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Crítica|Preacher 2.13 – The End Of The Road

A season finale de Preacher é mais um episódio que justifica o posto de uma das melhores séries adaptadas dos quadrinhos nestes últimos anos. A segunda temporada teve altos e baixos, acertando em muitos momentos e errando em vários, mas com um resultado final convincente e que agrada os fãs do pastor.

The End Of The Road deixa a sensação de ser praticamente uma continuação direta de On The Road e Mumbai Sky Tower, como se nada tivesse acontecido entre o segundo e este décimo terceiro episódio. Talvez devido a prolongada estadia de Jesse, Cass e Tulipa em New Orleans, e tramas paralelas criadas para “preencher” o espaço durante a busca por Deus. Isso fez com que muito da trama tenha estacionado e deixado o ritmo da história algumas vezes até cansativa.

Como já comentei antes, as linhas narrativas desta segunda temporada ficaram dispersas e o objetivo principal – que era a busca de Jess atrás do Todo Poderoso – se tornou irrelevante e entediante. Sem Herr Starr e O Santo dos Assassinos nada de importante aconteceu na série em 11 episódios, e isso é preocupante.

Como previ lá na crítica de Damsels, a fuga de Eugene do Inferno ocorreu apenas aqui neste último episódio. A sequência da saída do Cara-de-Cu e Hitler do submundo é ótima, com suspense e até uma pitada inteligente de humor, com um Caronte bem diferente do que esperávamos e estamos acostumados a ver em outras produções.
Porém, ainda fica a dúvida de por que estender tanto um plot? Manter Eugene tanto tempo no Inferno apenas acessando flashbacks e visitando o passado de Hitler não foi algo memorável para esta temporada. Ainda mais agora que Hitler também está na Terra e, aparentemente, não fará parte das tramas na próxima temporada, foi uma perda de tempo utilizar tanto espaço para um personagem que não terá relevância para a série?

Outro personagem que não foi bem explorado até aqui é o filho de Cassidy, Denis. Sua transformação em vampiro já era algo iminente, mas após a conversão, o filho de Cass foi pouco – e mal – utilizado. Pelo menos, sua morte foi um dos momentos legais aqui na season finale, pelas mãos do próprio pai. Uma lição importante para nosso vampiro irlandês, sobre a morte e sua eterna solidão.

E finalmente temos a evolução de Jesse como àquele que será o Messias, líder da religião mais influente no planeta. O pastor começa a perceber que os planos do Graal são bem diferentes do que ele acreditava, não relacionadas a manutenção da Fé, mas obter o poder e o controle através do poder de Gênesis.

Aliás, desde Backdoors podemos perceber que o poder de Jesse está falhando, seja pela influência do Graal, seja pela Fé abalada do pastor ou pela proximidade de L’Angelle (que aparecerá na terceira temporada da série), algo que fica totalmente evidente aqui e que fará toda a diferença nos interesses de Starr – principalmente porque o careca possui uma parte da alma do protagonista.

Falando em Marie L’Angelle, o flashback no início do episódio e sua conexão com o final, mostram a importância que a vovó tem na vida e na fé de Jesse, e veremos muita coisa de Angelville na terceira temporada.

A morte de Tulipa pelas mãos de Lara é um ótimo exemplo de como a série, apesar de todos os seus defeitos, bizarrices e humor, consegue também chocar e incomodar o telespectador. Este acontecimento é importante para finalmente definir as posições de Jesse e Cassi em relação à moça, e também sobre o relacionamento mal resolvido entre a tríade.

O desaparecimento de Deus é um dos sinais do aparecimento do anticristo, segundo algumas vertentes católicas (“O anticristo aparecerá com o desaparecimento daquele que agora o detém”) e, com a ascensão de Jesse como o novo líder da organização O Graal, fica a dúvida para a próxima temporada se o Pastor será aquele que se oporá a Cristo e dominará o mundo.

A segunda temporada de Preacher superou a primeira em questão de qualidade – fotografia, direção, produção -, mas perdeu um pouco da atmosfera bizarra e ácida de sua antecessora. Mesmo assim, Preacher terminou seu segundo ano com várias heresias e reflexões sobre moralidade, mostrando que o mundo não é maniqueísta, onde bem e mal são definidos e precisos. Há muito mais entre o céu e o inferno do que podemos imaginar.

A season finale de Preacher é mais um episódio que justifica o posto de uma das melhores séries adaptadas dos quadrinhos nestes últimos anos. A segunda temporada teve altos e baixos, acertando em muitos momentos e errando em vários, mas com um resultado final convincente e que agrada os fãs do pastor. The End Of The Road deixa a sensação de ser praticamente uma continuação direta de On The Road e Mumbai Sky Tower, como se nada tivesse acontecido entre o segundo e este décimo terceiro episódio. Talvez devido a prolongada estadia de Jesse, Cass e Tulipa em New Orleans,…

Preacher

2.13 - The End Of The Road

Nota

Apesar de muita enrolação, a segunda temporada de Preacher termina coerente e com mais pontos positivos do que negativos. A season finale segue um ritmo mais acelerado e fecha algumas tramas para a terceira temporada.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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