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Diários de um Nerd|O meu problema com animes

Os animes e a cultura japonesa fizeram parte da minha adolescência, me acompanharam durante o meu envelhecimento e até hoje ocupam uma parcela da minha vida, porém não como antes. E isso se deve a alguns fatores que eu não havia percebido e que se tornam determinantes para que eu criasse mais critérios que definiriam se eu acompanharia ou não uma determinada saga.

Como havia dito no texto sobre os nossos filtros, um dos problemas que me fez desistir de alguns animes é que os mais comuns possuem uma média de 24 episódios, enquanto outros, que são mais mainstream e possuem sagas mais longas, possuem uma quantidade enorme de capítulos. Alguns exemplos são Pokémon, Dragon Ball, Naruto, One Piece e Bleach, porém a quantidade de episódios não seria um grande problema se eu não esbarrasse numa outra questão que geralmente é bastante comum produções mais longas, os fillers, que basicamente servem para  que a história do anime não alcance a do Mangá caso ele ainda esteja sendo publicado.

Naruto é um exemplo claro de anime que se utilizou desse recurso para dar uma atrasada na sua narrativa, tanto que fez com que diversas pessoas (inclusive eu) se afastassem da série, e por mais que eu seja fã e acompanhe desde o seu início, não nego que além dos fillers algo que também fez com que eu quase desistisse do jinchuuriki mais querido de Konoha, foi toda a enrolação no final da saga Shippuden que, mesmo no mangá, se tornou arrastada e entediante em diversos momentos.

Um exemplo de anime que sabe usar bem esse recurso é One Piece. Até o momento em que acompanhei eles praticamente não eram percebidos e isso conta como um grande ponto positivo na minha perspectiva. Contudo não são só os animes longos que possuem essa narrativa arrastada, até mesmo nos animes que tem a temporada clássica com 24 episódios é possível perceber aqueles que não são exatamente fillers e que estão ali penas para encher linguiça e isso não é exatamente um problema, desde que seja bem feito.

Mas outro problema que começou a surgir depois dessas questões e que realmente é determinante para que eu pare de assistir a maioria dos animes que me indicam é a hiper sexualização das personagens femininas. Vou todo feliz assistir um anime, estou super animado e rindo à beça com determinada produção, até que sou surpreendido com algum personagem apertando os peitos de alguma moça, usando subterfúgios para olhar debaixo das saias das garotas  e até nos traços dos artistas que fazem questão de deixar muitas seminuas e com partes dos seus corpos extremamente exageradas.

Um argumento que pode ser usado é que essa é uma visão ocidental, que esse tipo de subterfugio sempre fez parte da cultura japonesa e que para eles isso é normal, mas se pararmos para analisar as coisas de uma forma mais crítica poderemos perceber que o problema está além disso. Além dos animes eu me interesso muito pela cultura japonesa e sempre que possível acompanho o que diz respeito a esse país, e ao escutar uma série de podcasts que fala sobre mulheres que moram no Japão, algo que geralmente é citado é o fato delas receberem muito menos do que os homens para exercerem as mesmas funções, que são obrigadas a servirem os homens que não se movem para, por exemplo, servir seu próprio chá, mesmo que todos na sala possuam a mesma hierarquia numa empresa, e por ser “comum” as mulheres quando casam ser tornarem as responsáveis por todas as principais tarefas da casa.

Analisando isso podemos perceber como essa visão do feminino reflete nos animes e em um momento como o que vivemos atualmente, não só no Brasil, mas no mundo todo, onde a questão do feminismo é amplamente discutida não há como deixar passar em branco e se sentir incomodado(a) com os abusos que vemos nos animes (sim são abusos e não brincadeiras inocentes). Por isso independentemente da quantidade de episódios, das histórias arrastadas o que me faz parar imediatamente de assistir esse tipo de produção são essas situações e por esse motivo eu não tenho assistido quase nenhum anime nos últimos tempos.

Sobre Angresson da Silva

Nascido em 88, ariano, meio diferentão devido ao ascendente em aquário e que adora conhecer novos animes, mangás, HQ's, jogos, filmes e séries, sempre se preocupando com a representatividade em todas essas mídias. Ainda não formado, mas gosta de escrever suas opiniões e se auto intitula um Nerd Fajuto por não se identificar com os padrões de muitos Nerds.

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