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Crítica|Preacher 2.04 – Viktor

Deus está morto e o Inferno são os outros.

Se alguém achava que a busca por Deus ou o confronto com o Santo dos Assassinos seriam as prioridades da segunda temporada de Preacher, se enganou. Eu mesmo achei que o Santo dos Assassinos seria o maior problemas da tríade (trocadilho divino) Jesse, Tulipa e Cassidy.

Em Damsels, o ritmo diminuiu e algumas peças foram lançadas sem muita preocupação com a trama principal. Em Viktor, a busca por Deus dá um passo à frente e exploramos um pouco as histórias dos personagens “secundários”.

Retornamos ao Inferno, onde Eugene (Ian Colletti) está. Achei muito legal como o diretor, Michael Slovis, explora a estrutura do Inferno, como uma prisão com baixos “recursos financeiros” (a crise não é só por aqui). Por este motivo as celas e os equipamentos de reprodução do “pior dia da vida dos condenados” não estão funcionando como deveriam, devido uma falta de energia.

Eugene

Durante uma destas panes, o Cara-de-Cu conhece os outros detentos que o humilham e ofendem, mas Hitler (Noah Taylor) intervém. Com isso, Eugene e Führer desenvolvem uma amizade e o rapaz do Texas conhece um pouco do Inferno do líder nazista. Porém, o jeito bonzinho e correto de Eugene não é bem visto pela carcereira Mannering (Amy Hill, que está em Homem-Aranha: De volta ao lar, quem percebeu?), afinal é o Inferno, e esta deixa claro que bom comportamento não será tolerado por lá, e que está observando tudo que acontece. Mannering também fica sabendo que alguém escapou do Inferno e que preciso ser capturado, antes que “você sabe quem” fique sabendo.

Aqui está um dos momentos mais geniais e bizarros da série até aqui. Hitler defendeu Eugene, o que já causa um grande desconforto ao telespectador (pelo menos em mim) ao sentir uma empatia pelo líder que causou a morte de milhares de pessoas. Os outros detentos novamente ameaçam Eugene, e Hitler intervém, e percebemos o quão frágil e indefeso ele é sozinho. O Cara-de-Cu percebe que não precisa agir conforme as regras do Inferno e também ajuda quando todos decidem chutar o Führer.

Führer

Seth Rogen, um dos produtores da série, e outros nomes da produção de Preacher são descendentes de Judeus, então o objetivo não parece criar uma imagem mais humana de Hitler, mas sim cutucar os espectadores sobre “e se…” o líder nazista estivesse no Inferno, o que seria dele sozinho por lá?

Um olhar mais atento nos faz refletir também sobre nossos comportamentos frente as regras e normas do ambiente em que estamos. O menino correto Eugene precisa ser mau, afinal é o que se espera de quem está naquele ambiente. Quantas vezes você já teve que fazer algo que não concordava ou não queria devido ao local em que se encontrava?

Na Terra, Jesse reencontra Cassidy na casa de seu amigo francês, e a dupla vê uma propaganda (com participação especial de Frankie Muniz, nosso eterno Malcolm, lembram?) com o ator que fingiu ser Deus, lá no final da primeira temporada. O ator é Mark Harelik (interpretado por… Mark Harelik!), que faz um teste para o papel de Deus e é aprovado, por isso é morto para ir para o Céu. A fita do teste é conseguida graças a Game Of Thrones e o carisma de Cassidy.

In The Middle

O Pastor percebe que há muitas coincidências ocorrendo no mesmo lugar e teremos novas peças do quebra-cabeça de por que tudo acontece em New Orleans. Mais alguém percebeu que o amigo francês de Cassidy, Denee, continua em cena, porém sem nenhum motivo em especial até agora?

Após saber do sumiço de Tulipa, que foi sequestrada por Viktor, Jesse vai ao seu resgate. Utilizando o poder de Gênesis o Pastor consegue se infiltrar facilmente na mansão do bandido, onde temos uma cena ótima de luta entre Jesse e um capanga torturador de Viktor. O plano-sequência da luta ao som de Uptown Girl apesar de engraçada e objetiva, passou a sensação de mal coreografada. E como clímax, Tulipa revela que Viktor é seu marido.

DR de casal

Jesse usou bastante a entidade Gênesis no resgate de Tulipa, colocando o Santo dos Assassinos na rota de New Orleans.

O episódio Viktor traz outra pedra para nosso sapato, que é a nossa empatia com aqueles que não deveríamos nos simpatizar. Tulipa e Cassidy, por exemplo, estão envolvidos com criminosos e mataram pessoas, mas são os personagens que estamos “torcendo” até aqui. O próprio Pastor mandou um jovem inocente para o Inferno, causando um grande mal ao menino do Texas. E Hitler sendo espancando por várias pessoas após defender Eugene, como lidar? Os produtores estão construindo uma estrutura sutil e complexa sobre como o bem e o mal são pontos de vistas relativos, algo que faz alguns de nós nos arrumarmos na poltrona.

E volto a dizer que Joseph Gilgun continua roubando a cena na pele do vampiro Cassidy, a cada momento que aparece, muitas vezes até ofuscando nosso Pastor protagonista. Só enaltecendo nosso chupador de sangue Irlandês.

Nesta semana descobri que Preacher está disponível no Brasil através do site de streaming da Sony, Crackle, dublado e legendado.

Deus está morto e o Inferno são os outros. Se alguém achava que a busca por Deus ou o confronto com o Santo dos Assassinos seriam as prioridades da segunda temporada de Preacher, se enganou. Eu mesmo achei que o Santo dos Assassinos seria o maior problemas da tríade (trocadilho divino) Jesse, Tulipa e Cassidy. Em Damsels, o ritmo diminuiu e algumas peças foram lançadas sem muita preocupação com a trama principal. Em Viktor, a busca por Deus dá um passo à frente e exploramos um pouco as histórias dos personagens “secundários”. Retornamos ao Inferno, onde Eugene (Ian Colletti) está.…

Preacher

2.04 - Viktor

Nota

Deus está morto. O Bem e o Mal são relativos. E você é aquilo que o meio pede.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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