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Pela primeira vez na história “The” Doctor de Doctor Who será uma mulher, mas a luta continua

16 de Julho de 2017 e em um vídeo a BBC revelou a identidade da 13ª encarnação de seu personagem mais conhecido, depois da Rainha, ‘The Doctor’ de Doctor Who finalmente será traduzido como A Doutora, aqui na terrinha do golpe. Com um vídeo que só deverá ser totalmente explicado no especial de natal da série, Jodie Whittaker apareceu segurando a chave da Tardis e isso é motivo para comemorar, certo? Sim, muito, mas não podemos deixar que a luta pare aqui. 

A verdade é que Doctor Who ainda é uma série extremamente branca e com pouca representatividade. Apesar de dura, a realidade não pode ser tão lenta assim, afinal esperamos mais de 43 anos para ter uma mulher interpretando um personagem que se “regenera” e muda de rosto a cada três temporadas (atualmente). Não podemos ficar esperando por mais e também não devemos nos contentar com uma luta de cada vez, a mudança precisa vir ontem. 

Não estamos lutando para consertar o “problema” da mulher, depois da transexual, depois do negro, do gay, o correto já deveria estar em prática, estamos cobrando pelo reconhecimento. Lidar com cada um destes problemas como “coisas separadas” apenas salienta a desigualdade que queremos impedir. 

Claro que a série ainda respondeu o clamor por diversidade com uma mulher branca e mesmo sabendo que Jodie Whittaker desempenhará um ótimo papel, ainda é preocupante que a saída mais fácil seja exatamente aquela que estamos tentando combater ao pedir por maior representatividade. Não pense, porém, que estou triste, ter uma mulher interpretando um personagem histórico é uma vitória gigantesca a ser celebrada, mas as engrenagens da mudança não precisam parar por aí. 

O caminho para chegar até este ponto também não é nenhuma novidade e apesar de não ter trabalhado muito bem suas personagens femininas, Steven Moffat esteve desenvolvendo o terreno para que uma mulher assumisse o manto e a prova final foi com a maravilhosa Missy. 

Logo ter uma Doutora é uma vitória, mas uma vitória limitada. Ainda precisamos de mais e não podemos parar. Mulheres negras e de outros tons de pele e nacionalidade também precisam se identificar, pertencer e serem representadas. Doctor Who ainda é uma série massivamente branca, com pouquíssimas personagens negras, do topo da minha memória só consigo me lembrar de Martha, Danny Pink e Billy. 

Então sim, vamos comemorar essa vitória, mas não vamos nos esquecer de que nossas amigas negras, fora dos padrões estéticos considerados “belos”, também precisam de representatividade e que  luta não pode ser devagar, os problemas da representatividade precisam ser atacados com cada vez mais força, já esperamos demais. Todo mundo merece a chance de não precisar “fingir” ser alguém que não é na hora de brincar de faz de conta, não só meninos e meninas brancas. A vitória existe, mas ainda está longe de ser definitiva. 

Que a luta não pare, um conselho digno da própria Doutora. 

Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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