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Indicação Nerd | Anime – Boku No Hero Academia

Naruto acabou e a Shonen Jump não perdeu tempo e já emplacou seu novo sucesso, que conquista fãs por onde passa, iniciando uma nova febre da poderosa editora: Boku No Hero Academia (ou Boku no Hiro Akademia ou My Hero Academia).

O mangá foi lançado no Japão em 2014 e o anime em 2016, contando a história de um garoto baixinho, franzino e medroso chamado Izuku Midoriya, mais conhecido como Deku (apelido que o “amigo” de infância, Bakugou coloca no rapaz). Deku quer dizer boneco de madeira (inútil), mas a palavra também lembra “você consegue” em Japonês.

Na história, 80% da humanidade desenvolveu poderes especiais, chamados Peculiaridades. Cada pessoa desenvolve – geralmente na infância – uma Peculiaridade específica, desde produzir bolas grudentas até super força.  Assim o mundo é habitado por super-heróis (e super-vilões), tanto que até uma Academia foi criada para formar os jovens heróis – que dá nome à série. E dentre todos os heróis existe um que é o mais poderoso e admirado, All Might.

Porém, nosso protagonista não possui nenhuma Peculiaridade. Izuku é um garoto sem poderes, o que o torna alvo fácil de bullying na escola e é visto por todos como um perdedor que jamais se tornará um herói. Ele sonha um dia se tornar um super-herói como seu ídolo, All Might, mas é desacreditado por todos, até mesmo por sua mãe.

Izuku é o típico nerd (significado antigo, aquele que estuda) que sofre nas mãos dos colegas de escola. O garoto pesquisa muito sobre os super-heróis e as Peculiaridades, se tornando um verdadeiro especialista em golpes, poderes e estratégias de ataque e defesa, sem saber que tudo isso um dia se tornaria muito útil.

Com o decorrer da história, Izuku fica cara a cara com All Might, que revela que a Peculiaridade não é apenas herdada, mas que também pode ser transmitida para outro indivíduo. O poderoso All Might vê muito potencial e heroísmo no pequeno Izuku, e promete transferir seu poder para o garoto, desde que este treine e aprenda como ser um herói útil para a sociedade. Porém, o corpo de Deku é frágil, o que será um grande problema quando este começar a usar o poder de seu ídolo, o One For All.

O começo pode até desanimar o espectador um pouco, com um protagonista fraco e chorão, mas quem conseguir passar do terceiro episódio terá uma grata surpresa, com a evolução da história, a introdução de novos personagens e desafios que tornam o anime viciante.

Seguindo algumas fórmulas nada originais, – como um herói em busca de um sonho, um amigo de infância que se torna seu principal rival, treinamentos para desenvolver seus poderes – Boku No Hero possui alguns ingredientes que farão muitos nerds curtirem e até se identificarem.

O anime mistura a atmosfera dos super-heróis (leia-se, super-heróis americanos) com o universo dos animes, o que torna algumas coisas bem divertidas, como a escolha de uniforme, treino para enfrentar super-vilões em certos locais, formação acadêmica para ser um herói oficialmente registrado, desenvolvimento de poderes tipo mutantes dos X-Men, etc.

Mas talvez o que mais me agradou no anime foi o protagonista. Um garoto nerd, inseguro, fraco e inteligente que busca provar o seu valor apesar de todas as adversidades. Izuku não é um sayajin bobo e poderoso, ou ninja pouco inteligente com uma raposa na barriga. Ele é esperto e sua luta é para se tornar um herói e assim ajudar pessoas.

Outros personagens também são interessantes, como o esquentado Bakugou. Ele sempre esteve à frente de todos, sempre foi temido e admirado, e também era o bully de Deku. Mas com a mudança gradativa de Izuku, Bakugou se sente ameaçado e isso aumentará mais ainda sua agressividade. Outro personagem fantástico é Todoroki, que mostra que a rivalidade pode muito bem vir acompanhada de respeito e companheirismo.

O anime traz também outros pontos legais para reflexão, como o bullying que Izuku sofre por ser diferente de todo o resto. Qual gay nerd nunca passou por isso?

Além disso, Deku não nasceu poderoso ou um super-herói, ele precisa passar por um processo para que um dia se torne como seu ídolo. Algo legal de se mostrar, especialmente para as novas gerações, sobre esforço para atingir um objetivo. Para alcançar um sonho é necessário trabalho – muito trabalho – e mesmo assim haverá aqueles que tentarão mostrar que aquilo que você busca é algo impossível.

Nem tudo são flores, e lógico que Boku No Hero Academia também possui seus defeitos. Um deles é colocar as personagens femininas em uniformes “sexys” para agradar os fãs do anime, assim como ter um personagem “pervertido” (Minoru Mineta) como algo engraçado (personagens como Mestre Kame, Jiraya, Meliodas que banalizam o abuso ainda são vistos como engraçados?).

Outra coisa que incomoda no anime são os termos em inglês. Praticamente tudo, nomes dos personagens, nomes dos poderes, nomes dos golpes, sendo que alguns não fazem o menor sentido.

Boku No Hero Academia é um anime shonen, por isso se você não curte este estilo é melhor passar longe. E BNHA possui algumas coisas que deixam a pulga atrás da orelha sobre a criatividade de seu criador, como uma academia de heróis que lembra muito a escola ninja de Naruto, ou os heróis cadastrados na sociedade como em One Punch-Man.

O mangá de Boku No Hero Academia já está sendo publicado no Brasil pela editora JBC e está na edição 5. No Japão, o mangá está no volume 14 pela poderosa editora Shonen Jump. O anime chegou ao Brasil pela Crunchyroll Brasil, que anunciou seu lançamento na Anime Friends 2017. No Japão, BNHA já conta com duas temporadas e 28 episódios, e uma nova temporada está por vir.

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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