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Diários de um Nerd|O Rock não está morto

Por muitos anos as pessoas me disseram que o Rock estava morto e eu acreditei, mas quando fui olhar o seu tumulo ele estava vazio.

Quando as pessoas me falam que não fazem mais Rock como antigamente a resposta mais educada que eu consigo dar é que a pessoa provavelmente não está procurando corretamente. E se por um lado eu fico um pouco irritado por que de certa forma a pessoa acaba desprezando o trabalho de quem se esforça para manter esse estilo musical vivo, por outro eu até entendo esse tipo de afirmação afinal as pessoas consumem apenas o que está na mídia mainstream ou se prendem as suas bandas preferidas e não pesquisam novos artistas.

Mas eu não estou aqui para julgar as pessoas ou dizer o que é bom ou ruim afinal musica é uma questão de gosto e o meu, apesar de ser variado, acaba sempre indo para o lado do Rock principalmente aquele mais pesado como, por exemplo, System of a Down e Korn, e se as letras, títulos e capas tiverem uma pitada de blasfêmia, critica a religião  e falarem do demonho então existe uma grande probabilidade de eu me apaixonar.

Para mim o bom Rock é aquele que faz a junção dos instrumentos numa batida pesada que serve como uma forma de expressar toda a raiva que existe dentro do meu corpinho, mas além disso precisa me fazer viajar para qualquer outro lugar que não seja o que eu estou, o lado negativo disso é que por diversas vezes eu já me vi atravessando ruas sem perceber que o farol estava fechado para pedestres – inclusive já recebi algumas buzinadas por causa disso – e apesar de eu correr um sério risco de morte esse é o meu principal filtro para saber se vou ou não escutar infinitamente alguma música.

A banda In This Moment atende a diversos desses requisitos e também possui outros diferenciais que despertaram o meu interesse como o vocal feminino e com um tom gritado meio rouco. In This Moment foi criada em 2005 e é formada por Maria Brink (vocal), Chris Howorth (guitarra solo), Randy Weitzel (guitarra rítmica), Travis Johnson (baixo) e Tom Hane (bateria) e possui seis álbuns de estúdio o Beautiful Tragedy(2007), The Dream(2008), A Star-Crossed Wasteland (2010), Blood (2012), Black Widow (2014) e Ritual (2017).

Ritual é um álbum que chama a atenção tanto pelo nome como pelas suas imagens de divulgação que podem causar repulsa em pessoas religiosas, as letras da parte inicial do disco também podem causar a mesma sensação devido as diversas citações ao demônio e a algumas símbolos religiosos, a primeira faixa, Salvation, serve como introdução e, na minha opinião, poderia não estar ali, o início poderia acontecer com Oh Lord que é a oração de uma pessoa pedindo de ajuda para Deus por estar se deitando com o demônio.

Em Black Wedding há uma combinação muito boa entre os vocais da Maria Brink e do Rob Halford e é possível perceber um forte potencial para que essa seja a segunda música de divulgação, já In The Air Tonight é calma e ao invés de uma oração é possível perceber uma conversa franca com o Senhor. Em Joan of Arc o ritmo volta a ficar frenético e mistura levemente o rock pesado com alguns sons eletrônicos, River of Fire é uma faixa que lembra bastante o single  Adrenalize, mas sem deixar de ter a sua própria identidade e tem momentos interessantes com a bateria e nessa letra ela não está clamando pelo Senhor, mas sim desafiando-o a despejar toda a sua fúria sobre ela, essa com certeza é uma das melhores músicas após Oh Lorde.

Witching Hour é uma das músicas mais interessantes desse álbum por destoar totalmente de toda a sonoridade que foi apresentada anteriormente e também por ter a sua batida muito semelhante à da música Tear You Apart da banda She Wants Revenge, porém esse é momento em que você deixa de querer destruir tudo ao seu redor e sente vontade de dançar enquanto ela fala sobre as bruxas que queimaram na fogueira, seria interessante ver um clipe dessa faixa tendo em vista que a banda costuma fazer vídeos provocativos e diferentes dos que estamos a costumados a assistir na grande mídia.

Uma das músicas que menos agrada é Twin Flames, ela possui características que costumo gostar como refrãos onde o vocal é explorado e alguns momentos em que a música é sussurrada, mas é lenta de uma maneira não tão interessante como em In The Air Tonight. Half God Half Devil traz novamente o ritmo frenético e fala sobre a dualidade que existe dentro de todo ser humano e também tem um grande potencial para single.

O ponto de virada que incomoda um pouco é em No Me Importa por mudar de uma crítica as religiões e a Deus para dar resposta aos haters e também uma mensagem para aqueles que tentam fazer as pessoas se encaixarem dentro de algum padrão e isso continua em Roots e Lay Your Gum Down, mas apesar de incomodar isso não chega atrapalhar a sua experiencia, tanto que Roots soa como uma maneira de extravasar todo ódio que as pessoas guardam dentro de si por não se encaixarem em determinados padrões.

Eu destaquei aqui as músicas do álbum Ritual, mas a banda possui diversos outros trabalhos como Whore, Adrenalize, Blood e Sex Metal Barbie, infelizmente não existe um mapa do tesouro indicando o local onde você vai se deparar com músicas que vão alimentar a sua esperança de encontrar o bom e velho Rock por que cada um sente esse estilo de uma maneira, mas basta você cavar um pouco mais para encontrar muitas coisas interessantes nesse terreno que é a internet e definitivamente o Rock não está morto.

Sobre Angresson da Silva

Nascido em 88, ariano, meio diferentão devido ao ascendente em aquário e que adora conhecer novos animes, mangás, HQ’s, jogos, filmes e séries, sempre se preocupando com a representatividade em todas essas mídias. Ainda não formado, mas gosta de escrever suas opiniões e se auto intitula um Nerd Fajuto por não se identificar com os padrões de muitos Nerds.

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