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Crítica|RuPaul’s Drag Race 9.08/09 – RuPaul Roast & Your Pilot’s On Fire

Durante a dublagem, não existe favoritismo

Aqui estou eu novamente, com uma crítica dupla (coisa que odeio fazer) de RuPaul’s Drag Race. Atualmente ando um pouco – muito – sem tempo. Com as séries que já cubro atualmente na reta final, todo meu empenho com o reality caiu bastante, especialmente por causa do nível de qualidade que os episódios da ‘Corrida das Loucas’ tem oferecido. E novamente o que temos é uma onda, com um episódio extremamente apático e outro competente em várias instancias e também com um conflito, algo que está tão ausente no nono ano da série.

O desafio de “gongar” os jurados da série é algo que foi muito valorizado durante a quinta temporada, com uma performance excelente de Alaska, Jinkx e Coco. Aqui, porém, o resultado é bem aquém do esperado e se não fosse por Shea, Peppermint e Trinity, este teria sido o maior fiasco da história de RPDR. E tudo começa mal quando a leitura não decola, um grave indicador de que a ladeira estava fadada a desmoronar em cima das competidoras antes mesmo da corrida começar. 

A conclusão que consigo retirar do time de competidoras é que existe uma apatia muito grande. Ninguém ali parece determinada o suficiente para levar a coroa custe o que custar. Falta a competitividade, o foco e a gana de querer a coroa, muito mais do que apenas manter e construir amizades. Lembro que durante a oitava temporada Bob, Acid e Thorgy Thor figuraram como amigas e rivais, sempre competindo pelos elogios e o holofote. O mesmo aconteceu durante All Stars 2, com Alaska batalhando como uma máquina saída de Exterminador do Futuro para garantir o pódio – e o primeiro lugar, sem espaço para qualquer outra posição.

No nono ano, porém, o que temos é uma queen que mais reclama do que age, sim, você Farah Moan. Outra que não consegue tirar a cabeça da própria bunda (desculpe o linguajar) para ver o mundo a sua volta, você mesma Alexis e uma com potencial para ir longe, mas tão insegura que se auto sabota – Nina Bonina. O resto? Bom, gosto do perfeccionismo de Valentina e também da força de Shea, mas não consigo ver a competição dentro da competição. E este é o grande problema com a nona temporada da série. 

Começando por Alexis. Olha, eu até consigo comprar o discurso de que atingir o ponto fraco é algo feio, que precisamos ser mais politizados e corretos, mas a queen perde qualquer coerência em seu discurso quando ela opta por não se abster do desafio da “leitura” e usa do mesmo tipo de arma para criticar. Pior ainda, Alexis é rude com Tamar (talvez a edição tenha pintado algo mais brusco, mas existente) e no final, seu desempenho é enfadonho, completamente fora do ar e sem nenhuma graça. E nem pretendo mencionar quão errada a maquiagem e o peito falso estavam, vou só deixar no ar. Mas de certa forma o comportamento de Alexis reflete bem o que está acontecendo com RuPaul’s Drag Race, a série virou uma corrida de melhores amigas, onde as competidoras esperam que no final tudo vá dar certo. Só que no final para uma delas não dará e alguém terminará escrevendo no espelho com batom.

Claro que se por um lado para alguém irá dar errado, para outra a vitória provará que existe o lado bom deste triângulo de alto e baixos. Peppermint conseguiu fazer algo que eu não imaginava possível. Sem nenhuma vitória, até então, a participante transmitiu toda sua força e sagacidade em um roast engraçado e convincente. Sem mencionar que sua roupa e maquiagem estavam no ponto certo. Já para o fundo do poço, finalmente nos livramos de Farrah – se bem que nesse caso, a dublagem é tão apática que eu teria mandado ambas. ¯\_(ツ)_/¯ 

E se de um lado o Roast foi totalmente sem sal, do outro o Your Pilot’s On Fire foi exatamente o que RPDR tanto precisava para sua temporada mais fraca, até agora – talvez não mais que All Stars 1, mas essa todo mundo finge que não existe. Drag Queens são espetáculo e uma série centralizada em uma competição de drag queens deveria  conduzir um semanalmente – obrigatoriamente. Raramente o show realmente compensou neste nono ano, mas o ‘Piloto em Chamas’ com certeza mudou (e muito) a maneira que a edição conduziu o episódio. 

Conflito tem sido o elemento faltante neste ano da série. Quase nada realmente decolou. Um sentimento de amizade muito forte perdura durante os bastidores e com exceção da Nina surtando por causa de sua insegurança ou da Alexis reclamando porque ninguém a aconselhou a se vestir melhor, tudo tem sido bem sem graça – apático e até desencorajador. 

Começando pela Nina, é um pouco triste ver como a queen reage as outras pessoas. Imagino que ela já tenha sido traída por pessoas bem próximas para criar esta persona que lida com tudo como se estivesse em uma sala cheia de predadores. Sua explosão com a Shea é altamente incômoda, especialmente por termos Nina indo muito longe ao atacar alguém que sempre demonstrou apoio. E em alguns momentos meu desejo é o de simplesmente tirar Nina da competição, pelo bem dela – já viu como reagem os fãs dessa série? Só que este conflito funciona para o bem do programa, por mais cruel que isso soe. 

O desafio de criar uma proposta para um piloto de série de TV é uma oportunidade de ouro para ter mais da inteligencia das participantes, especialmente agora que estamos mais próximos do final. 

A dupla Sasha e Shea e seu piloto “Teets & Asky” simplesmente matou a competição. Duas queens muito inteligentes e com tipos diferentes de humor, ambas souberam criar um piloto não apenas engraçado, mas com apelo. Já consigo imaginar as duas ganhando uma série semanal de vídeos no YouTube, ao melhor estilho ‘Uhhhh’ da Trixie e Katya. Várias piadas foram jogadas, cenas de ação e sacadas muito inteligentes – a do cliffhanger? Eu morri e voltei a vida. Facilmente a vitória fica com elas, as mais competentes até agora. E o look de ambas na passarela também pode ser caracterizado como um outro show. 

O trio Peppermint, Alexis e Trinity conseguiu um bom piloto, também. A diferença é que tudo terminou nos ombros do exagero de Trinity, uma atuação já exibida antes pela participante em 9021-HO. Peppermint, apesar de engraçada e com boa expressão, não conseguiu chegar ao mesmo nível de Trinity. Já Alexis, bom, essa nem ao menos tentou, mas pelo menos garantiu um pouco de confronto na passarela – novamente um ponto que a série quase não conseguiu entregar neste ano, por mais que a edição tentasse, com direito a vela e tudo mais. 

Pobre Nina e valenTina. Enquanto dupla as duas não conseguiram fazer o principal, a organização. Até mesmo uma série improvisada precisa de uma estrutura bem delimitada e o piloto de Nina & Tina falhou por não ter nenhuma estrutura compreensível. É praticamente o tipo de série de comédia que você ri quando assiste os erros de gravação, mas mal esboça um riso amarelo quando está acompanhando o episódio completo. 

E então, por causa do desempenho ruim, temos a dublagem mais tensa da história da série. Valentina, a participante que muitos viram como a favorita para a coroa, terminou sem ao menos conseguir dublar a música de Ariana, a nada difícil Greedy. Pior ainda, ela nem ao menos quis tentar, deixando sua máscara fixa no rosto enquanto Nina andava de um lado para o outro. Esta não é a primeira vez que RuPaul paralisa uma dublagem e faz as participantes começarem de novo, o mesmo já ocorreu entre  Adore e Joslyn na sexta temporada, mas só agora tivemos isso acontecendo diante de nossos olhos, na edição final.

Valentina não desistiu por não ter decorado a música, mas sim por não ter se preparado o suficiente para enfrentar aquele desafio. É complicado para uma queen vista como perfeita desde o primeiro episódio terminar como alvo de uma performance ruim e sem graça. Só que a sabotagem que Valentina causou a si mesma foi dolorosa de assistir, especialmente pela tristeza que a participante expôs com seus olhos e voz trêmula. Gostava muito da Valentina, apesar de achá-la bem sem graça, e acredito que a queen teria continuado se pelo menos tivesse conseguido dublar do começo ao fim – Nina já passou pela berlinda várias vezes, dificilmente RuPaul mandaria embora a participante mais ousada e estável… Se bem que Trixie perdeu para Pearl… 

Este então se torna um ótimo episódio por trazer tudo o que RuPaul sempre trouxe anualmente, até mesmo na menos interessante das temporadas (a sétima), o conflito. Esta série definitivamente é o que podemos considerar o ‘futebol dos gays’, e uma partida acirrada é sempre bem melhor do que um 0 x 0, não é? 

Durante a dublagem, não existe favoritismo Aqui estou eu novamente, com uma crítica dupla (coisa que odeio fazer) de RuPaul's Drag Race. Atualmente ando um pouco - muito - sem tempo. Com as séries que já cubro atualmente na reta final, todo meu empenho com o reality caiu bastante, especialmente por causa do nível de qualidade que os episódios da 'Corrida das Loucas' tem oferecido. E novamente o que temos é uma onda, com um episódio extremamente apático e outro competente em várias instancias e também com um conflito, algo que está tão ausente no nono ano da série. O…

RuPaul's Drag Race

RuPaul Roast
Your Pilot's On Fire

Nota

RuPaul entrega mais uma dupla de episódios que migram do chato para a máquina de comentários.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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