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Crítica|Game of Thrones 7.07 – The Dragon and The Wolf [Season Finale]

Chega ao fim a penúltima temporada de Game of Thrones, fechando seu sétimo ano com revelações e destruição.

O grande desafio de um episódio tão longo quanto ‘The Dragon and the Wolf’, o maior da série com 79 minutos, é a quantidade de diálogo necessário para desenvolver todo o capítulo. Para tal, o roteiro precisa estar totalmente afiado, caso contrário a impressão de que aquilo não está definitivamente pronto será gritante. Em uma temporada já repleta de questionamentos, alguns válidos, outros nem tanto, Game of Thrones conseguiu fazer de seu último do ano – a série só volta em 2019 – algo marcante e incrível, mas também bem previsível.

Existe uma sensação de recompensa quando as coisas terminam exatamente da maneira que planejamos. Este é o resultado do planejamento e Game of Thrones planejou muito durante seus sete anos de existência. Logo, algumas coisas terminarão previsíveis. Por isso consigo simpatizar com ambos os lados da reclamação que existe no momento. Como série que antes se vangloriava por abusar do inesperado, hoje o que acompanhamos é um emaranhado de previsibilidades. E isso é ruim? Quando existe um caminho a chegar, existem apenas duas saídas e ou você chega até onde desejava, ou morre na praia (talvez antes dela, lembra do Robb?). E é isso o que o texto de Game of Thrones está fazendo.

Muito mais do que apenas tentar agradar a fãs com ‘fanfics’, Game of Thrones está atingindo o ponto de todo seu planejamento e quem não morreu e ficou sem seu espaço, definitivamente precisaria chegar no local previsível – afinal, previsão é tentar adivinhar ou alcançar algo definido. Por esse motivo a divisão entre os fãs é tão absurda, porque o tempo de surpresas já passou, estamos agora na reta final e as coisas precisam acontecer de maneira bem delimitada ou simplesmente não acontecer totalmente.

Jon e Daenerys, o Lobo e o Dragão, estavam caminhando lado a lado para um encontro desde que Jon, o bastardo de Winterfell, ganhou seu primeiro “flashback” referente a sua origem. Por anos os leitores dos livros teorizaram a respeito da origem do personagem, era apenas óbvio que hoje ele assumisse esta posição. Não é porque uma parcela dos telespectadores conseguiu adivinhar que aquilo se torna ruim. O mesmo vale para o relacionamento entre tia e sobrinho. O paralelo entre os dois é muito forte e por anos acompanhamos cada um deles no extremo do mundo conhecido, vencendo por mérito e não por título de nascimento. Exatamente por isso é compreensível ver a união dos dois, é o que mais faz sentido em termos de narrativa.

Contudo nem mesmo todo o caminho já apontado e desenvolvido aqui como o ponto final de uma série que ainda não chegou em sua etapa de conclusão, consegue apagar quão calmo ‘The Dragon and The Wolf’ foi. Se a todo momento estive aguardando por uma reviravolta, esta nunca chegou a ocorrer. Nenhuma das duas rainhas trocou farpas responsáveis pelo enfraquecimento do objetivo de união contra o Rei da Noite e seu exército. Theon e seu tio também não brigaram e nem ao menos o Cão e seu irmão, a Montanha zumbi, chegaram a levantar a espada um para o outro. Ao contrário, o que tivemos foi um conjunto de tramas políticas sem tanta politicagem.  

E então chegamos no ponto em que planejamento e previsibilidade não são necessariamente o caminho mais sútil dentro da construção de uma sequência. Arya, Sansa e Mindinho dançaram uma dança perigosa que por muito tempo flertou com o improvável. No final, o julgamento de Petyr Baelish veio exatamente como estava telegrafado. Não li os roteiros vazados e por isso não tinha ideia do que estava para acontecer, mas já imaginava desde o começo que tudo poderia ser parte de um plano para que o Mindinho finalmente revelasse suas intenções. Existiu uma satisfação bem grande em ver Petyr morrendo pelas mãos da fria assassina sem rosto, Arya Stark/Ninguém, da mesma maneira que senti um grande orgulho em ver Sansa desferindo a primeira facada, com seu julgamento, mas de maneira alguma gostei do que nos fizeram sofrer até este momento.

Em busca de um desfecho surpreendente Game of Thrones colocou irmã contra irmã em um tipo de labirinto com um objetivo apenas, brincar com o telespectador. Não foi tão satisfatório assim padecer até finalmente chegar ao paraíso, mas pelo menos chegamos. 

Mostrar o casamento entre Rhaegar e Lyanna, pelo segundo season finale a reafirmação de Jon, agora Aegon Targaryen, não como um bastardo, mas como alguém merecedor da coroa, também reafirma uma posição da série de sempre tratar seus personagens com cortes opacos de cinza, ao contrário do preto e branco. Seres humanos erram e neste caso o erro de dois jovens colocou todo o reino em perigo. A mentira divulgada de que Rhaegar havia sequestrado e violentado Lyanna, uma mentira que nunca chegamos a ter qualquer intimidade com, já que a série começa não dando muita atenção ao assunto, é rapidamente desfeita para legitimar tio e sobrinha como duas partes opostas, mas complementares, dentro da luta pela coroa. Jon/Aegon não se preocupa com o reino, sua luta é contra os mortos, mas Daenerys com certeza deverá se abalar com isso. 

A luta contra os mortos está para acontecer, o inverno chegou a Porto Real enquanto Jaime se despedia de sua vida ao lado da irmã para lutar por suas promessas, um presente da presença de Brienne. A muralha caiu, em parte por culpa de Jon, por ter ido para o norte para capturar um morto vivo e ter causado a morte de Vyserion, mas também para que a ameaça finalmente tome um rosto e forma. 

Foram seis anos provocando o retorno dos mortos e sua caminhada interminável. Finalmente Game of Thrones os permitiu atravessar a muralha. Enquanto os planos estiverem acontecendo e a batalha pela vida não terminar, também precisaremos nos preocupar com Cersei e seus mercenários, em uma onda de má sorte que apenas uma produção como GoT conseguiria. Existe esperança, mas a cada noite deste longo inverno os caminhos nos conduzem para um final nada feliz e neste caso, muitos também reclamarão em uma interminável história de agrado e desagrado que se tornou a série mais assistida do mundo. 

Observações

– O encontro entre Brienne e o Cão. Gente, nem eu imaginava quão satisfatório seria. E foi.

– Então os Imaculados receberem um corvo para que eles fossem até Porto Real? Ou eles já estavam marchando para lá e a Daenerys, com seu dragão, fez uma paradinha para avisar enquanto abastecia? 

– Theon conseguiu seu arco de redenção e eu sinceramente não sei se isso é realmente algo bom. Próxima temporada teremos apenas seis episódios, não sei se quero perder tempo acompanhando o resgate de uma personagem que não serviu para muita coisa.

– Também podemos assumir que Daenerys irá engravidar de Jon/Aegon e que o não bastardo já pode entrar na cota de morte certa até a conclusão, certo? 

– Bran, o Corvo de Três Olhos que sabia de tudo, precisou do Sam para a informação mais importante a respeito dos pais do Jon. Uma bela conveniência do roteiro para termos um motivo palpável para um flashback com o casamento entre a Stark e o Targaryen. 

– A série trabalhou o relacionamento entre irmão e irmã por sete anos e realmente tão pensando que vamos nos estremecer com o sexo entre tia e sobrinho que nem ao menos se conheciam até pouco tempo? Então tá. 

Chega ao fim a penúltima temporada de Game of Thrones, fechando seu sétimo ano com revelações e destruição. O grande desafio de um episódio tão longo quanto 'The Dragon and the Wolf', o maior da série com 79 minutos, é a quantidade de diálogo necessário para desenvolver todo o capítulo. Para tal, o roteiro precisa estar totalmente afiado, caso contrário a impressão de que aquilo não está definitivamente pronto será gritante. Em uma temporada já repleta de questionamentos, alguns válidos, outros nem tanto, Game of Thrones conseguiu fazer de seu último do ano - a série só volta em 2019 -…

Game of Thrones

The Dragon and The Wolf

Nota

Game of Thrones entrega seu episódio mais longo com muito diálogo e pouquíssima ação. A previsibilidade que para muitos é ruim, na verdade figurou como a recompensa por anos de acompanhamento.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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