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Indicação Nerd|Unbreakable Kimmy Schmidt

A premissa inicial da série é contar a história de Kimmy (Ellie Kemper) que após ser sequestrada por um pastor maluco e mantida em cativeiro por 15 anos, é libertada e tem que se adaptar ao mundo atual.

A primeira temporada estreou em março de 2015 na Netflix e eu particularmente não tinha muitas expectativas sobre ela, inclusive demorei um pouco para me adequar ao teor do humor da série durante os seus 13 episódios. Porém assim que você começa a perceber suas nuances as coisas começam a ficar mais interessantes, pois não se trata de uma comédia comum e sim de uma série de críticas ao momento em que vivemos, chegando no auge do humor de constrangimento e trazendo consigo o questionamento de se você realmente deveria rir desse tipo de piada e esse pode ser um dos maiores pontos positivos.

Além disso os personagens secundários são totalmente estereotipados, mas isso contribui de maneira positiva para o roteiro e não soa ofensivo. Sem sombras de duvidas o que mais se destaca é Titus Andromedon (Tituss Burgess), um gay negro, morador do subúrbio, com desejos de se tornar um grande artista, mas completamente centrado apenas nele mesmo, uma verdadeira Diva. Contudo apesar desses pequenos defeitos é Titus quem dá suporte a Kimmy e a ajuda durante a sua jornada, além disso ele possui seu próprio arco que vai de se desenvolvendo no decorrer das temporadas e que aprofunda cada vez mais o personagem.

Outras personagens que também se destacam são Lillian (Carol Kane), a vizinha maluca e estranha, e Jacqueline White (Jane Krakowski) a mulher rica que é sustentada pelo marido. É possível perceber ao longo da primeira temporada a evolução das personagens enquanto lidam com Kimmy, uma pessoa extremamente alegre e que enxerga um mundo colorido que é transposto na fotografia da série.

A primeira temporada tem uma história bem amarrada e foca principalmente nessa interação entre a personagem principal e todo o mundo novo que se apresenta diante dela, tanto que em alguns momentos ela parece frágil e inocente, porém isso é quebrado pela sua determinação e vontade de continuar a desbravar os desafios desse novo mundo, suas relações com a tecnologia e as novas maneiras de interação entre as pessoas.

Já a segunda temporada trabalha o trauma de Kimmy, que apesar de parecer ter sido superado, continua ali em gestos que são exagerados para demonstrar o quanto certas questões do passado não trabalhadas podem afetar a vida de uma pessoa que sofre algum tipo de trauma ou abuso. Além de falar do personagem Andrea Bayden, interpretada pela Tina Fey, a própria criadora da série, uma terapeuta alcoólatra e que ajuda Kimmy a superar os seus traumas enquanto protagoniza momentos hilários e que ao mesmo tempo levanta questões importantes com relação ao alcoolismo.

A terceira temporada da série traz ainda mais críticas, humor de constrangimento e fala muito sobre feminismo e empoderamento, tudo isso de forma muito bem humorada sem se tornar chato. Outro fato que também surpreende e conta a favor da série é o fato de não se prender apenas ao fato da personagem principal continuar tendo de lidar com as diferenças entre ela e o mundo em que vive. Kimmy mantém a sua inocência já característica, mas já está mais adaptada ao mundo. Outras questões do seu passado também veem à tona, mostrando que o trauma da temporada anterior não foi totalmente superado, mas que ela está mais forte para lidar com os problemas que começam a aparecer no decorrer da história. Kimmy também não se prende aos relacionamentos amorosos do passado e está sempre preparada para seguir em frente.

Existe nessa última temporada um episódio bastante emocionante envolvendo a personagem Lillian, que inclusive ganha mais importância do que nas anteriores. Esse episódio pega o espectador de surpresa, que já na zona de conforto, acaba se deparando com uma informação que além de trazer surpresa, também tem consigo uma mensagem emocionante e ao mesmo tempo até mesmo desesperadora.

Unbreakable Kimmy Schmidt é uma série que diverte e que provavelmente não agrada todo o tipo de público, já que pra começar a aprecia-la é preciso estar de coração aberto para um tipo de comédia diferente da esperada pelo grande público. Sua abordagem de questões importantes e contemporâneas tornam tudo mais interessante para aqueles que prestam atenção nas sutilezas que a criadora mostra e a evolução dos personagens é perceptível no decorrer dos episódios. Por isso deixo aqui essa indicação e caso você acompanhe a série deixe aqui nos comentários sua opinião sobre ela.

Sobre Angresson da Silva

Nascido em 88, ariano, meio diferentão devido ao ascendente em aquário e que adora conhecer novos animes, mangás, HQ's, jogos, filmes e séries, sempre se preocupando com a representatividade em todas essas mídias. Ainda não formado, mas gosta de escrever suas opiniões e se auto intitula um Nerd Fajuto por não se identificar com os padrões de muitos Nerds.

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