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Crítica|O Ornitólogo (2016)

“Durante uma viagem de observação de pássaros, o bote de um ornitólogo vira e ele é resgatado por duas peregrinas Chinesas, que o forçam a comportamentos extremos para sobreviver uma série de testes brutais”

Esta é a sinopse de ‘O Ornitólogo’, filme de João Pedro Rodrigues, diretor português conhecido por filmes como ‘O Fantasma’, ‘A Última Vez Que Vi Macau’ e ‘Morrer como um Homem’. Estrelado por Paul Hamy, o longa de 2016 promete uma viagem de autodescoberta enquanto trabalha em paralelo a vida do Santo Antonio de Pádua. Ornitólogo foi indicado ao prêmio de melhor filme no Festival Internacional de Denver e Locarno International Film Festival, tendo recebido por melhor diretor neste último.  

Ornitólogo é um filme contemplativo. A todo o momento Fernando está observando pássaros, até mesmo depois de fugir de uma dupla de chinesas loucas, ou após matar o pastor (que bebe leite direto da teta de cabras), Jesus. Existe até mesmo uma comparação com textos apócrifos, mas o que prepondera é o limite entre o sagrado e a blasfêmia. Após ser trazido de volta a vida pelas missionárias chinesas, Fernando acorda amarrado em uma árvore, no melhor estilo bondage e acorda excitado, trajando apenas uma cueca branca. O filme também não fica longe de cenas mais fetichistas como pissing, por exemplo.  

O longa é muito mais sobre a expressão artística por trás da religião e consequentemente da blasfêmia, do que qualquer outra coisa. O ritmo incrivelmente lento não irá chocar ninguém, tão pouco surpreender qualquer um. O que acontece em ‘O Ornitólogo’ termina como uma oposição direta ao que o diretor, João Pedro Rodrigues, quis passar.

A mistura do apócrifo com o cristianismo tradicional deveria agir como uma ferramenta de expressão, mas principalmente, como um motivador de choque. Entretanto a história de Rodrigues nunca chega a este ponto. O filme termina com uma convulsão que apenas os mais devotos e conhecedores conseguirão desfrutar de modo a realmente retirar algo válido. Só que dificilmente os mais devotos irão dar uma chance para o longa, que pelo título ou pela premissa, não atingirá a parcela que, de fato, se beneficiaria da visão de Rodrigues.

Ornitólogo, que transforma seu protagonista em um santo, é polarizador, para dizer pouco. Seu ritmo alterna bruscamente e a história se transforma diante dos olhos do telespectador. Só que o entendimento aparece apenas na segunda exibição.

A fotografia, porém, é extremamente linda e segue as batidas de contemplação do filme. Tudo é muito vasto, iluminado e ao mesmo tempo aterrorizador. São cenas calmas de pássaros se alimentando, voando e que logo em seguida se transformam na mais extrema confusão visual, com tochas, pessoas correndo e rituais misteriosos.

Talvez você não entenda a mensagem de Rodrigues, tudo bem, é algo difícil de entender se você não for estudioso de práticas religiosas cristãs, mas a mensagem é bem fácil de absorver. Ornitólogo tenta ser algo complexo, mas retirando a complexidade da natureza humana e da fé, o resultado é sim muito agradável aos olhos. Contemple, encontre a serenidade e volte depois para entender a mensagem, tudo a seu tempo, é isso.

“Durante uma viagem de observação de pássaros, o bote de um ornitólogo vira e ele é resgatado por duas peregrinas Chinesas, que o forçam a comportamentos extremos para sobreviver uma série de testes brutais” Esta é a sinopse de ‘O Ornitólogo’, filme de João Pedro Rodrigues, diretor português conhecido por filmes como ‘O Fantasma’, ‘A Última Vez Que Vi Macau’ e ‘Morrer como um Homem’. Estrelado por Paul Hamy, o longa de 2016 promete uma viagem de autodescoberta enquanto trabalha em paralelo a vida do Santo Antonio de Pádua. Ornitólogo foi indicado ao prêmio de melhor filme no Festival Internacional…

O Ornitólogo

Filme

Nota

O Ornitólogo oferece uma bela viagem dentro da contemplação do espiritual, da blasfêmia e do efêmero, mas peca por não conseguir se contatar totalmente com sua audiência.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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