Página Inicial / Resenha e Crítica / Crítica - Música / Crítica|Kesha – Rainbow (2017)

Crítica|Kesha – Rainbow (2017)

Uma nova Kesha no fim do arco-íris, essa é a proposta de Rainbow.

Meu primeiro contato com Kesha foi há anos atrás, enquanto ela ainda usava o $ como parte de sua alcunha. Batidas eletrônicas, muita cor, voz distorcida e música chiclete. Era assim que a cantora era reconhecida em meus círculos de amizade. Também a chamávamos de ‘rainha dos sujinhos’, pelo excesso de cores, roupas rasgadas e a sensação de extrema liberdade perpetuada pela cantora. Esta, porém, era a fase de Dr. Luke e, bom, muita coisa mudou, inclusive a maneira que hoje enxergo Kesha Rose Sebert.

Muito do que sabemos hoje a respeito de Kesha só foi possível devido a uma série de eventos tristes. O suposto* abuso sexual e mental perpetuado por Lukasz “Dr. Luke” Gottwald mostrou não apenas um lado perigoso da indústria musical, mas também sua influência em cima de uma cantora com tanto potencial.

Em face à luz da mudança do cenário POP, com artistas como Rihanna se proclamando ‘anti’ (tudo e todos) os domínios da indústria musical, Lady Gaga desprezando o farofa para músicas contemplativas sobre fé e Katy Perry abusando da crítica a política e endeusamento da mídia, Kesha é a única que aparece para tratar de algo mais pessoal – mesmo que ‘Love on the Brain’, de Rihanna, também tratasse do mesmo assunto, a violência e a dependência criada entre abusada e abusador. Até mesmo a Miley desistiu do twerking para um despertar espiritual.

Diferente do esperado, Kesha foi além e não apenas abandonou a faceta adotada durante seu período com Dr. Luke, mas também criou o tipo de música adequada para o momento em que ela se encontra hoje.

“Fui subestimada minha vida inteira. Eu sei que pessoas vão falar merda, e querido, tudo bem. Mas eles não vão quebrar meu espírito. Eu não vou deixá-los vencer. Eu vou continuar vivendo, continuar vivendo. Do jeito que eu quiser viver” 

Quando analiso Rainbow, com faixas como Bastards, um country leve e com uma mensagem bem clara que rapidamente se torna uma espécie de Gospel, verdadeiramente um hino contra o bullying, as dúvidas pessoais e a influência negativa de terceiros, é fácil ver a mensagem que Kesha, autora da faixa, quer passar. 

É fácil compreender a mensagem de Praying, em que a cantora está, literalmente, rezando por seu agressor e pedindo que ele aprenda com seus erros. Sua voz também não é a mesma que nos acostumamos com os sons agudos e distorcidos de Tik Tok. Não. Existe alma ali dentro. Não que seus trabalhos anteriores não demonstrassem sentimentos, mas o que temos hoje é bem diferente e mais pessoal do que já experimentamos com a cantora.

Kesha também experimenta com outros ritmos, como o rock de ‘Let’em Talk, com os Eagles of Death Metal’ e Boogie Feet. São faixas experimentais e que incluem um gênero que a cantora tentou emplacar antes, mas que não encontrou espaço em Cannibal

Mas é nas letras de Woman e Learn to Let Go que Kesha consegue expor sua situação atual dentro do cenário. Rainbow é extremamente multifacetado, as músicas parecem não encaixar e realmente, o álbum não é coeso. Ele expõe, entretanto, a energia da cantora atualmente. Kesha está procurando o seu nicho, desconectada daquele ambiente criado por Dr. Luke, um que dizia que era difícil a cantora ter acesso a músicas famosas por causa de seu peso.

Kesha está se liberando e ao mesmo tempo encontrando o seu terreno, sua voz. E essa voz está linda.

*Por mais que me doa escrever suposto, infelizmente é assim que precisamos reportar. =/

Uma nova Kesha no fim do arco-íris, essa é a proposta de Rainbow. Meu primeiro contato com Kesha foi há anos atrás, enquanto ela ainda usava o $ como parte de sua alcunha. Batidas eletrônicas, muita cor, voz distorcida e música chiclete. Era assim que a cantora era reconhecida em meus círculos de amizade. Também a chamávamos de ‘rainha dos sujinhos’, pelo excesso de cores, roupas rasgadas e a sensação de extrema liberdade perpetuada pela cantora. Esta, porém, era a fase de Dr. Luke e, bom, muita coisa mudou, inclusive a maneira que hoje enxergo Kesha Rose Sebert. Muito do…

Rainbow

Álbum

Nota

Rainbow é uma grande salada auditiva, que mostra o melhor de Kesha. A falta de organização, aqui compreendida como uma fase do amadurecimento da cantora, não prejudica a viagem e o pote de ouro realmente está no fim do arco-íris.

User Rating: Be the first one !

Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

Veja Também

Crítica|Linn da Quebrada – Pajubá (2017)

Bicha, trans, preta e periférica. Nem ator, nem atriz, atroz. Bailarinx, performer e terrorista de …