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Crítica|Filme – Mulher-Maravilha

Foi um longo e árduo caminho, mas 75 anos depois de sua concepção, Mulher-Maravilha finalmente ganha sua primeira adaptação cinematográfica. Cercado de pressão e boatos, o sucesso deste filme será determinante para o futuro das heroínas no cinema. Felizmente, o primeiro longa-metragem de super-heróis protagonizado e dirigido por mulheres não é só um ótimo filme, mas uma das melhores produções do gênero desta década.

Mulher-Maravilha é um longa bem balanceado, há muito humor e leveza em sua primeira metade, mas é surpreendentemente dramático pela sua maior parte. Patty Jenkins consegue entregar uma obra moderna e otimista. E apesar de alguns problemas no terceiro ato, o filme é legitimamente empolgante e emocionante.

A história se centraliza em Diana (Gal Gadot), uma princesa amazona treinada para ser a maior guerreira de seu povo. Criada na bela e ensolarada ilha paraíso de Temiscira, a jovem tem seu futuro traçado quando Steve Trevor (Chris Pine), um espião americano cai na ilha trazendo consigo notícias do maior conflito da história da humanidade até então. Convencida de que pode derrotar Ares, o mitológico deus da Guerra, Diana abandona o seu lar e embarca em uma jornada onde ela descobrirá a verdadeira extensão de seus poderes e também a complicada natureza dos homens.

As interações entre Diana e Steve são um dos destaques do longa. Dos seus diálogos brota um humor espontâneo e inteligente, e é fácil entender as observações de Diana acerca do casamento ou vestimentas das mulheres como uma crítica. É reconfortante ver que Mulher Maravilha não se apoia em um humor cartunesco. Descobrir o mundo e os horrores da guerra através dos olhos de Diana por vezes é divertido, mas é uma experiência obscura na maior parte.

Há uma surpreende e bem-vinda diversidade no elenco, desde as amazonas de Temiscira ao grupo de Steve constituído por Etta Candy (Lucy Davis), Sameer (Saïd Taghmaoui), Charlie (Ewen Bremner) e Chief (Eugene Brave Rock). E cada um destes personagens tem muito a dizer e ensinar a Diana em suas breves e marcantes aparições. O filme consegue discutir questões raciais e preconceitos de gênero de maneira inovadora e marcante. É curioso observar as expressões em grupo de figurantes quando Diana ousar falar em uma reunião de homens que ficam claramente incomodados com a sua presença.

Os méritos são todos de Jenkins é claro. A diretora mostra que entende as origens da personagem e consegue transmitir fortes mensagens ao logo do filme. Emociona ao deixar Diana se encantar pela neve e reserva espaço paras contar as trágicas e familiares história de Sameer e Chief. Traz uma edição coesa que consegue equilibrar momentos de humor e drama com extrema facilidade, sem soa apressado ou forçado.

Jenkins não tem nenhum grande background em produções de ação, portanto é compressível que muito das cenas de lutas aqui careçam da perícia técnica vista em Batman V Superman ou Esquadrão Suicida. No entanto, a diretora entrega algumas das mais empolgantes cenas de ação já vista em filmes de super-heróis e não importa o quanto você tenha visto nos trailers e previews divulgados, nada consegue suprimir a emoção de ver a Mulher Maravilha entrando em uma luta pela primeira vez. Patty não usa as sequencias de ação como um mero espetáculo visual, a cenas possuem grande significado para o desenvolvimento dos seus personagens.

 

O grande defeito do filme reside em seus antagonistas Maru/Doutora Veneno (Elena Anaya) e Ares (David Thewlis), não causam grande impacto. O que é decepcionante se pensarmos que Ares é o maior antagonista da história da Mulher Maravilha. Há uma tentativa criar uma conexão entre os dois personagens, mas ela nunca se concluí e comparado aos vilões já apresentados no DCEU, Ares é menos expressivo.

A inspiração que Patty diz extrair de Superman (1977) é evidente, por vezes,  Mulher Maravilha parece desconectado de sua época, é simples e inspirador. O longa é todo sobre sua protagonista, seus valores e sua força e resgata o encantamento que os super-heróis deveriam inspirar, colocando ideias acima do espetáculo. Ainda há muito espaço para se explorar no universo criado até chegarmos em Batman V Superman. Espero ver mais de Etta Candy, Sameer, Charlie e Chief na quase certas sequencias, e é interessante que as continuações fiquem desconectadas do restante das produções do universo, isso permite que Mulher Maravilha desenvolva melhor sua própria mitologia, sem dividir espaço com heróis adaptados a exaustão nos cinemas.

Mulher Maravilha entrega mais do que esperávamos e faz justiça a maior heroína da história: É divertido, trágico e emocionante na medida certa e dá novo folego a um gênero que tem sido marcado por muitos espetáculos vazios nos últimos tempos. Só nos resta torcer para que mais filmes de super-heróis sejam tão marcantes e apaixonados como este.

Foi um longo e árduo caminho, mas 75 anos depois de sua concepção, Mulher-Maravilha finalmente ganha sua primeira adaptação cinematográfica. Cercado de pressão e boatos, o sucesso deste filme será determinante para o futuro das heroínas no cinema. Felizmente, o primeiro longa-metragem de super-heróis protagonizado e dirigido por mulheres não é só um ótimo filme, mas uma das melhores produções do gênero desta década. Mulher-Maravilha é um longa bem balanceado, há muito humor e leveza em sua primeira metade, mas é surpreendentemente dramático pela sua maior parte. Patty Jenkins consegue entregar uma obra moderna e otimista. E apesar de alguns…

Mulher-Maravilha

Filme

Nota

Um filme divertido, trágico e emocionante, que abraça a diversidade e cumpre seu papel como salvador do universo cinematográfico da DC.

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Sobre Marco Antonio Freitas

Mineiro, 25 anos, formado em Serviço Social e apaixonado por séries e música desde os 16 e apreciador ocasional de HQs.

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