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Indicação Nerd | Série – My Mad Fat Diary

Já assistiu My Mad Fat Diary? Não? Então pare qualquer outra série que você esteja assistindo.

Dos mesmos produtores da maravilhosa Skins, My Mad Fat Diary é aquela série que é impossível não se identificar com algum personagem e que produz reflexões sobre temas que muitas vezes são esquecidos pelas produções mainstream. Assim como Skins e Misfits, MMFD não é uma série americana, por este motivo é pouco conhecida e é pouco comentada até hoje, apesar de abordar temas tão importantes quanto de garotas que gravam 13 fitas k7 por aí.

Começando pela protagonista, MMFD é uma das raras séries em que o protagonista foge dos padrões impostos pela nossa sociedade da beleza. A série conta a história de Rae Earl (Sharon Rooney), uma garota obesa, fã de rock (especialmente Oasis), que se considera feia e que acabou de sair de um hospital psiquiátrico. Rae tentou o suicídio, devido a todos os problemas que a vida de uma menina adolescente obesa pode sofrer, e por isso ficou algumas semanas internada em um hospital para que todos tivessem a certeza de que ela não era mais um risco para si mesma.

Porém, ninguém sabe que Rae tentou se matar e que ficou internada, todos os colegas da escola acham que ela estava em Paris fazendo intercâmbio. Rae mora com sua mãe, com quem tem uma relação bem complicada e não é a pessoa mais popular na escola. A série aborda de forma humorada e verdadeira as dificuldades que uma pessoa obesa enfrenta, mostrando através de Rae que a compra de uma roupa em uma loja ou uma festa na piscina podem ser pesadelos que muitos de nós nem imaginamos.

Outro ponto que MMFD aborda de forma genial, como poucas séries fizeram até hoje, é a saúde mental de pessoas com algum transtorno ou quadro psiquiátrico. A dificuldade de pedir ajuda, o medo de contar para amigos sobre sua condição de saúde e como o tratamento é algo complexo que necessita de uma rede de apoio.

A série é uma ótima pedida para aquelas pessoas que ainda acreditam que suicídio é algo banal e que ansiedade, depressão ou outros transtornos são “frescuras”, simples de superar. Além disso, My Mad Fat Diary mostra que nossas palavras ou pequenas “brincadeiras”, como colocar apelidos, podem devastar algumas pessoas que estão ao nosso redor. Mas nem tudo é pesado ou denso em MMFD. O seriado possui momentos hilários e situações que muitos de nós já passamos, mas que temos até vergonha de comentar.

Rae possui uma amiga de infância, Chloe (Jodie Comer), que é seu oposto. Linda, magra, feminina e desejada por todos os garotos, Chloe seria o equivalente aquele boy padrãozinho que sempre recebe biscoito. Mas outra sacada genial da série é mostrar os problemas que a “beleza” pode causar na vida de algumas pessoas, afinal ninguém está livre das reviravoltas da vida.

Nossa protagonista possui 16 anos, logo, não está livre dos poderosos hormônios da adolescência, fazendo com que esta busque entre os garotos (e homens) ao seu redor aquele que poderá tirar sua virgindade. Aí outro ponto positivo da série: mostrar os desejos sexuais de pessoas obesas e fora dos padrões. Pode ser um choque para muitos, mas pessoas gordas também transam e também possuem vontades.

Já falei que você tem que assistir essa série? Já? Só pra confirmar.

My Mad Fat Diary é uma boa série para indicar para aquele seu amigo padrãozinho, que acha que ser chamado de padrãozinho é algo terrível. É ótimo indicar também para aqueles que acham que pessoas “bonitas” podem escolher com quem ficar e pessoas “feias” devem ficar com quem aparecer.

A série ainda conta com um personagem gay enrustido que demonstra interesse por meninas para evitar que sua orientação sexual seja “descoberta”. Algo bem familiar, né? Quem não conhece aquele “discreto, fora-do-meio” que faz isso?

Durante a história conhecemos outros personagens, como Finn (Nico Mirallegro), Archie (Dan Cohen), Chop (Jordan Murphy), Izzy (Ciara Baxendale), a mãe de Rae, Linda (Claire Rushbrook) e o psiquiatra de Rae, Dr. Kester (Ian Hart).

A atmosfera do seriado é da década de 90 que também gera uma deliciosa nostalgia – pelo menos nos mais antigos, que nem eu – com reunião de amigos sem smartphones e muito rock do bom como Blur, Weezer, Oasis e outras bandas de sucesso da época. 

Com exceção de Drop Dead Diva e Mike & Molly, essa é uma das raras séries que eu conheço em que uma atriz acima do peso é a protagonista da história e não apenas como a “piada do show”, mas de forma humanizada, com qualidades e defeitos, assim como eu e você.

MMFD conta com 3 temporadas, curtinhas e que com certeza você irá maratonar em poucos dias. A série é baseada no livro “My Fat, Mad Teenage Diary” foi exibida em 2013 lá no Reino Unido pelo canal E4 e nunca foi (e nem será) exibida no Brasil. Vamos torcer para que um dia apareça no catálogo da Netflix.

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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  • Bruno Marcatto Maldonado

    Essa série está entre uma das minhas favoritas de todos os tempos. A sutileza (ou não) com a qual alguns temas são tratados é maravilhosa, e consegue te apresentar uma realidade em que você de uma maneira ou de outra se identifica.Com personagens maravilhosos, temas desenvolvidos com seriedade e responsabilidade, essa série apresenta para muitos a verdade sobre “as frescurinhas” que algumas pessoas tem. MUITO válida a indicação.

    Você quer @? (13 fitas)

    • Michel Furquim

      Assino embaixo em tudo que você disse.
      Beijas!

    • Ubirajara Júnior Do Carmo

      Essas “frescurinhas”. E4 com as melhores séries teens.

  • Ubirajara Júnior Do Carmo

    A série que abalava meu abalado psicológico. Deprimi quando anunciaram a última temporada. Ray me representa demais. E a trilha sonora que é a da minha infância <3

    • Michel Furquim

      Eu amei a trilha sonora. Oasis era minha adolescência também.