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Crítica|Injustice 2 [2017]

Vamos começar tirando o grande elefante branco da sala: sou da época que a única história existente em um jogo de luta vinha de alguma frase solta de, no máximo, 140 caracteres (patrocinado por Twitter) e o que os estúdios enviavam para as revistas de games. O mais longe que um jogo de luta já chegou a me dar alguma informação relevante do porque aquelas pessoas estavam lutando, estava impresso na caixa do Mortal Kombat. Escrever a crítica de um jogo como Injustice 2 e ver como, além da luta, eu ainda posso aproveitar uma história que embasa aquele mundo, é sensacional.

Estamos definitivamente vivendo na época cinematográfica dos jogos e a maior prova é o que os estúdios NetherRealm fizeram com a franquia Mortal Kombat, a partir do nono, e agora com os dois Injustices. Cenas trabalhadas, com história entrelaçada fazem de algo simples, um jogo de luta, em algo muito “caro” e visualmente rico. 

História

Injustice 2 segue após alguns meses depois da prisão do Superman. Bruce Wayne está tentando fazer com que as pessoas voltem para Metrópolis e ao mesmo tempo gerencia o novo time de defensores do planeta Terra, tudo isso enquanto cria planos e mais planos para manter a paz no mundo. Sua nova criação, o ‘Irmão Olho’, é uma inteligência artificial capaz de monitorar ameaças e é aí que os problemas começam. 

Quando o Irmão Olho envia uma mensagem para o Batman e a Arlequina de que um grupo de vilões comandado pelo gorila Grodd está se reunindo na Cidade Gorila, Batman manda Arlequina, Canário Negro e o Arqueiro Verde para investigar. Lá eles descobrem que existe um mandante, a misteriosa figura controlando as maquinações de Grodd. Dinah e Oliver são sequestrados e acabam se encontrando com o grande vilão do segundo Injustice, Brainiac.

 

A série então traz uma nova Kriptoniana, Kara Zor-El, prima do Superman e que testemunhou a ação de Brainiac em Krypton. Kara é uma resposta imediata aos medos e esperanças da Terra e deus protetores. Enquanto prima do Superman ela pode representar uma ameaça a paz, mas como heroína e com coração puro, Supergirl poderá terminar agindo como seu primo, antes de enlouquecer. 

Cada batida da história de Injustice ajuda a compor um mundo ambientado nas páginas de histórias em quadrinhos. É muito agradável ter esse nível de respeito com o material de origem, que séries como Arrow e The Flash nunca conseguiram, graças a liberdade das animações digitais e da falta de necessidade de romances exagerados e sem graça. 

E não apenas de modo história vive Injustice 2. O game também apresenta a sua versão das clássicas Torres, com o modo Multiverso.  Estes mundos são repletos de desafios, todos centralizados em uma pequena narrativa, como por exemplo, o Coringa está a solta e apenas a Arlequina pode pará-lo. A partir da premissa básica, que pode girar ao redor de um único personagem ou de qualquer um, você deverá enfrentar inimigos, alguns com vantagens e/ou desvantagens, para receber prêmios como roupas, cores e habilidades para seu personagem. 

Os personagens chegam até o nível 20 e quanto maior melhor para você, especialmente porque existem mundos do Multiverso que mantém chefões especiais com lvl alto e confie em mim, fará toda a diferença ter um personagem bem mais forte para passar por cada “torre”. 

O Multiverso também oferece o tipo clássico de embate, que termina com uma história de conclusão. É o chamado ‘Simulador de Batalha’ do Multiverso. Lá é possível escolher entre torres com 5, 8 ou infinitos adversários e que lhe darão prêmios pela conclusão e também desempenho. 

Também existe o sistema de armaduras que você poderá escolher para seu personagem que o deixará com uma cara própria. Cada item é preso a um nível e oferecem habilidades específicas para seu herói/heroína, além de facilitar o combate ou recompensa. Também é uma ótima maneira de apostar em um visual diferente na hora dos confrontos online. 

A potencia gráfica da nova geração, assim como os designs da Netherrealm Studios também ajudaram a elevar a nota geral do game. Injustice 2 é muito bonito, de uma forma que outros jogos lançados na mesma época não conseguiram ser – nem mesmo com patch de correção, né Mass Effect Andromeda? E o trabalho, bem diferente da prévia lançada há um ano, é detalhado e com personalidade. Existem várias versões diferentes desses heróis, cada uma com uma abordagem centralizada em ressaltar o que o artista do momento escolheu como relevante. O trabalho de Injustice 2 então se torna extremamente difícil, principalmente para personagens mais conhecidos do grande público e já atrelados a imagem de outros atores, como Gal Gadot (Mulher Maravilha), Ben Affleck (Batman), Melissa Benoist (Supergirl) e outros.E é possível ver uma conexão com estes atores e atrizes mais recentes do universo cinematográfico da DC. 

Muito mais do que apenas bonito visualmente, o jogo reflete o atual período da casa – com destaque para personagens como Arlequina, Supergirl e Mulher Maravilha. E é ótimo notar como a DC está trabalhando suas mulheres, especialmente pelo apelo criado em cima de Supergirl. Até pouco tempo atrás, antes do inicio da série (inicialmente na CBS e atualmente na CW), pouco se ouvia da última filha de Krypton. A série da garota de aço durante os novos 52 foi cancelada antes mesmo de atingir a “maturidade” e a prima do Superman chegou a perder os poderes durante este período, exemplificando bem a falta de vontade ou de preparo para lidar com ela. Este reflexo também pode ser sentido na Arlequina, que já não é mais uma vilã e nas menções as Sereias de Gotham, próxima aventura cinematográfica prometida pela DC.

No final Injustice 2 pega todos os elementos mais marcantes da indústria de histórias em quadrinhos, cinema e séries de TV, para criar um jogo capaz de rivalizar, inclusive, com as produções de maior alcance e orçamento. É um trabalho memorável, que definitivamente deixou as portas abertas para uma terceira aventura – e as opções são ilimitadas. Logo o game se torna de fácil indicação para jogadores casuais, hardcore e fãs do Multiverso da DC. 

Vamos começar tirando o grande elefante branco da sala: sou da época que a única história existente em um jogo de luta vinha de alguma frase solta de, no máximo, 140 caracteres (patrocinado por Twitter) e o que os estúdios enviavam para as revistas de games. O mais longe que um jogo de luta já chegou a me dar alguma informação relevante do porque aquelas pessoas estavam lutando, estava impresso na caixa do Mortal Kombat. Escrever a crítica de um jogo como Injustice 2 e ver como, além da luta, eu ainda posso aproveitar uma história que embasa aquele mundo,…

Injustice 2

Jogabilidade
História
Gráficos

Nota

Com um roteiro invejável, Injustice 2 se aproveita de cada batida das histórias em quadrinhos para criar algo memorável - em vários os sentidos.

User Rating: 4.2 ( 1 votes)

Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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