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Crítica | Animação – Jovens Titãs: O Contrato de Judas

Depois de O Cavaleiro das Trevas, A Piada Mortal, Flashpoint e A Morte do Superman, foi lançada agora no mês de Abril, Jovens Titãs: O Contrato de Judas (Teen Titans: The Judas Contract), a mais nova animação da DC Comics que busca adaptar mais uma HQ de sucesso da editora.

A história original foi publicada em 1984 em quatro edições, pelo roteirista Marv Wolfman e o desenhista George Pérez, com Dick Giordano na arte-final. Quem é fã da DC e de histórias em quadrinhos, conhece muito bem estes nomes e estes foram os responsáveis por Crise nas Infinitas Terras, que reestruturou o Multiverso DC. A saga foi relançada num encadernado da coleção Eaglemoss (2016), e vale a pena ser lida.

O Contrato de Judas foi um marco para a equipe Novos Titãs na época e aprofundou a história de cada integrante da equipe (na época Dick Grayson, Estelar, Mutano, Cyborg, Moça-Maravilha e Ravena). A equipe nesta época estava numa transição criada pela equipe responsável pelas HQs dos Novos Titãs, onde os heróis ainda não eram tão poderosos e experientes quanto seus “padrinhos” (Batman, Mulher-Maravilha, Superman, etc), mas também não eram tão jovens e fracos, a ponto de enfrentar perigos sozinhos. Nesta mesma saga, inclusive, Dick Grayson assume a identidade de Asa Noturna pela primeira vez.

Mas vamos a animação.

A história é continuação da animação Liga da Justiça Vs Jovens Titãs (2016). Vemos a formação dos Jovens Titãs, com Arsenal Ricardito, Kid Flash, Mutano, Abelha e Robin (Dick Grayson), enfrentando uma invasão alienígena e o primeiro contato com Estelar.

Saltando para os dias atuais, os Titãs já estão com os integrantes do universo das animações da Warner/DC, com Ravena, Mutano, Robin (Damian Wayne), Asa Noturna, Estelar, Besouro Azul (Jaime Reyes) e Terra. A equipe está investigando uma seita misteriosa, conhecida como Colmeia (H.I.V.E. no inglês, que apareceu inclusive na série Arrow).

Os Titãs apesar de já trabalharem em equipe, possuem pouca afinidade entre eles, especialmente com o moleque chato Damian e Terra. Damian continua o mesmo personagem chato, com habilidades marciais altas, mas com uma personalidade irritante e aquela pose de “bad boy” de 1,5 m de altura. Terra ou Tara também não é das mais amigáveis. Ela está sempre distante do time, além de uma personalidade agressiva, que tem uma explicação para agir assim.

Besouro Azul, apesar de ter sua história trabalhada em certos momentos, se torna um personagem sem nenhum peso relevante na trama. Mutano também é outro personagem pouco valorizado na animação, servindo apenas como alívio cômico em alguns momentos, algo que remete as péssimas animações “Teen Titãs” do Cartoon Network. Estelar possui maior participação na história, com seu relacionamento com Dick Grayson e sua liderança dos Titãs. Mas é Dick Grayson que tem maior participação na história, como membro mais antigo do time e praticamente responsável por todos ali, além de dividir a autoridade com sua amada Estelar.

Na animação, Damian e Ravena são os únicos que suspeitam do comportamento de Tara. Damian inclusive é o primeiro a investigar a colega de equipe, o que o coloca em confronto com o Exterminador. O vilão vence o filho do Batman com ajuda de Terra, e assim mantém seu plano em curso.

Apesar de Tara estar do lado do Exterminador, percebemos que há uma incerteza sobre seus sentimentos em relação aos Titãs. Eles a acolheram como uma família e tentam se aproximar da colega, para que ela se sinta pertencente aos Titãs, especialmente Mutano que tem uma quedinha pela loira.

Após sequestrar todos os Titãs para a máquina da Colmeia, Exterminador vai atrás de Dick Grayson, e temos uma ótima sequência de luta entre o pupilo do Batman e o maior mercenário do planeta. A luta entre os dois é bem fiel aos quadrinhos, mantendo a sequência idêntica as páginas da HQ. Outra sequência idêntica aos quadrinhos, repetindo até as mesmas palavras, é quando Slade Wilson apresenta Terra aos Titãs como sua comparsa. Esses fanservices fazem vários pontos negativos da animação serem relevados.

Apesar de um roteiro muito próximo da obra original, a relação entre a Colmeia e o objetivo da seita é confusa e não fica muito clara sobre o contrato feito com o Exterminador na animação.

Nas HQs, como todos já devem saber, Terra morre como vilã que traiu os Novos Titãs. Na animação a morte da personagem não fica muito clara. Fica a ideia de que ele morreu, porém somente a fala dela no passado por parte do Mutano sustenta essa ideia.

A história em quadrinhos deixa a morte da vilã bem clara, com direito a funeral, lápide e tudo, mas isso para mostrar a maturidade dos Titãs em não expor a traição de Terra aos seu meio-irmão, Geoforça. A incerteza sobre a morte de Terra na animação prejudica um pouco o final da trama, afinal este acontecimento era algo que poderia aprofundar ainda mais os personagens em produções futuras, mas sabemos que Terra pode voltar a vida uma certa hora, assim como aconteceu na HQ, então é perdoável. 

A morte de Tara nas HQs tornou os Titãs mais adultos, fazendo com que a equipe ficasse balançada, afinal foram enganados por uma pessoa em que confiavam e isso os forçou a serem mais rígidos consigo e com os próximos integrantes da equipe.

Nas HQs, Terra foi imaginada como vilã desde o começo. Depois de integrar os Titãs, ela continuou como espiã, que mentia e fazia coisas suspeitas, coletando informações dos integrantes da equipe. Lembrando que era uma época onde não haviam heróis ambíguos ou caídos. A linha entre herói e vilão era bem definida, e por isso a atitude de Terra justificou o nome da saga com o nome Judas.

A animação foi dirigida por Sam Liu, responsável por várias outras animações como Batman: A Piada Mortal e Liga da Justiça: Deuses e Monstros, e o roteiro ficou por conta do Ernie Altbacker. Na versão americana, o ator Miguel Ferrer dublou o Exterminador, pouco antes de morrer em Janeiro de 2017, vítima de um câncer de garganta.

Como sempre a animação da DC/Warner não deixa a desejar, com belos traços e um ritmo dinâmico, trazendo referências aos quadrinhos, mas com uma história que não deixa os marinheiros de primeira viagem boiando. A ideia de realizar adaptações de suas HQs mais elogiadas, no geral, tem dado um bom resultado para a DC Comics, agradando os fãs mais antigos e fazendo com que os mais novos busquem conhecer as obras originais.

 

TRAILER

Depois de O Cavaleiro das Trevas, A Piada Mortal, Flashpoint e A Morte do Superman, foi lançada agora no mês de Abril, Jovens Titãs: O Contrato de Judas (Teen Titans: The Judas Contract), a mais nova animação da DC Comics que busca adaptar mais uma HQ de sucesso da editora. A história original foi publicada em 1984 em quatro edições, pelo roteirista Marv Wolfman e o desenhista George Pérez, com Dick Giordano na arte-final. Quem é fã da DC e de histórias em quadrinhos, conhece muito bem estes nomes e estes foram os responsáveis por Crise nas Infinitas Terras, que…

Jovens Titãs: O Contrato de Judas

Animação

Nota

Uma animação cheia de referências a HQ super elogiada da DC Comics, mas com uma história adaptada para os fãs mais jovens do universo dos Jovens Titãs.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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