Página Inicial / Animações DC / Crítica|Animação – Batman & Arlequina

Crítica|Animação – Batman & Arlequina

Desde sua criação em 1992, por Paul Dini e Bruce Timm para Batman: A Série Animada, Arlequina se tornou uma das personagens mais populares do universo DC, tanto que saiu das telinhas, ganhou um título próprio nas HQs e foi praticamente a protagonista do filme Esquadrão Suicida.

Pois bem, a DC Comics que não é boba nem nada, busca extrair o máximo que pode da popularidade da personagem, colocando ela em praticamente tudo que a editora produz. Nos últimos anos ela não só participou do filme Esquadrão, mas também apareceu nos jogos Injustice e Injustice 2, na série animada DC Super Hero Girls, seu título próprio em DC Renascimento, 90% dos cosplays de qualquer evento nerd, etc.

Os citados acima são ótimos, pois mostra o poder que essa personagem feminina, relativamente jovem, conquistou entre os fãs, especialmente as meninas (e as gays). Mas eis que decidiram fazer uma animação juntando Arlequina e Batman, para impedir uma tragédia global.

A história basicamente é que a vilã Hera Venenosa e o elemental Homem Florônico buscam uma fórmula para transformar todas as pessoas do planeta em planta, e assim salvar a Terra dos humanos. A fórmula foi criada por Dr. Alec Holland, nome bem conhecido para os fãs das HQs.

Para encontrar Hera Venenosa, Batman e Asa Noturna buscam ajuda de Harleen. A vilã está tentando viver uma vida normal, como garçonete em uma lanchonete. Um dos problemas já começa aqui. O maior detetive da galáxia não consegue encontrar Pamela Isley e precisa da ajuda da Arlequina? Mas ok, vamos relevar esta parte que já soa bem ridícula.

A busca por Hera e Florônico continua, com diversas cenas constrangedoras, desde piadas forçadas, uma cena musical desnecessária e, para tirar o resto de esperança de que isso tudo poderia melhorar, uma cena que sugere sexo entre Dick Grayson e Arlequina.

Parece que a DC não aprendeu muito com seus últimos erros, né? A Piada Mortal (The Killing Joke) foi super criticada devido a cena que sugeria sexo entre o Batman e a Batgirl – que comentamos AQUI – e muitas foram as críticas sobre a hiper sexualização da Arlequina no filme Esquadrão Suicida, então por que repetir estes mesmos erros?

A trama segue aos trancos e barrancos, e nem a aparição de um dos personagens mais importantes das HQs, o Monstro do Pântano, diminui a vergonha alheia que a animação deixa. O propósito de Hera Venenosa em salvar as plantinhas e acabar com os humanos não convence, assim como o relacionamento entre ela e Harleen. O Homem Florônico é um vilão auxiliar que poderia ser substituído por qualquer outro grandalhão facilmente (acho que só não colocaram o Bane pra não ficar muito parecido com o filme Batman e Robin).

Batman aqui é retratado de forma tão ridícula que até as notícias mais recentes, de que ele seria um meta-humano, se tornam convincentes. Asa Noturna não se sai muito melhor, sendo um herói bobo e que não é uma grande ajuda para o homem-morcego.

Quando vemos tanta besteira em uma animação, fica difícil imaginar que ela foi produzida e dirigida pelas mesmas pessoas que eram responsáveis pela ótima série animada do Batman da década de 90, e também da maravilhosa Batman: A Máscara do Fantasma. Ainda não entendi o que houve com Sam Liu, Bruce Timm e James Krieg para entregar uma produção deste nível.

Ao que parece a DC está tentando desvincular a imagem sombria e violenta de suas produções, para que atinja um público maior, assim como a Marvel faz (leia-se, animações Livre para crianças, que permite a venda de mais produtos e brinquedos relacionados). Porém, assim como podemos perceber nas animações da Casa das Ideias, uma animação que busca agradar todos os públicos, geralmente tem sua qualidade colocada em xeque.

Assim a DC começa a enterrar uma das áreas em que ela era líder absoluta e que sempre dominou, as animações. Batman Vs Robin, Liga da Justiça Vs Jovens Titãs, as versões de Batman Sem Limites e Justice League: Action, já davam os primeiros sinais que as animações serão voltadas para o público mais jovem e buscando um tom menos denso, para não espantar os menos familiarizados com o universo DC.

Apesar de todos os pontos negativos, Batman & Arlequina tem seus pontos positivos, que são a qualidade animação e a dublagem.Os traços da animação são muito bons, lembrando bastante a série clássica do Morcego, e com os uniformes mais famosos do Bat, do Asa Noturna e da Arlequina.

Kevin Conroy dubla o Batman (ele é a voz do Homem-Morcego em praticamente todas as animações até aqui), Loren Lester interpreta Asa Noturna (já dublou o Robin em várias animações), Paget Brewster é a voz de Hera Venenosa e John DiMaggio emprestou a voz para o Monstro do Pântano (ele é bem conhecido por dublar o Bender, em Futurama). Uma das coisas mais interessantes foi a escolha da voz da Arlequina: Melissa Rauch. A voz de hamster inconfundível da Bernadette de The Big Bang Theory combinou perfeitamente com a personagem.

Esta animação foi uma facada no peito dos fãs mais saudosos da DC Comics e o anúncio de que a editora também irá lançar uma HQ inspirada nesta história só dá arrepios. Vamos torcer para que a DC entenda que seu sucesso até aqui foi formado pelo seu lado sombrio e sério, e não pelo colorido e pelas piadas. Quem sabe assim não tenhamos outras produções neste nível.

TRAILER

Desde sua criação em 1992, por Paul Dini e Bruce Timm para Batman: A Série Animada, Arlequina se tornou uma das personagens mais populares do universo DC, tanto que saiu das telinhas, ganhou um título próprio nas HQs e foi praticamente a protagonista do filme Esquadrão Suicida. Pois bem, a DC Comics que não é boba nem nada, busca extrair o máximo que pode da popularidade da personagem, colocando ela em praticamente tudo que a editora produz. Nos últimos anos ela não só participou do filme Esquadrão, mas também apareceu nos jogos Injustice e Injustice 2, na série animada DC…

Batman & Arlequina

Animação

Nota

Uma história inconsistente, cheia de cenas constrangedoras, além de uma tentativa forçada de fazer graça com uma das personagens mais populares das HQs, tornando essa uma séria concorrente a pior animação da DC Comics já produzida.

User Rating: Be the first one !

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

Veja Também

Crítica|Filme – The Pass (2016)

Desde que foi anunciado, The Pass (numa tradução literal seria “O Passe”) criou muitas expectativas, …

  • Uau!
    Crítica brutal. Acho que foi a primeira vez na história do Gay Nerd Brasil que um filme não ganhou nenhuma estrelinha. Acho que o mais próximo foi com a crítica de Mulher Gato com 1/2 estrela hahahahaha

    • Michel Furquim

      Essa animação merecia só STAR morta.