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Crítica|RuPaul’s Drag Race 9.06/07 – Snatch Game & 9021-HO

Entre o céu e o inferno, mas não necessariamente nessa ordem.

A atual temporada de RuPaul’s Drag Race está cada vez mais complicada de criticar e é quando coloco dois episódios dentro do mesmo texto que fica evidente que a série está passando por um grave problema dentro da sala de edição. Com o Snatch Game, episódio que já se tornou uma tradição dentro da série e por muitos o mais aguardado de cada temporada, a impressão final é a de que vimos pouco das participantes e muito dos jurados. Já do outro lado do rio, no lugar mais agradável para tomar aquele bom e velho chá, 9021-HO surge para limpar a barra de Drag Race, uma produção que está cada vez mais inconstante.

Com a mudança da LOGO para o VH1 – algo que não representa muito para quem está no Brasil e mantém duas opções para acompanhar a “Corrida das Loucas”, no Comedy Central ou Netflix – muito se especulou a respeito das mudanças que ocorreriam na estrutura do programa. Para vários não aconteceria nada, além da opção de acompanhar o programa em alta definição, algo que a LOGO TV não oferecia. Hoje já está bem claro que a mudança também cobrou um preço alto, chamado coesão na estrutura. 

Talvez o grande problema, e já estou suspeitando deste fator desde que a temporada começou, seja no quadro de participantes do show e não na edição propriamente dita. Existe um grave problema de personalidades marcantes neste ano da série e o jogo de adivinhações com celebridades figura como a maior prova. Dentro do que foi apresentado, com uma competição bem estranha e com pouca (ou nenhuma) comédia, não é a bagunça preponderante que incomodou, mas sim a falta de carisma, talento e coragem. 

Para se ter uma noção, os bastidores estão uma verdadeira calmaria. O grande escândalo, até agora, foi com a Alexis questionando as amigas sobre sua porca decisão no desafio das peles. Fora isso? Nada. Nem mesmo um bate boca mais salgado para mostrar que existe um pouco de tensão correndo pelas veias daquele grupo. E a falta de tensão está provocando um programa pouco atraente e com performances murchas.

Shea e Valentina permanecem como as mais interessantes, assim como, em menor grau, Trinity Taylor – a única que ainda figura como grande promessa de algum tipo de sentimento que não seja o de apatia. Mas até mesmo as grandes não são tão grandes assim. Tire por exemplo nossa amiga Nina Bonina, que não tem uma maquiagem perfeita, um estilo versátil, mas que dentro do grupo é a que mais se destaca visualmente – e visualmente ela é uma bagunça. Sua interpretação de Jasmine Masters é boa, mas incrivelmente fácil e simples. Não existe um grau de profundidade maior ou qualquer frase marcante, com exceção de “… and I have something to say”. Dentro da apatia é fácil destacar Shea, que com muita facilidade transborda uma espécia de desprezo e superioridade que somente uma super modelo poderia ter. 

Só que o grande destaque fica para Alexis, que finalmente conseguiu sair de dentro da bolha da mediocridade. Por algum tempo cheguei a considerá-la a Roxxxy Andrews da temporada – não a versão arrastada de All Stars, mas a mais competente da quinta temporada. E mesmo que ainda existam chances de que ela mostre uma personalidade mais agressiva, o que eu acho muito difícil, sua Liza conseguiu elevá-la para outro nível. 

Claro que para cada snatch game com alguém no patamar mais alto e outras no quase, como Valentina, ainda temos as que erram completamente e terminam fazendo tudo o que não poderiam – estou me referindo a Farah e Cynthia Lee. Não consigo pensar na pior performance para um snatch game, mas dentro da Lady Gaga da Sonique, ou da Pink da Morgan, eu facilmente coloco a Sofia Vergara da Cynthia como a mais horrenda interpretação de uma celebridade. Nem ao menos o visual a Cucu conseguiu acertar e o resto foi ainda pior. Quem também não conseguiu chegar perto, mas que pelo menos acertou no estilo, foi Farah com a sua Gigi Gorgeous, mas se Alaska fez com que muitos gays descobrissem Mae West, dificilmente Farah conseguirá fazer com que alguém que não conheça a maquiadora se interesse, de tão insossa. 

Tudo termina com um desfile que mais uma vez tenta homenagear a Madonna, mas que novamente falha ao ter várias queens repetindo o mesmo modelo. Acho que deveria ser uma tendência de drag race, em que cada ano as participantes tentam reproduzir um look da Madge e que em cada tentativa mais looks similares apareçam. Não existe muito o que criticar aqui – o que não é tão bom, é competente e então a falha passa para algo além da roupa, como a maquiagem errada de Cynthia, servindo sua melhor interpretação da barba queimada da Kandy Ho. 

E como discutido lá em cima, no começo desta crítica que já está gigante, existe o céu e o inferno em RuPaul’s Drag Race e como seguimos a mesma estrutura da edição da série neste ano, vamos falar do que funcionou. Desafios de interpretação sempre tomam dois rumos óbvios, ou são muito bons – quer seja pelo desempenho ruim das participantes, tipo na sétima temporada – ou então por serem muito bons e cheios de humor, como foi com o RuCo’s Empire na oitava. E felizmente estamos encarando o segundo tipo com 9021-HO.

Primeiro que temos ninguém mais, ninguém menos, que Jennie Garth e Tori Spelling, de ‘Barrados no Baile’. Claro que talvez você nem tenha mantido contato com a série enquanto ela estava no ar – eu não mantive, mas consegui assistir tudo depois e para quem hoje é fã de produções ao estilo de Glee (só que sem música) e The Vampire Diaries (mas sem vampiros), 90210 é a gênese do drama adolescente do modelo ‘high school’. Mas tirando a participação de ambas e seu ódio por Tiffani Amber-Thiessen, 9021-HO é uma homenagem aos anos 90, de uma maneira que eu não pensei ser possível na atual temporada da série. O sucesso de ‘Barrados no Baile’ foi tanto, que na época ela chegou a emplacar uma série deriva, Melrose Place, que durou sete temporadas, três a menos que sua “irmã” mais velha. 

Claro que o grande atrativo para o episódio é a tensão existente entre as participantes. Com Aja reclamando de seu papel e Nina começando, novamente, sua pequena tempestade pessoal, 9021-HO consegue superar e muito o esquecível snatch game da semana anterior. Este episódio permite que Valentina mostre mais uma vez sua competência e sua maneira segura de agir, algo tão estranho em uma queen tão nova, mas compreensível – bem diferente da Shangela, que além de nova no mundo drag, também era nova no mundo da maquiagem e moda, Valentina claramente tem uma vantagem aí e apesar de ainda figurar como alguém nada interessante, sua presença já é mais forte neste episódio do que nos anteriores, que se limitavam apenas ao look, quase uma Violet Chachki. 

E pobre Aja, que no dia que acerta na maquiagem, entrega a pior performance dentro do desafio e de quebra compete contra Nina, muito mais interessante em termos de longo prazo para o programa. Sua reclamação e tentativa de garantir um papel interessante para si terminou antes mesmo de seu show ter sido abocanhado pela edição. Minutos depois e a queen já estava se desculpando, mas já era tarde demais. Tanto a edição quanto as companheiras perceberam que ela não tinha muito a oferecer. Mas pelo menos foi embora com um elogio a respeito de sua maquiagem, o que para ela, nesta competição, já é quase uma coroa – no t no shade, no pink lemonade. 

E dentro do que já estou esperando, Trinity está cada vez mais próxima da personalidade menos focada na irmandade que as outras drags estão trabalhando com tanta força. Sua personalidade mais marcante e sua competência a permitem ir um pouco além. É diferente da Nina, por exemplo, que termina sempre como alguém insegura e irritante, mas nunca desafiadora a ponto de se tornar uma vilã. Neste ponto confio que em algum momento Trinity Taylor irá subir no salto e mostrar suas garras – na altura do campeonato é a única coisa que poderá agitar essa edição tão fraca e sem conflitos. É graças a Trinity também que Farah não termina flopando no episódio – um tema comum para a queen. 

Claro que o destaque positivo fica para Shea, que lentamente se tornou a queen a ser derrotada pelas competidoras. Sua função com o papel que Aja não quis foi incrível. Enquanto a reclamaja terminou com duas linhas, Shea conseguiu metade do tempo para si e muito espaço para brilhar. Shea é segura de si, mas também mantém um tom e tempo para comédia que combinam exatamente com os desafios e depois de ter mostrado um pouco deste lado no snatch game, em 9021-HO ela conseguiu brilhar sem precisar dividir o espaço da bancada com mais ninguém.

A conclusão é correta e apesar de gostar (um pouco) da Aja, concordo que a melhor pessoa para continuar na competição é Nina. Aja conseguiu algumas frases marcantes, como durante seu “confronto” com a Valentina, mas no unTucked. Nina, por outro lado, tem um tipo volátil de personalidade que pode render bem mais quando a pressão subir e com outras queens bem mais competentes do que ela, basta o desafio certo (ou errado) para ter o que essa temporada está tão pobre, a tensão. 

Observações

– Comentário dos jurados precisa da animosidade da Tori e Jennie. Não aguento mais Ross e Todrick. Dá tempo de trazer o Santino de volta? Pelo menos ele brigava com a Michelle.

– Farrah nasceu em 1993. “I love her, but bye bitch!”

 Nina venceu a dublagem através da agressão e eu estou ok com isso. 

Entre o céu e o inferno, mas não necessariamente nessa ordem. A atual temporada de RuPaul's Drag Race está cada vez mais complicada de criticar e é quando coloco dois episódios dentro do mesmo texto que fica evidente que a série está passando por um grave problema dentro da sala de edição. Com o Snatch Game, episódio que já se tornou uma tradição dentro da série e por muitos o mais aguardado de cada temporada, a impressão final é a de que vimos pouco das participantes e muito dos jurados. Já do outro lado do rio, no lugar mais agradável para…

RuPaul's Drag Race

Snatch Game
9021-HO

Nota

RuPaul's Drag Race vai do céu ao inferno em dois episódios, mas nem mesmo a ordem dessa frase faz sentido quando a edição tenta sabotar a si mesma casualmente.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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