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Crítica | Mulher Maravilha – Terra Um

A Mulher maravilha pode ser a heroína mais icônica da histórias dos quadrinhos, mas é difícil citar qualquer obra que tenha ganhado os holofotes como ‘O Cavaleiro das Trevas’ de Frank Miller (1986) ou ‘Paz na terra’ de Paul Dini e Alex Ross (1999). Mulher Maravilha sempre esteve lá, mas sempre no papel de coadjuvante.

Mulher Maravilha: Terra Um é uma publicação original de 2016, (publicada no Brasil neste ano pela Panini) escrita por Grant Morrison e ilustrada por Yanick Paquette e que pretende recontar as origens de Diana Prince no contexto do século XXI. Não se trata de uma obra extravagante e não tem perfil (ou pretensão) para ser algo como alguma das sagas mais icônicas dos outros dois membros da trindade da DC, o que não significa de modo algum que não seja relevante.

Trata-se de uma narrativa relativamente simples, focando se especialmente no encontro de Diana com o mundo e cultura dos homens, o que por si só já é uma proposta atraente. Por vezes o texto apresenta alguns problemas de ritmo e nunca explora os temas que são colocados na mesa, e apesar dos pontuais problemas em sua estrutura, Terra Um é uma narrativa no mínimo interessante. De fato descaracteriza muito dos aspectos mais fantásticos da história da Mulher Maravilha, ainda que estejam lá, por vezes quase nos esquecemos dos antes proeminentes elementos da mitologia grega por exemplo. Ainda assim, o roteiro de Grant respeita a essência política que a heroína carregava em sua origem.

Há alguns debates problemáticos na obra que nunca são explorados profundamente. Os comentários acerca do corpo de Etta Candy, por exemplo, são um pouco incômodos (muito embora a personagem se afirme em relação a isso), mas no geral a obra não se contém ao apresentar personagens LGBT ou alterar a etnia de Steve Trevor.


A edição traz na capa uma imagem provocativa e claramente sensual de Diana, mas dentro da obra as correntes que prendem a heroína perdem a conotação sexual e de submissão, representando a personagem como o  símbolo de respeito e poder que é característico das amazonas. Esta redefinição de significados não só faz sentido dentro da obra, como também quebra a quarta parede e dialogam com o leitor, levando-nos a repensar as representações gráficas que a Mulher Maravilha ganhou nos últimos anos.

E para além da atrativa representação de Themyscira – construída aqui como uma marcante utopia tecnológica – ou da bem vinda diversidade de seus protagonista, o melhor aspecto de Terra Um é apresentar uma Mulher Maravilha que não é definida unicamente pela sua beleza ou força, mas como uma verdadeira ponte entre dois mundos completamente distintos. Esse arquétipo do herói que abraça seu destino e defende os ideais da verdade e justiça foi replicado a exaustão, mas atualmente têm sido abandonado em prol de um suposto realismo, nossos heróis atuais são definidos principalmente pelos seus conflitos psicológicos e morais,  e apesar de ser clichê, uma abordagem heroica e otimista soa como uma novidade.

No mesmo espírito otimista da HQ, há muito para se comemorar com o advento do primeiro filme da heroína! Mais do que qualquer outro super herói da história, cada mínimo detalhe da mitologia da princesa amazona foi concebido para transmitir uma mensagem de empoderamento, respeito e compaixão. Cada aspecto do seu complexo universo é construído em cima da reflexão do papel da mulher na sociedade moderna. Apesar de suas falhas, Terra Um é uma historia que consegue cativar o leitor nos aspectos mais importantes: Uma obra que dialoga com nossos problemáticos tempos modernos. E é inegável que precisamos deste espírito progressista e otimista representado em Diana, mais do que nunca precisamos da Mulher Maravilha para salvar o dia!

A Mulher maravilha pode ser a heroína mais icônica da histórias dos quadrinhos, mas é difícil citar qualquer obra que tenha ganhado os holofotes como ‘O Cavaleiro das Trevas’ de Frank Miller (1986) ou ‘Paz na terra’ de Paul Dini e Alex Ross (1999). Mulher Maravilha sempre esteve lá, mas sempre no papel de coadjuvante. Mulher Maravilha: Terra Um é uma publicação original de 2016, (publicada no Brasil neste ano pela Panini) escrita por Grant Morrison e ilustrada por Yanick Paquette e que pretende recontar as origens de Diana Prince no contexto do século XXI. Não se trata de uma…

Mulher Maravilha - Terra Um

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Nota

Apesar de algumas falhas, Terra Um é uma historia que consegue cativar o leitor nos aspectos mais importantes: uma obra que dialoga com nossos problemáticos tempos modernos.

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Sobre Marco Antonio Freitas

Mineiro, 25 anos, formado em Serviço Social e apaixonado por séries e música desde os 16 e apreciador ocasional de HQs.

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