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Crítica|RuPaul’s Drag Race 9.10 – Makeover: Crew Better Work

E não é que RuPaul’s Drag Race conseguiu entregar não um, mas dois episódios bons em sequência?

Desafios clássicos representam parte do apelo que construiu a reputação de RuPaul’s Drag Race. Snatch Game, os bailes, reading, transformação. Cada um destes momentos representa um ponto referenciado por RuPaul como o grupo necessário para atestar se a competidora está apta a receber a coroa: carisma, originalidade, coragem e talento. É preciso saber costurar para o baile. Ser ousada para a construção de seus looks, além de original e ter talento para pintar o rosto de outra pessoa ou imitar alguma celebridade/personagem. Esta é a base para toda a série, assim como suas temporadas. Só que mesmo dentro deste panteão ainda existem aqueles desafios que caracterizam a mitologia do seriado. É a partir de cada uma dessas fases que a base de fãs teoriza, constrói parâmetros e assim como os jurados, julga o desempenho de cada participante.

Para uma temporada ser bem sucedida ela precisa, em primeiro lugar, de uma boa estrutura de desafios. Parte do que tem feito a atual nona temporada da série algo tão irregular é a falta de diversidade ou boa edição em cima dos desafios. Tudo soa bem repetido e batido. Se All Stars 2 conseguiu um frescor ao mudar a dinâmica de eliminações, o nono ano apenas demonstrou porque mudanças são necessárias. Claro, é possível continuar com o mesmo tipo de estrutura por muito tempo. Séries como Survivor, Americas Next Top Model e Masterchef mantém a mesma cara desde a estreia, mas mesmo eles sabem da necessidade de se alternar fórmulas para não cair no marasmo.

É então que entramos no segundo problema com a temporada, seu time de queens sem graça e com pouco apelo. Esta, porém, não é uma crítica referente ao talento, mas sim ao aspecto que melhor movimenta um reality show, a personalidade. É possível ser incrivelmente talentosa, mas absolutamente sem graça para a televisão. Neste ponto entra a edição com suas costuras, mas depois de tantos comentários a respeito de como o programa entregava sua versão final para o público, aparentemente estão evitando casos tão extremos. Lembra do untucked em que a Dita Von Teese fica esperando as queens, mas ninguém aparece porque todo mundo estava brigando? Na verdade ela se encontrou com as participantes da quarta temporada e conversaram por um bom tempo. Pois é. Mas o problema é tão marcante, que em um episódio foi possível construir duas figuras interessantes graças a personalidade dos maquiados e não das competidoras e isso é um indicador bem forte de onde está o problema.

Nina, por exemplo, é um tipo ótimo de participante e acredito que tenha sido por isso que RuPaul escolheu leva-la para tão longe. Sua depressão e insegurança são fatores que criam uma ótima narrativa de superação, mas ainda estamos falando de um programa com pessoas reais e o mais próximo possível da realidade. Se fosse uma série roteirizada, tudo terminaria com Nina encontrando sua força interior, mas estamos falando de uma competição. Neste momento, nenhuma das competidoras conseguiu compreender a fundo o que é ter depressão e lidar com a dúvida. Para Nina Bonina o ambiente de RuPaul é extremamente tóxico e vê-la indo embora é algo bom.

Enquanto Nina não consegue abraçar sua força e deixar de lado as duvidas, Sasha fecha o episódio como a única a não ter caído na dublagem, até agora. Ao colocarem membros da equipe técnica para serem maquiados, RuPaul ofereceu uma dinâmica interessante para o programa. Não estamos falando de fãs, ou pessoas que não conhecem ou tiveram pouco contato com a série, mas de homens que trabalham com aquele ambiente e compreendem como ele funciona, talvez quase no mesmo nível das próprias queens, afinal estão “estudando” aquele ambiente como profissão. E este é o caso de Duncan, diretor do programa e o homem no comando quando RuPaul não está no trabalho. Tanto Duncan quanto Sasha tem problemas em quebrar a parede da seriedade, mas ambos conseguem sem muito desafio mostrar um lado engraçado. Sasha também foi bem competente e apesar de não ter gostado do cabelo da Dunatella Velour, a personalidade e o look compensaram.

Quem também navegou com facilidade e que continua na mesma onda de vitórias e bom desempenhou foi Trinity e sua irã Glittafa Dayz. É muito fácil ver o espirito competitivo de Trinity, que poderia ter optado por uma saída mais fácil, mas que fez o possível para que sua “irmã” se saísse parecida com ela em vários aspectos e com o mesmo nível de cuidado. O momento que a queen decide ir para trás do biombo e ajudar Rizzo com seu tuck é impagável, mas também demonstra força e coragem, de ambos. No final o time termina como campeão e merecidamente, já que além da semelhança a coreografia também terminou bem acima da média geral do episódio.

E mesmo que Peppermint não tenha conseguido um bom desempenho geral, graças a roupa horrenda que deu para sua irmã, Winter Green, a participação de ambas pode ser lida como um esforço conjunto. Se Winter não estivesse confortável suficiente para se mostrar tão livre, e isso vale para maquiagem, roupa e ambiance, ela definitivamente não teria se soltado tanto e ofuscado sua irmã mais velha. Logo, apesar de demonstrar um problema bem grande, a personalidade marcante de alguém que só está no programa para um episódio termina salvando tanto a nós, telespectadores, quanto Peppermint.

Também estamos encarando a primeira vez que Shea encontrou o chão. O foco dela em si mesmo superou a percepção do desafio e enquanto Shea termina impecável, sua irmã tem o cabelo desmontado, o sutiã aparecendo e bom… Quando se está no topo o único caminho é o chão e Shea encontrou o dela. Arrisco dizer que se Nina não tivesse tentado criar um look do zero e tivesse se concentrado mais em fazer Ariana Bo’Nina Brown se parecer com ela de uma maneira fora do comum, Shea e Peppermint teriam terminado na dublagem.

E por falar em dublagem, meu Deus que temporada horrível para fãs de lip sync. Nina já desistiu e Shea não manteve a energia necessária para canalizar o ritmo e a batida de Cool for the Summer, da Demi Lovato – que sinceramente, já chegou a hora de esquecerem, porque já é a segunda música da cantora que termina com uma dublagem deprimente. Mesmo que Nina já tenha passado duas vezes por aquele ponto na competição, ainda teria gostado de vê-la indo embora com uma dublagem inesquecível, mas é absolutamente compreensível. Como eu disse ali em cima, Nina não está mentalmente apta para RuPaul e sua partida funciona como um alivio, já que a tendência é termos algo mais intenso na próxima semana, agora que já encontramos o nosso Top 5

Observações

– Alexis Who?

– Este foi o painel de jurados mais divertido da temporada. Kesha e Winter entregaram o melhor momento do episódio inteiro e eu precisei voltar a cena algumas vezes.

– Glittafa Dayz – Ou Glitterpra Dias

Dunca: “Nós conversamos sobre analisar demais as coisas e deixá-las entrar no caminho da nossa liberdade.” RuPaul: “Como você faz isso?” Duncan: “Drogas”

– Essa foi a temporada com o maior número de mais do mesmo e com a menor taxa de frases da Michelle pedindo por: “Quero ver você” “Eu não sei quem você é” “Para de ficar contando com seu corpo”. Gurl, please.

E não é que RuPaul’s Drag Race conseguiu entregar não um, mas dois episódios bons em sequência? Desafios clássicos representam parte do apelo que construiu a reputação de RuPaul’s Drag Race. Snatch Game, os bailes, reading, transformação. Cada um destes momentos representa um ponto referenciado por RuPaul como o grupo necessário para atestar se a competidora está apta a receber a coroa: carisma, originalidade, coragem e talento. É preciso saber costurar para o baile. Ser ousada para a construção de seus looks, além de original e ter talento para pintar o rosto de outra pessoa ou imitar alguma celebridade/personagem. Esta…

RuPaul's Drag Race

Makeover: Crew Better Work

Nota

Para uma temporada ser bem sucedida ela precisa, em primeiro lugar, de uma boa estrutura de desafios. Parte do que tem feito a atual nona temporada da série algo tão irregular é a falta de diversidade ou boa edição em cima dos desafios.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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