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Especial|O Que Esperar de American Gods

American Gods é uma adaptação do livro homônimo de Neil Gaiman, com duas temporadas garantidas, a série é produzida por Bryan Fuller (Hannibal) e Michael Green (Heroes) sob supervisão do próprio Gaiman.

‘Deuses Americanos’ foi publicado no Brasil em originalmente em 2002 e desenvolve premissas abordadas anteriormente nas páginas de Sandman, clássica série de quadrinhos também escrita por Gaiman entre 1989 e 1996. Na história, deuses e criaturas mitológicas são apresentadas como criações da mente humana e existem unicamente porque as pessoas acreditam neles, mas a medida em que as religiões enfraquecem e desaparecem, o poder dessas criaturas diminui, dando lugar a novas deidades nutridas pelas novas obsessões humanas. Velhos mitos, produtos da essência primitiva do homem e novos deuses que refletem a sociedade do consumo.

Neste contexto, conhecemos Shadow Moon (Ricky Whittle) um ex detento que pretende recomeçar a vida ao lado da esposa Laura Moon (Emily Browing), mas após uma tragédia o protagonista acaba por aceitar trabalhar para o enigmático Wednesday (Ian McShane) e juntos embarcam em uma jornada para tentar convencer os velhos deuses a se unirem em uma guerra contra as novas divindades.

A grosso modo temos uma premissa simples, entretanto American Gods é uma obra tematicamente rica, que reflete o estilo dos melhores trabalhos do seu criador. Neil Gaiman é um premiado escritor britânico, famoso mundialmente por obras como Sandman, Belas Maldições, Stadust e Coroline (estas duas últimas já ganharam excelentes adaptações no cinema). O Autor também escreveu roteiros para os filmes MirrorMask (2005) e Beowulf (2007), além de dois episódios de Doctor Who, ‘The Doctor’s Wife’ (2011) e ‘Nightmare In Silver’ (2013). Atualmente diversos de seus livros e contos estão em pré-produção para adaptações televisivas ou cinematográficas.

A histórias de Gaiman são famosas por serem diversificadas e universais. Transexuais, gays, negros e mulheres foram protagonistas de seus contos em tempos em que diversidade não eram debatidos como atualmente. Seus roteiros apelam para temas comuns que naturalmente refletiam o mundo real, narrativas e culturas de pessoas simples. American Gods explora muito desse apelo universal de suas obras, nas palavras do próprio escritor, trata-se de uma história inspirada pelos imigrantes dos Estados Unidos e das suas conexões com seu povo e cultura originais. Isso fica evidente é quando somos apresentados aos personagens da obra: Enquanto pode-se reconhecer facilmente a versões de Odin (Mr. Wednesday) ou Tot (Mr. Ibis vivido por Demore Barnes, deus egípcio da escrita, que tem como hobbie escrever histórias das pessoas que levaram os seres mitológicos para a América), as antigas deidades representadas surgem de diversas partes do mundo, trazendo um pouco de uma mitologia familiar, já que ganharam versões em diversas culturas e religiões do mundo.

O novos deuses serão representados na série principalmente por Technical Boy (Bruce Langle) deus da internet, que acredita que os velhos deuses devem ser derrotados e Media (Gillian Anderson) deusa da televisão. Este conflito entre os deuses antigo e novos pretende representar também a oposição dos aspectos mais primitivos da essência do ser humano (raiva, medo e desejo) e o cinismo e isolamento do mundo globalizado. Uma narrativa que te instiga a refletir sobre a construção histórica dos mitos e da própria sociedade, de um modo em que poucas obras conseguiram.

Não é difícil dizer o que esperar da série. Embora seja adaptação de um único livro, novas história já foram aprovadas por Neil Gaiman e há muito material para ser explorado em futuras temporadas. De certo, não repetirá o desastre de adaptações como ‘Lúcifer’ outro personagem concebido por Gaiman, que tem uma mitologia igualmente rica, mas que foi extremamente descaracterizado.

A  julgar pelas prévias, nota-se que a série irá entregar um belo espetáculo visual. Características facilmente reconhecida em outras produções de Bryan Fuller, Pushing Daisies e Hannibal que foram extremamente diferentes, mas igualmente cativantes e visualmente belas. American Gods tem um elenco de peso que inclui nomes como Ian McShane (Game Of Thrones), Gillian Anderson (X-Files), Kristin Chenoweth (Pushing Daisies), Orlando Jones (Sleepy Hollow) e Emily Browning (Sucker Punch), a série também traz alguns talentos por trás das câmeras como o diretor David Slade, que trabalhou com Bryan Fuller em diversos episódios de Hannibal.

Os quatro primeiros episódios da série já foram disponibilizados para a imprensa americana e as reações iniciais são muito positivas, elogiando não só os visual estonteante da série e o competente elenco, mas também a elevando por ser uma produção envolvente e politicamente relevante – não que essa última característica seja uma surpresa, se a premissa da série revela o âmago das relações humanas (afinal nossos mitos e lendas também são manifestações de nossos anseios, desejos e medos), é apenas natural que essa veia política seja evidente.

American Gods estreia oficialmente nos EUA no dia 31 de abril e no Brasil no dia seguinte, primeiro de maio pelo Amazon Prime Video.

Sobre Marco Antonio Freitas

Mineiro, 25 anos, formado em Serviço Social e apaixonado por séries e música desde os 16 e apreciador ocasional de HQs.

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