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Crítica | Quadrinhos – DC Rebirth [The Button]

DC Rebirth (DC Renascimento, como está sendo publicada aqui no Brasil pela Panini Comics desde abril) está caminhando muito bem, obrigada, com histórias ágeis, sólidas e revisitando tudo que já fez sucesso nas páginas da DC Comics nos últimos anos. Detective Comics, Aquaman, Mulher-Maravilha e Batgirl, por exemplo, estão caminhando com enredos interessantíssimos e descentralizando o poder da editora, antes sobre os ombros do Homem de Aço e do Homem-Morcego apenas.

Desde que foi a anunciada a reformulação do universo DC – que não é um reboot, mas está recontando a história de vários personagens, como num reboot –, a conexão entre o universo já conhecido de Batman e Cia. e Watchmen intriga os fãs. Muitos eu torceram o nariz para a conexão de um clássico tão aclamado com a bagunça do multiverso da DC Comics. Porém, esta proposta está rendendo boas vendas para a editora – que assumiu a liderança nas vendas de HQs nos últimos meses – e criando infinitas teorias entre os fãs.

Este texto obviamente cita acontecimentos da saga DC Rebirth, por isso se suas leituras não estão em dia e não quer receber nenhum spoiler, sugiro que pare por aqui.

Enquanto cada personagem do multiverso DC está seguindo sua história individual, enfrentando inimigos rotineiros, um pano de fundo é pouco a pouco explorado, sobre uma entidade mais poderosa do que tudo que já conhecemos manipulando o tempo e os acontecimentos.

Poucas informações sobre a trama principal foram fornecidas neste 1 ano de Rebirth – várias referências já foram lançadas pelos roteiristas, e quem leu Watchmen já pegou algumas -, mas com o arco The Button entramos em um terreno que todos estavam esperando. Até agora já tivemos as mensagens recebidas por Johnny Trovoada para reunir a Sociedade da Justiça, assim como o sequestro de Tim Drake, as constantes imagens de relógios e, o mais icônico até agora, o bóton do Comediante. Estas peças fazem parte do imenso quebra-cabeça que está se revelando na trama de fundo de Rebirth.

The Button (O Bóton) é um arco dividido em quatro partes, nas edições #21 e #22 de The Flash e Batman, onde o Homem-Morcego e o Flash continuam suas investigações sobre a origem do bóton encontrado na Batcaverna em DC Universe Rebirth #1. Naquela ocasião, o Kid Flash (o Wally West pré Novos 52) tentava voltar para a realidade e quando contatou o Batman, o bóton smile do Comediante veio junto.

O bóton gera uma conexão entre o universo regular de Bruce Wayne e o universo alternativo de Flashpoint, causando o reencontro entre Thomas Wayne (o Batman em Flashpoint) e seu filho. Eobard Thawne, o Flash Reverso, reaparece vivo e em busca do misterioso bóton. Em alguns segundos, Thawne parece ser transportado e retorna praticamente morto, proferindo a frase “eu vi Deus”.

Bruce e Barry tentam descobrir o que aconteceu naquela noite e quem matou o Flash Reverso. Wayne conta que viu seu pai vestindo o traje do morcego, fazendo com que Barry tente achar um jeito de retornar ao Flashpoint. Os heróis percebem que algo está manipulando a realidade e o tempo, alguém mais poderoso que Darkseid, e que as perguntar apontam para a realidade que deveria ter sido apagada após os acontecimentos de Ponto de Ignição.

Flash e Batman utilizam a esteira cósmica para chegar a realidade de Flashpoint. Lá Bruce e Thomas Wayne se encontram, enquanto o velocista escarlate descobre que Flashpoint não era um mundo alternativo, mas sim um mundo paralelo, e que alguém muito poderoso manteve esta realidade. Ou seja, a guerra entre Mulher-Maravilha e Aquaman continuou e a linha temporal não foi corrigida.

Flash e Batman precisam retornar a seu mundo, uma vez que este mundo paralelo começa a se desfazer, mas antes de partirem Thomas pede para que seu filho deixe de ser o Batman. Ele pede para que Bruce cuide de Damian e seja um pai que ele nunca pôde ser.

Na tentativa de voltar para casa, Barry e Bruce reencontram o Flash Reverso – naqueles instantes antes de sua morte – e podemos perceber que alguém muito poderoso destroça Thawne com uma rajada de luz azul. A esteira cósmica é destruída, fazendo com que Batman e  Flash fiquem presos entre as linhas temporais. A dupla é salva por Jay Garrick, que também estava preso entre as linhas temporais. De volta ao universo regular, Barry tenta se lembrar de Jay e acaba acidentalmente fazendo-o desaparecer ao tocá-lo.

Barry reencontrou Jay Garrick, mas o perdeu novamente. Bruce reencontrou Thomas Wayne, mas teve que deixá-lo. Os heróis percebem que não foram coincidências e que alguém arquitetou estes reencontros fazendo-os vivenciar estas perdas novamente.

Estes reencontros e as palavras ditas por seu pai colocam em xeque a escolha de Bruce Wayne em manter o manto do morcego. Sua missão em combater o crime não pode mais ser justificada pela culpa do ocorrido a Thomas e Martha, e ele precisará decidir em cumprir o pedido de seu pai ou manter a vida de vigilante de Gotham.

Sabemos que essa reflexão sobre o futuro poderá causar o fim da cruzada do morcego, mas sabendo que alguém já roubou 10 anos e está observando o universo DC, então fica a dúvida se as palavras de Thomas Wayne não foram arquitetadas para tirar o Batman do campo de batalha.

E a cena que todos estavam esperando e que prepara o terreno para o encontro entre Superman e Dr. Manhattan apareceu nas últimas páginas de The Flash #22. Vemos a mão azul de “Deus” pegar o bóton que os heróis perderam no retorno para a casa. E o símbolo do peito do Superman é jogado, levantando muitas dúvidas e teorias.

As quatro edições tiveram roteiro de Joshua Williamson e Tom King, que fizeram um ótimo trabalho deixando a história ágil e coesa. As ilustrações nas edições de The Flash foram feitas por Howard Porter. Os desenhos de Porter não me agradam, seja por alguns exageros anatômicos ou por cenas que parecem rascunhos.

Já a arte das edições de Batman ficou por conta de Jason Fabok, com traços belíssimos muito bem detalhado. Destaque para as ilustrações de Batman #21 lançada nos EUA, que com o efeito de holograma coloca facilmente a capa da edição como uma das mais belas já lançadas. Tomara que a Panini Comics lance aqui no Brasil a capa com o mesmo efeito e a mesma qualidade.

O arco The Button foi curto, mas mostrou que é possível manter uma trama interessante revisitando a mitologia da DC já construída até aqui. O clímax da saga Rebirth está programado para novembro de 2017, isso nos faz acreditar que Geoff Johns e a equipe de roteiristas já possuem histórias escritas para sustentar o universo DC até lá, entregando pouco a pouco as pistas sobre os objetivos de Dr. Manhattan e algum possível antagonista que forçou o ser mais poderoso conhecido interferir nas linhas do espaço e do tempo.

DC Rebirth (DC Renascimento, como está sendo publicada aqui no Brasil pela Panini Comics desde abril) está caminhando muito bem, obrigada, com histórias ágeis, sólidas e revisitando tudo que já fez sucesso nas páginas da DC Comics nos últimos anos. Detective Comics, Aquaman, Mulher-Maravilha e Batgirl, por exemplo, estão caminhando com enredos interessantíssimos e descentralizando o poder da editora, antes sobre os ombros do Homem de Aço e do Homem-Morcego apenas. Desde que foi a anunciada a reformulação do universo DC – que não é um reboot, mas está recontando a história de vários personagens, como num reboot –, a…

DC Rebirth - The Button

Batman & The Flash #21 e #22

Nota

The Button apresenta mais sobre o novo universo interligado entre Watchmen e a o mundo regular da DC Comics. Um pequeno arco com uma grande importância.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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