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Crítica|RuPaul’s Drag Race 9.11 – Gayest Ball Ever

O baile mais gay do mundo está aqui, mas nem tanto

É chegado o momento de antecipar o TOP 3, mas primeiro é necessário queimar algumas gorduras desnecessárias dentro da nona temporada. E graças ao formato do programa, assim como a proximidade com o final, o ‘Baile’ anual de RuPaul’s Drag Race ofereceu algo muito necessário para a edição, a tensão que chega antes dos últimos episódios – e como ela estava em falta, a mesa de editores conseguiu celebrar bastante, com cenas alternando entre Sasha e Alexis, além de Shea e Shasha e o desejo de todo mundo de finalmente ter um caminho melhor definido para a série. 

Também foi muito bom ver o retorno do mini challenge, com a apresentação dos bonecos. Não é algo tão forte como já vimos em temporadas passadas, mas o suficiente para mostrar quão importante estes pequenos segmentos são. E a Sasha é a que tem o melhor desempenho, mesmo para uma queen que usualmente é classificada como “inteligente demais” para ser engraçada. 

Alexis por outro lado falha miseravelmente em sua missão, que é a de ser cômica – toda temporada tem uma, lembra da Roxxxy? Dentro do que o cast conseguiu nos oferecer, Alexis é a mais fraca em quesito de interpretação, mas ironicamente ela é sempre a primeira a levantar a bandeira do seu sucesso ou incapacidade de compreensão de suas próprias limitações. Não obstante, a arrastada da temporada encontrou vários bloqueios, a começar pela critica em cima de sua falta de bom gosto para os looks e sua falha em liderar, mesmo quando ela não é convidada para tal. Uma bagunça.

O grande problema da Alexis, além de seu conjunto de looks básicos, é sua concepção de que as amigas tem a obrigação de avisá-la quando o seu visual não estiver agradável ou forte o suficiente para a passarela. Este é um tema que já havia surgido antes no Untucked e que retornou agora durante o episódio. É, na verdade, uma demonstração do clima de amizade que permeou a temporada e fez do nono ano da série algo tão blasé. Quanto mais próximos do final, mais tensas ficarão as relações nos bastidores, mas o clima de amizade preponderante impede que competidoras como Alexis percebam que a principal preocupação de cada queen ali dentro é, em primeiro lugar, consigo mesma. A verdade é que tirando o look unicórnio sua apresentação terminou bem básica e também justifica o motivo por trás de termos ouvido seu nome duas vezes no momento da fatídica pergunta de RuPaul. 

Peppermint sofre do mesmo problema visual que Alexis, mas com uma compreensão melhor de como apresentar seu personagem. Se a saia “pedrestre” da Alexis não conseguiu elogios, o look de couro da Peppermint arrancou suspiros, especialmente por sua atitude agressiva e em controle do clima criado por sua persona. E é por isso que Peppermint consegue vencer Alexis com tanta facilidade na dublagem, a queen definitivamente sabe dominar o espaço em que está e é graças a ela que temos um, dos poucos, lip syncs de respeito da temporada. 

Shea por outro lado, apesar de ter entregado um look de arco-íris bem deslocado, conseguiu utilizar sua presença de palco e também bom gosto para entregar um set quase perfeito. Não é melhor do que o da Sasha, preciso confessar, mas é poderoso o suficiente para entregar para ela o prêmio. Existe uma compreensão do aspecto drag e do high fashion que capturam os olhos dos jurados.

E por falar em Sasha, eu gostei do que ela apresentou, especialmente o look da bandeira, mas confesso que o cowboy não foi lá essas coisas. É algo bem simples, apesar de bem construído e algo que me faz compreender a crítica dos jurados e também a decisão de dar para Shea a vitória. Por outro lado, em meio a tantos desafios de moda, fiquei um pouco confuso com a crítica de que ela estava muito próxima de uma modelo em Paris. Desde quando ser uma modelo em Paris, quando seu look está sendo avaliado, é algo ruim? Tenho certeza de que existem mais críticas editadas e que ficaram de fora, porque apenas essa desculpa é fraca demais. 

Contudo quando falamos de diversidade fica explícito que o trabalho deste conjunto de queens é louvável. Trinity expõe um pouco do ‘bad taste’ em compor looks, já que seu desejo de mostrar o corpo em alguns momentos se sobressai a moda efetivamente falando, um detalhe que ela confessa nos bastidores, mas a trajetória da queen tem sido bem estável desde o começo da temporada. E é sempre ótimo ver seus comentários alternando entre uma cena e outra, assim como seu medo de insetos.

Gayest Ball Ever é uma excelente oportunidade para mostrar um programa mais centralizado, mas também bem bagunçado pelos conflitos. Conforme a própria Shea diz no confessionário, esta não é mais uma competição de amigas, algo que prejudicou e muito o bom andamento do drama e dos elementos que fazem de RPDR um reality tão comentado e assistido. Só espero que essa aura permaneça viva para o próximo episódio e que a decisão mais sábia seja feita, com Peppermint indo embora e Shea, Sasha e Trinity assumindo o TOP3, que atualmente está com a coroa dividida entre Sasha e Shea. 

Observações

– Sempre que a pergunta de “Quem deve sair e o motivo” é feita, eu fico esperando ansiosamente pelo UnTucked e neste não foi diferente. O resultado? Um show de bizarrices da Alexis, de novo. Ela realmente acha que foi escolhida por  representar um risco para as outras… Coitadinha.

– Sério que a Alexis estava se vendendo como uma ‘Broadway’ queen? Amor, nem teatro de escola ela é.

– Village People o grupo gay mais gay que nunca mais vi igual. Cadê reboot?

–  Alexis: “You really like me”. Eu: “Não”. 

– Chegou a hora de aceitar que a única Alexis que realmente importa na história de RPDR é a Mateo e não a Michelle. Bye Felicia! 

O baile mais gay do mundo está aqui, mas nem tanto É chegado o momento de antecipar o TOP 3, mas primeiro é necessário queimar algumas gorduras desnecessárias dentro da nona temporada. E graças ao formato do programa, assim como a proximidade com o final, o 'Baile' anual de RuPaul's Drag Race ofereceu algo muito necessário para a edição, a tensão que chega antes dos últimos episódios - e como ela estava em falta, a mesa de editores conseguiu celebrar bastante, com cenas alternando entre Sasha e Alexis, além de Shea e Shasha e o desejo de todo mundo de…

RuPaul's Drag Race

Gayest Ball Ever

Nota

Gosto dos meus bailes com muito shade, looks bizarros e problemas de bastidores. E na sua grande maioria o episódio da semana conseguiu atender minhas expectativas.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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