem ser tão interessantes (ou mais, já que enfrentam mais obstáculos) do que personagens masculinos. A atenção com que as mulheres da série são construídas é impecável. Todas têm sua personalidade bem delimitada e única, apresentando seus anseios, medos, angústias e reflexões de forma aprofundada e verossímil. É comum que em uma série um ou outro personagem sejam bem construídos e profundos, mas a série surpreende ao trazer três protagonistas e uma antagonistas tão reais, fortes e independentes.

Big Little Lies é uma das grandes produções de 2017 e merece estar na sua lista. Seja para quem curte um bom dramão familiar, seja para quem adora juntar as pistas para descobrir quem é o assassino no final, seja para ver as performances brilhantes de atrizes consagradas ou para refletir sobre os vários papeis da mulher na sociedade atual, essa nova série da HBO vai te prender desde o começo. Aproveita que a temporada está só no começo e fique em dia com a série para não ler spoilers quando soubermos quem foi morto e quem matou!

Sobre Gregory Damaso

Estudante de Comunicação que adora todo tipo de arte. Fã declarado de cultura pop maisntream, é do tipo que não para de falar do filme ou série depois que termina de ver.

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