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Crítica|The Tick – Primeira Temporada (Parte 1)

The Tick, a série do simpático carrapato azul, não é apenas uma sátira ao gênero de adaptações de super-heróis, mas o mais próximo possível de uma produção que tenta, e consegue, rivalizar com séries como as da Marvel e DC no quesito fidelidade.

Baseada no personagem criado por Ben Edlund em 1986, Tick surgiu como o mascote da loja New England Comics e também para satirizar a existência de super-heróis tradicionais, como Batman, Capitão América e Superman. Em 1988 ele ganhou uma revista para chamar de sua e muita popularidade. Mas foi em 1994 que o Carrapato atingiu um ponto alto de sua existência, quando ganhou uma série animada pelo canal FOX Kids. O personagem também teve uma série live action antes, exibida pela FOX e que teve apenas uma temporada. 

Sinopse: Reboot da série original de 2001, a trama gira ao redor de um contador excluído (Griffin Newman), que descobre como um grande vilão – que todos pensavam estar morto – está dominando sua cidade. Diante de tal conspiração e sem poderes especiais, ele pede a ajuda de um estranho super-herói de uniforme azul (Peter Serafinowicz).

A série atual, que é um original da Amazon, apresentou seu piloto em 2016, em uma leva de produções do serviço de streaming que agiu como um teste, lançando episódios para sentir o terreno com a audiência. Logo, houveram algumas modificações entre o primeiro episódio e o restante da temporada. Começamos com o Tick, que recebeu um novo uniforme e também a proposta. No início a ideia era a de fazer da vida de Arthur algo mais próximo do conceito de Clube da Luta, com o herói agindo de forma a levar o contador a questionar sua própria realidade. E é por isso que no começo da série Arthur está sempre “imaginando” a presença do azulão, algo que é completamente exposto (e desmentido) em uma cena com sua irmã.

Peter Serafinowicz é quem assume o manto de The Tick, o herói da série. Com amnésia e apenas seu senso de justiça como guia, o personagem rivaliza com ícones como Capitão América e Superman (não o do DCEU), em termos de exemplo a ser seguido e padrão de boa moral. Serafinowicz consegue empregar leveza e também características base do super-herói padrão, que quer salvar o mundo, mas não deseja machucar ninguém no caminho. E apesar de ser dele a série, não se engane, quem passa pelo desenvolvimento principal e trilha o caminho do herói é outro personagem, Arthur, de Griffin Newman.

Arthur, o contador, recebe maior destaque e também a clássica origem. Quando criança ele testemunhou a morte do pai, em um bizarro acidente na luta entre super-heróis e o vilão ‘The Terror’. Após a morte do pai o rapaz termina traumatizado, assombrado por crises de ansiedade e recebe todo apoio e ajuda do Tick para se tornar um super-herói também. Durante esta primeira parte da primeira temporada (a série receberá sua segunda leva em 2018), Arthur batalha para encontrar força e também transformar seu desejo de justiça em algo real. Todo o drama familiar entre ele, a mãe e a irmã, funciona como combustível da trama e também como melhor escape para piadas neste primeiro momento. 

O trunfo, porém, não está no vilão interpretado por Jackie Earle Haley, mas sim na Ms Lint, de Yara Martinez (Jane the Virgin). Lint, que tem “poderes” elétricos, termina castigada por uma carga estática que atrai pequenos fiapos de tecido por onde ela passa e com mais intensidade quando ela se estressa. Sua relação com o Terror é calorosa e expõe o velho padrão da vilã não compreendida e que pode, no futuro, terminar se redimindo por seus crimes. Mas é a maneira inteligente e vulnerável que Martinez conduz sua personagem que a separa de falhas colossais como o Tentáculo de Defensores ou quase todos os vilões do Arrowverse da CW. 

E é brincando com esteriótipos de histórias em quadrinhos, séries e filmes de super-heróis, que The Tick impõe sua própria assinatura. Despretensiosamente a produção flerta com o sombrio, mas não deixa de mostrar seu lado cômico quando necessário. Durante seis capítulos passamos por todas as etapas clássicas, facilmente identificáveis para quem consome ávidamente os filmes da Marvel (em seus vários estúdios) ou da DC (em menor intensidade), além de batidas das produções televisivas. O potencial é gigante e você conseguirá rir de clichês já saturados pelo mercado, como o do herói mercenário que mata suas vítimas na busca por justiça ou da mulher que termina do lado errado da luta apenas por querer ajudar. 

No fim The Tick poderia até ser encarada como uma sátira, se não estivesse tão próxima de suas concorrentes. Contudo, ao empregar muita alma e tom leve, a produção do carrapato azul termina se transformando na melhor interpretação de uma história em quadrinhos já feita. Sem tom sombrio de sofrimento excruciante, pares românticos e diversos super-heróis pipocando a cada capítulo, The Tick termina por se transformar exatamente no tipo de adaptação que a grande e massiva maioria de leitores tem pedido por anos. E para quem nasceu apenas para tirar sarro destes, o feito é incrível. 

The Tick, a série do simpático carrapato azul, não é apenas uma sátira ao gênero de adaptações de super-heróis, mas o mais próximo possível de uma produção que tenta, e consegue, rivalizar com séries como as da Marvel e DC no quesito fidelidade. Baseada no personagem criado por Ben Edlund em 1986, Tick surgiu como o mascote da loja New England Comics e também para satirizar a existência de super-heróis tradicionais, como Batman, Capitão América e Superman. Em 1988 ele ganhou uma revista para chamar de sua e muita popularidade. Mas foi em 1994 que o Carrapato atingiu um ponto alto…

The Tick

Primeira Temporada

Nota

De paródia para estranhamente perfeita para o mundo de super-heróis, The Tick mostra um novo lado para o inseto azul de coração gigante. 

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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